Tesouro Direto amarga perdas que chegam a 8% no mês; Ibovespa anda de lado e um queridinho do investidor fica com os ganhos de junho
A comunicação sobre política monetária tanto no Brasil e como nos EUA mexeu com todos os preços — dos títulos públicos, às ações e ao câmbio

O tema de junho foi juros. Do Brasil ao Japão, a política monetária dos países mexeu com as expectativas dos principais indicadores ao redor do mundo. Agentes financeiros se viram recalculando as projeções para as taxas básicas e para a inflação de seus países e dos pares globais.
O resultado foi uma volatilidade intensa nos ativos financeiros de diferentes naturezas: Tesouro Direto (títulos públicos), Ibovespa (ações), taxa de câmbio, ouro e afins. Por fim, as rentabilidades tiveram mais um mês de verniz fosco.
O dólar PTAX, calculado diariamente pelo Banco Central, registrou a melhor performance dentre os ativos acompanhados pelo Seu Dinheiro, com valorização de 3,78%. A moeda norte-americana fechou o mês negociada a R$ 5,1630, acima dos R$ 5,029 do mês anterior.
- ENTENDA MAIS AQUI: Selic cai para 14,25% ao ano, mas Copom endurece comunicado e deixa em aberto novos cortes nos juros
O feito é similar ao do mês anterior, quando somente a taxa de câmbio superou os ganhos dos papéis que acompanham a taxa de juros: Tesouro Selic, CDI e Poupança.
As ações e as debêntures — títulos de renda fixa emitidos por empresas — também conseguiram fechar no azul, mas por muito pouco, com menos de 1% de ganho no mês.
O golpe no Tesouro Direto
Tirando o Tesouro Selic, os demais papéis do Tesouro Direto registraram marcação de preço negativa neste mês. O vaivém nas projeções dos agentes financeiros para a Selic na curva de juros machucou bastante os preços dos títulos públicos.
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Essa volatilidade já vinha acontecendo, mas piorou após o Copom de junho. Os agentes financeiros acharam a decisão do comitê de política monetária do Banco Central confusa e muito branda em relação ao cenário de risco para a inflação no Brasil.
A percepção se agravou diante do tom duro do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) com a inflação nos EUA: o mercado espera a retomada do aperto monetário por lá ainda em 2026.
Toda essa leitura aumentou a incerteza em relação à inflação e aos juros do Brasil no futuro — isso em um cenário externo mais difícil.
Acontece que os prêmios pagos pelos títulos públicos dependem diretamente dessas estimativas do mercado para os indicadores econômicos no vencimento do papel. Quando os agentes financeiros aumentam suas projeções e cobram taxas maiores do governo por ver mais risco, os papéis do Tesouro Direto acompanham.
E quando as taxas sobem pela leitura de risco, o preço cai. O resultado é uma rentabilidade negativa com os preços dos títulos públicos no mês — e o ranking do Seu Dinheiro acompanha o retorno com a variação de preços dos títulos de renda fixa.
Tesouro IPCA+ e prefixado no vermelho
Em junho, o Tesouro IPCA+ 2050 chegou a marcar 8% de queda no preço, quase na lanterna do ranking. O Tesouro IPCA+ 2040 também teve um retorno bastante negativo, de -4,8%.
Ambos os títulos viraram para uma performance negativa no acumulado do ano. Até maio, eles ainda registravam algum ganho.
O Tesouro Prefixado 2029 foi o que caiu menos, com retorno de -0,02%, andando de lado. O prefixado de 2037, com juros semestrais, recuou 0,79%, também entre os desempenhos “menos piores” de junho.
- Aqui vale o lembrete: todas essas oscilações acontecem na marcação de preço e taxa dos títulos públicos. Para o investidor que levar os papéis até o vencimento, a taxa contratada na compra será paga integralmente.
