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BALANÇO DO MÊS

Tesouro Direto amarga perdas que chegam a 8% no mês; Ibovespa anda de lado e um queridinho do investidor fica com os ganhos de junho

A comunicação sobre política monetária tanto no Brasil e como nos EUA mexeu com todos os preços — dos títulos públicos, às ações e ao câmbio

Real desvalorizado Nota de 100 reais e seta vermelha
Enquanto o Tesouro Direto é penalizado, o dólar vai ganhando mais espaço frente ao real. Imagem: Imagem: Canvas / Montagem: Isabelle Santos

O tema de junho foi juros. Do Brasil ao Japão, a política monetária dos países mexeu com as expectativas dos principais indicadores ao redor do mundo. Agentes financeiros se viram recalculando as projeções para as taxas básicas e para a inflação de seus países e dos pares globais.

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O resultado foi uma volatilidade intensa nos ativos financeiros de diferentes naturezas: Tesouro Direto (títulos públicos), Ibovespa (ações), taxa de câmbio, ouro e afins. Por fim, as rentabilidades tiveram mais um mês de verniz fosco.

O dólar PTAX, calculado diariamente pelo Banco Central, registrou a melhor performance dentre os ativos acompanhados pelo Seu Dinheiro, com valorização de 3,78%. A moeda norte-americana fechou o mês negociada a R$ 5,1630, acima dos R$ 5,029 do mês anterior.

O feito é similar ao do mês anterior, quando somente a taxa de câmbio superou os ganhos dos papéis que acompanham a taxa de juros: Tesouro Selic, CDI e Poupança.

As ações e as debêntures — títulos de renda fixa emitidos por empresas — também conseguiram fechar no azul, mas por muito pouco, com menos de 1% de ganho no mês.

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O golpe no Tesouro Direto

Tirando o Tesouro Selic, os demais papéis do Tesouro Direto registraram marcação de preço negativa neste mês. O vaivém nas projeções dos agentes financeiros para a Selic na curva de juros machucou bastante os preços dos títulos públicos.

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Essa volatilidade já vinha acontecendo, mas piorou após o Copom de junho. Os agentes financeiros acharam a decisão do comitê de política monetária do Banco Central confusa e muito branda em relação ao cenário de risco para a inflação no Brasil.

A percepção se agravou diante do tom duro do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) com a inflação nos EUA: o mercado espera a retomada do aperto monetário por lá ainda em 2026.

Toda essa leitura aumentou a incerteza em relação à inflação e aos juros do Brasil no futuro — isso em um cenário externo mais difícil.

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Acontece que os prêmios pagos pelos títulos públicos dependem diretamente dessas estimativas do mercado para os indicadores econômicos no vencimento do papel. Quando os agentes financeiros aumentam suas projeções e cobram taxas maiores do governo por ver mais risco, os papéis do Tesouro Direto acompanham.

E quando as taxas sobem pela leitura de risco, o preço cai. O resultado é uma rentabilidade negativa com os preços dos títulos públicos no mês — e o ranking do Seu Dinheiro acompanha o retorno com a variação de preços dos títulos de renda fixa.

Tesouro IPCA+ e prefixado no vermelho

Em junho, o Tesouro IPCA+ 2050 chegou a marcar 8% de queda no preço, quase na lanterna do ranking. O Tesouro IPCA+ 2040 também teve um retorno bastante negativo, de –4,8%.

Ambos os títulos viraram para uma performance negativa no acumulado do ano. Até maio, eles ainda registravam algum ganho.

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O saldo do Tesouro Prefixado 2029 foi o que caiu menos, com retorno de –0,02%, andando de lado. O prefixado de 2037, com juros semestrais, recuou 0,79%, também entre os desempenhos “menos piores” de junho.

