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China e Estados Unidos anunciaram o fechamento da primeira fase de um acordo comercial, mas a falta de detalhes mais concretos deu um tom de anticlímax ao desfecho. Como resultado, os mercados têm uma sessão instável

O Ibovespa e os mercados globais têm uma sexta-feira 13 bastante agitada. A sessão não chega a ser um filme de terror, daqueles com um banho de sangue — está mais para um suspense cheio de reviravoltas, que deixa o espectador nervoso com o que poderá acontecer na próxima cena.
Tudo isso porque a temporada 2019 da guerra comercial está em seus capítulos finais — e o roteiro está recheado de surpresas. Como resultado, as bolsas mundiais apresentam um comportamento instável e mudanças súbitas de humor.
O Ibovespa, por exemplo, abriu em alta, virou para queda, voltou para o campo positivo e perdeu força mais uma vez — agora, prefere não se afastar muito da estabilidade. Por volta de 17h15, o principal índice da bolsa brasileira avançava 0,08%, aos 112.293,49 pontos.
Os mercados acionários dos Estados Unidos tiveram trajetórias semelhantes: o Dow Jones (+0,02%), o S&P 500 (+0,01%) e o Nasdaq (+0,21%) agora andam de lado, depois de um intenso sobe-e-desce durante a manhã.
No câmbio, o dólar à vista também passou por idas e vindas na primeira etapa da sessão, mas, ao contrário das bolsas, terminou o dia mais pressionado: a moeda americana fechou em alta de 0,34%, a R$ 4,1076. Ainda assim, a divisa acumulou baixa de 0,95% na semana.
Para entender melhor o que está acontecendo com os ativos nesta sexta-feira, é melhor separar os movimentos em etapas. Comecemos, então, pelo otimismo do início do dia.
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Desde a noite passada, diversos relatos na imprensa internacional apontavam para a iminência da assinatura da primeira fase do acordo comercial entre Estados Unidos e China — ambos os governos teriam chegado a um terreno comum, faltando apenas a formalização dos termos.
Para completar o quadro de euforia, o partido conservador venceu as eleições gerais no Reino Unido, ampliando os poderes do atual primeiro-ministro, Boris Johnson — o que, consequentemente, eleva as chances de uma conclusão mais rápida no Brexit.
Assim, o Ibovespa abriu o dia no campo positivo e renovou as máximas intradiárias, aproximando-se dos 113 mil pontos. Nos Estados Unidos, os futuros das bolsas americanas também operavam em alta, indicando uma sessão tranquila no exterior.
Mas, aí...
...aí o presidente americano, Donald Trump, foi ao Twitter para colocar água no chope dos mercados: numa curta mensagem, ele negou que as negociações entre as potências estivessem em vias de conclusão:
"A matéria do Wall Street Journal sobre o acordo com a China está completamente errada, especialmente as afirmações em relação às tarifas", escreveu Trump, classificando o texto como "fake news".
A declaração do presidente americano esfriou o ânimo dos mercados, jogando o Ibovespa e as bolsas americanas ao campo negativo, além de fazer o dólar à vista virar para alta.
Então, chegamos ao terceiro ato do filme:
Pouco tempo depois, o governo chinês confirmou publicamente o fechamento da primeira fase de um acordo comercial com os EUA, afirmando que as tarifas que o governo americano começaria a impor sobre as importações do país a partir de domingo (15) estavam suspensas.
A notícia deu mais uma injeção de ânimo nos mercados, que voltaram a subir — o Ibovespa tocou os 112.829,31 pontos (+0,56%), uma nova máxima intradiária. As bolsas americanas também retornaram ao campo positivo.
E, desta vez, Trump não negou o noticiário: também via Twitter, o presidente americano confirmou o fechamento da primeira fase do acordo:
"Chegamos à primeira fase de um acordo muito grande com a China. Eles concordaram com muitas mudanças estruturais e enormes compras de produtos agrícolas, manufaturas, energia e muito mais", escreveu Trump, também confirmando que as novas tarifas do dia 15 serão suspensas.
O desfecho da história, contudo, não foi capaz de sustentar o Ibovespa e as bolsas americanas nas máximas, uma vez que ainda não há detalhes mais concretos quanto ao teor do acordo.
A suspensão das tarifas de domingo foi comemorada pelos mercados, uma vez que essa nova rodada de sobretaxas afetaria produtos populares, como smartphones e laptops. No entanto, a falta de maiores informações trouxe um certo vazio ao anúncio.
Em resumo: depois de muitas idas e vindas, o desfecho da história soou como um anticlímax. E, assim, o Ibovespa e as bolsas americanas sofrem para se sustentar em alta.
Uma boa parcela da cautela vista no Ibovespa se deve ao desempenho negativo das ações da Petrobras: as ONs (PETR3) caem 4,78% e as PNs (PETR4) recuam 3,33%, pressionando o índice como um todo.
As baixas nos papéis se devem à notícia de que o BNDES pretende vender sua fatia na estatal — 10% das ONs — via follow-on. Assim, com um grande lote de ações prestes a chegar ao mercado, o preço dos ativos cai, ajustando-se à maior oferta.
No campo oposto, as ações ON da Via Varejo (VVAR3) sobem 5,90% e lideram as altas do índice, apesar da revelação de uma fraude contábil que provocará um impacto bilionário nos resultados da empresa no quarto trimestre — o mercado permanece dando um voto de confiança à nova gestão da companhia, que agora é comandada pela família Klein.
Veja quais são os cinco papéis de melhor desempenho do Ibovespa nesta sexta-feira:
Saiba também quais são as maiores baixas do índice no momento:
As curvas de juros apenas flutuaram ao redor da estabilidade nesta sexta-feira, descolando do tom mais pressionado visto no dólar à vista. Veja abaixo como ficaram os principais DIs hoje:
PEDIDO ENTREGUE
TEMPORADA DE BALANÇOS
DISPUTA PELO CAPITAL GLOBAL
MEXENDO NO PORTFÓLIO
CASTIGO DO MONSTRO
SURPRESA NEGATIVA
MERCADOS
TEMPORADA DE BALANÇOS
ALÍVIO PASSAGEIRO?
TEMPORADA DE BALANÇOS
EM EXPANSÃO
REABERTURA DE JANELA?
TEMPORADA DE BALANÇOS
CARTEIRA RECOMENDADA
BANCANDO O PREÇO DE CRESCER
DECEPCIONOU?
RESULTADOS TRIMESTRAIS
ENGORDANDO A CARTEIRA
CLIMA BAIXO ASTRAL
FIM DA SECA DE IPOS