O maior IPO da história: a Saudi Aramco vai levantar US$ 25,6 bilhões com sua abertura de capital
A petroleira Saudi Aramco, considerada uma das companhias mais rentáveis do mundo, divulgou há pouco os detalhes finais de sua oferta pública inicial de ações. E, pelos números reportados pela estatal saudita, não estamos falando de um IPO qualquer: trata-se da maior operação do tipo já feita na história.
As ações da Aramco foram precificadas no topo da faixa indicativa, a 32 riyals — quantia equivalente a US$ 8,53, pela cotação atual. Assim, considerando os três bilhões de papéis que serão vendidos (1,5% do capital social da empresa), o IPO irá movimentar US$ 25,6 bilhões.
Desta maneira, a Saudi Aramco deixará a Alibaba para trás — em 2014, a companhia chinesa levantou US$ 25 bilhões com seu IPO nos Estados Unidos, cifra que permanecia até agora como recorde para um processo de abertura de capital.
O total a ser movimentado pelo IPO da Aramco pode ser ainda maior, caso o lote adicional de ações também seja vendido. Esse bloco extra possui até 450 mil papéis que, caso vendidos em sua integridade, fariam a operação girar US$ 29,4 bilhões.
O preço de 32 riyals por ação faz com que a Saudi Aramco tenha um valor de mercado de cerca de US$ 1,7 trilhão — montante inferior aos US$ 2 trilhões que eram perseguidos pelo príncipe saudita, Mohammed bin Salman, no início do processo.
No entanto, a cifra é mais que suficiente para catapultar a estatal ao posto de empresa mais valiosa do mundo, atualmente pertencente à Apple, com seu US$ 1,2 trilhão de valor de mercado.
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O IPO da Saudi Aramco será realizado na Tadawul, a bolsa de valores da Arábia Saudita — a ideia do governo é atrair investidores estrangeiros para o mercado acionário do país. Ainda não há uma data definida para o início da negociação dos papéis da estatal
A Saudi Aramco em números
A petroleira saudita reportou um impressionante lucro líquido de US$ 68,2 bilhões nos primeiros nove meses de 2019. A cifra, contudo, é 18,2% menor que os ganhos de US$ 83,3 bilhões contabilizados no mesmo intervalo de 2018.
Essa queda se deve, em grande parte, aos ataques aéreos às refinarias de Abqaiq e Khurais, duas das principais plantas da Saudi Aramco, em setembro deste ano. Formalmente, as ações foram reivindicadas por grupos rebeldes do Iêmen, mas tanto os governos saudita e americano acusaram o Irã de estar por trás do ocorrido.
Mas, independente de quem seja o autor, fato é que os ataques paralisaram grande parte da produção de petróleo da empresa naquele mês, trazendo perdas financeiras e colocando mais um fator de risco na mente dos potenciais investidores do IPO.
Voltando aos resultados financeiros, a Saudi Aramco obteve uma receita líquida de US$ 217,1 bilhões entre janeiro e setembro, o que implica numa margem líquida de mais de 30%. A receita, no entanto, encolheu 6,9% em comparação com os primeiros nove meses de 2018, quando a linha chegou a US$ 233,3 bilhões.
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