Brasil a preço de banana: como a matemática da bolsa mais barata da América Latina joga a favor do seu bolso
Na visão do Goldman Sachs, os fundamentos das empresas brasileiras mostram que a bolsa não perdeu o brilho — apenas ficou mais barata para quem tem coragem

O ano de 2026 começou parecendo um sonho para o investidor brasileiro. Janeiro trouxe recordes consecutivos para a bolsa, e a tão sonhada marca dos 200 mil pontos do Ibovespa parecia logo ali na esquina. Mas a guerra entre EUA e Israel contra o Irã, os juros mais altos por mais tempo no mundo e a proximidade das eleições por aqui mudaram as peças do tabuleiro.
O impacto foi sentido no bolso: o principal índice da bolsa brasileira, que chegou a acumular ganhos que passavam dos 20% nos primeiros meses de 2026, viu essa gordura queimar. Em junho, o Ibovespa registrou uma queda de 1,01%, fechando o primeiro semestre com uma alta mais modesta, de 6,76%.
Se você, investidor pessoa física, está se perguntando se é hora de correr para as colinas, o Goldman Sachs traz um banho de realidade (e de otimismo): o Brasil ainda vale a pena.
O queridinho da América Latina
Para o banco norte-americano, não há dúvidas: o Brasil continua sendo o mercado de ações preferido na América Latina.
O Goldman manteve a recomendação overweight, equivalente a compra, para o país dentro do portfólio de mercados emergentes.
Desde abril, o mercado passou por uma forte realização de lucros. Três fatores pesaram para isso, segundo o banco:
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- Juros mais altos por mais tempo: antes da guerra, o mercado de renda fixa previa um corte de cerca de 300 pontos-base na Selic, atualmente em 14,25% ao ano. Agora, o cenário precifica quase nenhuma redução em 12 meses.
- Ruído político: a proximidade das eleições de outubro trouxe a tradicional cautela.
- Petróleo em baixa: o recuo nos preços da commodity, que saiu de perto de US$ 120 no pico da guerra para US$ 70 agora, esvaziou o fluxo para as ações de energia.
Ainda assim, para o Goldman, a tempestade recente abriu uma janela de oportunidade no mercado brasileiro.
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Bolsa a preço de banana: a matemática a favor do investidor
Apesar desse combo de incertezas, os analistas Sunil Koul, Kamakshya Trivedi, Timothy Moe, Tarun Lalwani e Mambuna Njie apontam que o Brasil ficou barato demais para ser ignorado.
Atualmente, as ações brasileiras estão sendo negociadas a um múltiplo preço/lucro (P/L) de apenas 8 vezes.
Segundo o Goldman, esse patamar está muito descontado em relação às taxas de juros de longo prazo e quando comparado a ciclos anteriores de afrouxamento monetário.
"Embora a volatilidade do mercado possa aumentar no segundo semestre com a proximidade das eleições, qualquer alívio na reprecificação hawkish [dura] das taxas de juros, devido aos preços de energia [menores], deve ser positivo para as ações domésticas sensíveis a juros", diz a equipe do banco.
Vale lembrar que essas ações focadas no mercado interno estão em queda no ano e custando 20% menos do que antes do início do conflito.
O mapa da mina: onde colocar o dinheiro agora
Para o curto prazo, o Goldman desenhou o mapa da mina para o investidor pessoa física. A estratégia recomendada é focar em ações cíclicas domésticas de alta qualidade.
Segundo o banco é hora de esquecer a tese macroeconômica barulhenta e olhar para o fundamento de empresas que estão com preços descontados, independentemente de quem vença as eleições em outubro.
As apostas do banco estão concentradas em: bancos defensivos; utilities (saneamento e energia elétrica); telecomunicações; setor imobiliário focado em baixa renda e varejistas selecionadas que estão com preços severamente descontados.
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