Confira o ranking de investimentos em junho
| Investimento | Rentabilidade no mês | Rentabilidade no ano |
|---|---|---|
| Dólar PTAX | 3,78% | -5,91% |
| Dólar à vista | 2,38% | -5,94% |
| CDI* | 1,07% | 6,79% |
| Tesouro Selic 2031 | 1,04% | 6,98% |
| Poupança** | 0,67% | 4,06% |
| IDA - Geral* | 0,50% | 4,29% |
| Tesouro Prefixado 2029 | -0,02% | 3,75% |
| Tesouro Prefixado c/ JS 2037*** | -0,79% | - |
| Ibovespa | -1,01% | 6,77% |
| Tesouro Prefixado 2032 | -1,20% | 2,39% |
| IFIX | -1,21% | 1,47% |
| Tesouro IPCA+ 2032*** | -2,31% | - |
| Tesouro IPCA+ c/ JS 2037*** | -2,38% | - |
| Tesouro IPCA+ c/ JS 2045 | -2,91% | 1,06% |
| Tesouro IPCA+ c/ JS 2060 | -3,60% | 1,18% |
| Tesouro IPCA+ 2040 | -4,82% | -1,55% |
| Tesouro IPCA+ 2050 | -8,01% | -2,82% |
| Ouro (GOLD11) | -9,42% | -13,04% |
| Bitcoin | -18,90% | -37,18% |
(**) Poupança com aniversário no dia 28.
(***) Títulos públicos começaram a negociar em fevereiro de 2026 e não tem histórico de um ano.
Todos os desempenhos estão cotados em real. A rentabilidade dos títulos públicos considera o preço de compra na manhã da data inicial e o preço de venda na manhã da data final, conforme cálculo do Tesouro Direto.
Fontes: Banco Central, Anbima, Tesouro Direto, Broadcast e Coinbase Inc..
Dólar sobe e Ibovespa desce
A alta do dólar e a queda do Ibovespa em junho também aconteceram em resposta às mudanças no cenário de política monetária.
A possibilidade de aumento de juros nos Estados Unidos fez a atratividade do dólar aumentar e puxou muito capital para as bolsas norte-americanas. Isso intensificou a saída de estrangeiros do Ibovespa e pressionou a relação dólar-real no balanço do câmbio.
Em outras palavras: as ações brasileiras perderam espaço e o real perdeu valor em relação ao dólar.
Mas o saldo não foi tão negativo para a bolsa brasileira. Nesta sexta-feira (29), o Ibovespa fechou com queda de 0,68%, aos 172.024,12 pontos. No mês, a queda foi de 1%.
Para além do foco nos juros — do Brasil e dos EUA —, outros assuntos também mexeram com as ações, como o volátil cessar-fogo da guerra entre os Estados Unidos e o Irã. Ao longo de junho, ambos os países fizeram esforços para resolver o conflito e reabrir o Estreito de Ormuz.
O preço do petróleo caiu e se acomodou na faixa dos US$ 70, melhorando o cenário para alguns setores relacionados a consumo e commodities.
Eleições e El Niño também estão no radar dos investidores, mas fazendo preço mais pontualmente, conforme algum dado ou projeção ganha mais destaque no noticiário.
Por fim, o dólar à vista subiu 2,38% em junho, mas ainda registra 5,94% de saldo negativo no ano. O índice DXY, que compara o dólar com uma cesta de moedas fortes, também registrou alta mensal, de 2,23%, refletindo a precificação de juros mais altos nos EUA até o final do ano.
Maiores altas do Ibovespa em junho
| Ticker | Empresa | Retorno no mês | Retorno no ano |
|---|---|---|---|
| CSMG3 | Copasa | 14,35% | 38,24% |
| MBRF3 | Marfrig | 12,49% | -9,86% |
| EMBJ3 | Embraer | 11,81% | -7,38% |
| CXSE3 | Caixa Seguridade | 11,58% | 23,73% |
| CURY3 | Cury | 10,49% | 13,54% |
Maiores quedas do Ibovespa em junho
| Ticker | Empresa | Retorno no mês | Retorno no ano |
|---|---|---|---|
| BRKM5 | Braskem | -39,29% | -19,52% |
| CSNA3 | CSN | -31,00% | -48,21% |
| USIM5 | Usiminas | -23,74% | 42,02% |
| MGLU3 | Magazine Luiza | -22,24% | -47,52% |
| SLCE3 | SLC Agrícola | -16,52% | -9,32% |
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