Moody’s altera perspectiva da Vale de negativa para estável
Entre os motivos, a agência destacou que a Vale continua a gerar fluxos de caixa livre positivo e que a mineradora fez a provisão de R$ 6 bilhões no primeiro semestre. Logo, a agência não vê impacto significativo na liquidez e alavancagem da companhia

Depois de um período de grande incerteza sobre o futuro da mineradora Vale (código VALE3), a maior previsibilidade de custos e passivos financeiros decorrentes do desastre de Brumadinho levaram a agência de classificação de risco Moody's a alterar a perspectiva para a companhia.
Segundo informe divulgado hoje (2), a agência destaca a mudança de perspectiva de negativa para estável do rating global Ba1. Em escala nacional, a Vale segue com a nota Aaa.br.
No documento, a Moody's afirma que "a Vale provisionou um total de US$ 6 bilhões no primeiro semestre de 2019, que engloba ações para recuperação socioeconômica e ambiental das áreas afetadas pelo acidente e que serão desembolsados principalmente durante o período de 2019 a 2021. Tendo em vista que a Vale continua a gerar fluxos de caixa livre positivo, não prevemos qualquer impacto significativo na liquidez e alavancagem da companhia".
A agência ainda pontua que o retorno gradual das operações que foram suspensas após o acidente também ajuda na estabilização da perspectiva.
"Das 93 milhões de toneladas de minério de ferro perdidas ou cuja produção foi suspensa após o colapso da barragem, cerca de 42 milhões de toneladas foram recuperadas, a produção de 20 milhões de toneladas pode ser retomada gradualmente no final de 2019/início de 2020 e as 30 milhões de toneladas restantes relacionadas ao descomissionamento de barragens de rejeitos poderão ser retomadas em cerca de 2 a 3 anos", aponta o documento.
Elevação do rating
A Moody's afirma ainda que uma possível elevação do rating da Vale exigirá uma evidência de aprimoramentos significativos da supervisão da governança corporativa, da gestão de riscos e controle da companhia, gradual normalização da produção, e que não haja nenhuma provisão adicional ou desembolsos materiais relacionados ao acidente.
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Outro ponto importante está ligado às ações judiciais e investigações, em conjunto com a manutenção de um sólido perfil de crédito, liquidez e geração de fluxo de caixa livre positivo. Assim como, a elevação exige que a dívida total ajustada/potencial de geração de caixa (Ebitda) abaixo de 2,5x e EBIT/despesa com juros acima de 5x.
Mas pode cair também
Em seu informe, a agência ponderou que não descarta a possibilidade de rebaixamento. Segundo ela, a companhia pode ser rebaixada se os custos finais relacionados ao desastre em Brumadinho ficarem materialmente acima das expectativas.
Isso poderia ocorrer se as penalidades, acordos, litígios e ações coletivas de valores ficassem mais elevados ou se as operações não forem completamente retomadas no prazo esperado, afetando a geração de fluxo de caixa livre.
Além disso, ela pontua que se as condições para o minério de ferro e os metais-base piorarem levando a uma rentabilidade menor com níveis elevados de endividamento, isso também poderia levar ao seu rebaixamento.
Rebaixamento da Vale
Cerca de um mês após o desastre de Brumadinho, a Moody's decidiu rebaixar os ratings da mineradora para Ba1 (escala global), em fevereiro deste ano.
Com isso, a Vale perdeu seu grau de investimento. Antes, a nota de crédito da mineradora era Baa3, a última dentro do selo de bom pagador.
Na época, a Moody's ressaltou que o rebaixamento era reflexo do colapso da barragem de rejeitos da mina do Córrego do Feijão na cidade de Brumadinho (MG).
A agência considerava elevados os riscos de crédito da companhia após a tragédia, além das incertezas no perfil de crédito da Vale e a exposição significativa a despesas judiciais relacionadas ao caso.
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