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Victor Aguiar

Victor Aguiar

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.

Uma gigante chega ao mercado

A Saudi Aramco quer levantar até U$ 25,5 bi com seu IPO e quebrar o recorde da Alibaba

Considerada uma das empresas mais rentáveis do mundo, a petroleira Saudi Aramco divulgou a faixa de preço e a quantia de ações a serem emitidas em seu IPO

Victor Aguiar
Victor Aguiar
17 de novembro de 2019
9:22 - atualizado às 10:49
Instalações da Saudi Aramco
Instalações da Saudi Aramco. - Imagem: Facebook / Aramco

A petroleira Saudi Aramco confirmou, no início deste mês, que pretendia abrir seu capital — um movimento que já era aguardado há anos pelo mercado, dada a alta rentabilidade da companhia estatal saudita. E, neste domingo (17), a empresa divulgou mais informações sobre o seu IPO, jogando luz sobe os planos ambiciosos do governo do país.

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O processo será feito na Tadawul, a bolsa de valores da Arábia Saudita — a ideia é atrair investidores estrangeiros para o mercado acionário do país. A Saudi Aramco colocará à venda três bilhões de ações, num intervalo de preço que vai de 30 a 32 riyals sauditas — algo entre US$ 8,00 e US$ 8,50, pela cotação atual.

Assim, caso o IPO da Saudi Aramco saia no teto da faixa indicativa, a operação irá movimentar US$ 25,5 bilhões, o que representaria um novo recorde para um processo de abertura de capital no mundo todo. Atualmente, esse título pertence à chinesa Alibaba, que, em 2014, levantou US$ 25 bilhões com seu IPO nos Estados Unidos.

Vale ressaltar que o governo do país está colocando à venda apenas 1,5% do capital social da Saudi Aramco. Assim, caso o IPO seja precificado a 32 riyals (US$ 8,50), a petroleira será avaliada em cerca de US$ 1,7 trilhão — montante inferior ao que era perseguido pelo príncipe saudita, Mohammed bin Salman, de US$ 2 bilhões.

No cenário em que o IPO saia no meio da faixa indicativa de preço (31 riyals, ou US$ 8,25), a operação irá movimentar cerca de US$ 25 bilhões, empatando com a Alibaba — nessa hipótese, a Saudi Aramco teria valor de mercado de US$ 1,65 trilhão.

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O preço de emissão das ações deve ser conhecido no início de dezembro — o processo de coleta de intenções dos investidores termina no dia 4 do próximo mês.

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A Saudi Aramco em números

A petroleira saudita reportou um impressionante lucro líquido de US$ 68,2 bilhões nos primeiros nove meses de 2019. A cifra, contudo, é 18,2% menor que os ganhos de US$ 83,3 bilhões contabilizados no mesmo intervalo de 2018.

Essa queda se deve, em grande parte, aos ataques aéreos às refinarias de Abqaiq e Khurais, duas das principais plantas da Saudi Aramco, em setembro deste ano. Formalmente, as ações foram reivindicadas por grupos rebeldes do Iêmen, mas tanto os governos saudita e americano acusaram o Irã de estar por trás do ocorrido.

Mas, independente de quem seja o autor, fato é que os ataques paralisaram grande parte da produção de petróleo da empresa naquele mês, trazendo perdas financeiras e colocando mais um fator de risco na mente dos potenciais investidores do IPO.

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Voltando aos resultados financeiros, a Saudi Aramco obteve uma receita líquida de US$ 217,1 bilhões entre janeiro e setembro, o que implica numa margem líquida de mais de 30%. A receita, no entanto, encolheu 6,9% em comparação com os primeiros nove meses de 2018, quando a linha chegou a US$ 233,3 bilhões.

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