Confira o ranking de investimentos em junho

Investimento Rentabilidade no mês Rentabilidade no ano 
Dólar PTAX 3,78% -5,91% 
Dólar à vista 2,38% -5,94% 
CDI* 1,07% 6,79% 
Tesouro Selic 2031 1,04% 6,98% 
Poupança** 0,67% 4,06% 
IDA - Geral* 0,50% 4,29% 
Tesouro Prefixado 2029 -0,02% 3,75% 
Tesouro Prefixado c/ JS 2037*** -0,79% 
Ibovespa -1,01% 6,77% 
Tesouro Prefixado 2032 -1,20% 2,39% 
IFIX -1,21% 1,47% 
Tesouro IPCA+ 2032*** -2,31% 
Tesouro IPCA+ c/ JS 2037*** -2,38% 
Tesouro IPCA+ c/ JS 2045 -2,91% 1,06% 
Tesouro IPCA+ c/ JS 2060 -3,60% 1,18% 
Tesouro IPCA+ 2040 -4,82% -1,55% 
Tesouro IPCA+ 2050 -8,01% -2,82% 
Ouro (GOLD11) -9,42% -13,04% 
Bitcoin -18,90% -37,18% 
(*) Até dia 29/06.
(**) Poupança com aniversário no dia 28.

(***) Títulos públicos começaram a negociar em fevereiro de 2026 e não tem histórico de um ano.
Todos os desempenhos estão cotados em real. A rentabilidade dos títulos públicos considera o preço de compra na manhã da data inicial e o preço de venda na manhã da data final, conforme cálculo do Tesouro Direto.
Fontes: Banco Central, Anbima, Tesouro Direto, Broadcast e Coinbase Inc..

Dólar sobe e Ibovespa desce

A alta do dólar e a queda do Ibovespa em junho também aconteceram em resposta às mudanças no cenário de política monetária.

A possibilidade de aumento de juros nos Estados Unidos fez a atratividade do dólar aumentar e puxou muito capital para as bolsas norte-americanas. Isso intensificou a saída de estrangeiros do Ibovespa e pressionou a relação dólar-real no balanço do câmbio.

Em outras palavras: as ações brasileiras perderam espaço e o real perdeu valor em relação ao dólar.

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Mas o saldo não foi tão negativo para a bolsa brasileira. Nesta sexta-feira (29), o Ibovespa fechou com queda de 0,68%, aos 172.024,12 pontos. No mês, a queda foi de 1%.

Para além do foco nos juros — do Brasil e dos EUA —, outros assuntos também mexeram com as ações, como o volátil cessar-fogo da guerra entre os Estados Unidos e o Irã. Ao longo de junho, ambos os países fizeram esforços para resolver o conflito e reabrir o Estreito de Ormuz.

O preço do petróleo caiu e se acomodou na faixa dos US$ 70, melhorando o cenário para alguns setores relacionados a consumo e commodities.

Eleições e El Niño também estão no radar dos investidores, mas fazendo preços mais pontualmente, conforme algum dado ou projeção ganha mais destaque no noticiário.

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Por fim, o dólar à vista subiu 2,38% em junho, mas ainda registra 5,94% de saldo negativo no ano. O índice DXY, com compara o dólar com uma cesta de moedas fortes, também registrou alta mensal, de 2,23%, refletindo a precificação de juros mais altos nos EUA até o final do ano.

Maiores altas do Ibovespa em junho 

Ticker   Empresa  Retorno no mês  Retorno no ano  
CSMG3 Copasa 14,35% 38,24% 
MBRF3 Marfrig 12,49% -9,86% 
EMBJ3 Embraer 11,81% -7,38% 
CXSE3 Caixa Seguridade 11,58% 23,73% 
CURY3 Cury 10,49% 13,54% 
Fonte: Broadcast 

Maiores quedas do Ibovespa em junho 

Ticker   Empresa  Retorno no mês  Retorno no ano  
BRKM5 Braskem -39,29% -19,52% 
CSNA3 CSN -31,00% -48,21% 
USIM5 Usiminas  -23,74% 42,02% 
MGLU3 Magazine Luiza -22,24% -47,52% 
SLCE3 SLC Agrícola  -16,52% -9,32% 
Fonte: Broadcast
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