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O possível fechamento de um acordo para que os EUA posterguem a aplicação de novas sobretaxas sobre produtos chineses dá ânimo às bolsas globais e faz o Ibovespa se afastar das mínimas
Desde o início da sessão desta terça-feira (10), o Ibovespa tem andado em linha com os demais mercados do mundo. Logo após a abertura, o índice brasileiro recuava, acompanhando as bolsas globais. Minutos depois, a bolsa local ganhou força e afastou-se das mínimas, num movimento também em paralelo com o exterior.
Mas esse impulso teve fôlego curto: já no início de tarde, o Ibovespa voltou a aparecer no campo negativo, de onde não saiu mais. E esse vaivém se deve ao noticiário referente à guerra comercial entre EUA e China.
As negociações entre americanos e chineses têm sido o principal fator de influência para os mercados nos últimos dias. Em linhas gerais, os agentes financeiros mostram-se otimistas quanto ao desfecho das conversas, apostando num consenso que viabilize a postergação de uma nova rodada de tarifas de importação a serem aplicadas por Washington.
Esse otimismo foi responsável pelo rali da semana passada nas bolsas globais — e que levou o Ibovespa às máximas. No entanto, a falta de avanços concretos no diálogo entre as potências começa a trazer algum desconforto aos investidores: a data-limite para a aplicação das sobretaxas é o próximo domingo, dia 15.
E é aí que chegamos à sessão de hoje. No início do dia, o panorama seguia o mesmo, com os mercados otimistas, mas apreensivos em relação ao impasse comercial — o que colocava as bolsas no campo negativo.
Mas, ainda durante a manhã, relatos de que americanos e chineses estariam próximos de um consenso para adiar a implantação de tarifas adicionais dos EUA sobre as importações do país asiático deram força aos mercados: os futuros de Nova York viraram ao campo positivo, levando o Ibovespa de carona.
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Só que, por mais que os relatos da imprensa internacional sejam animadores, fontes oficiais ainda não confirmam um avanço significativo nas conversas. Pelo contrário: o diretor do Conselho Econômico dos Estados Unidos, Larry Kudlow, disse que as tarifas do dia 15 "ainda estão na mesa". Assim, a cautela voltou a tomar conta dos agentes financeiros.
Em números: o Ibovespa chegou a cair 0,76% na mínima, aos 110.132,84 pontos, e a subir 0,19% na máxima, aos 111.184,37 pontos. Mas, por volta de 17h05, o índice recuava 0,47%, aos 110.459,16 pontos.
Nos Estados Unidos, as bolsas também são pressionadas pelo clima de cautela. No mesmo horário, o Dow Jones subia 0,01%, o S&P 500 recuava 0,01% e o Nasdaq avançava 0,06%.
Vale lembrar que o Ibovespa acumulou cinco altas consecutivas na semana passada, o que facilita eventuais movimentos de correção e realização de lucro. Assim, por mais que os mercados dos EUA mantenham-se relativamente estáveis, o índice brasileiro acaba assumindo uma postura mais defensiva.
E o mercado de câmbio? Bem, o dólar também passou por um certo alívio: logo depois da abertura, a moeda americana chegou a subir 0,54%, a R$ 4,1515. Mas, no fechamento, a divisa teve alta de 0,47%, a R$ 4,1488.
Lá fora, o dólar também perdeu parte da força exibida durante a manhã, embora tenha continuado avançando em relação a maior parte das divisas de países emergentes, como o peso mexicano, o rublo russo, o peso chileno e o rand sul-africano. O real, assim, acompanhou a tendência dos pares.
Além das idas e vindas da guerra comercial, os mercados seguem esperando as decisões de juros nos EUA e no Brasil, nesta quarta-feira (11). Em ambos os casos, o cenário-base é bastante nítido: estabilidade nas taxas americanas e corte de 0,5 ponto na Selic por aqui.
Assim, a expectativa recai sobre os comunicados oficiais dos bancos centrais dos dois países, apontando para os próximos passos.
Nesse contexto, as curvas de juros acompanharam o comportamento do dólar à vista e fecharam em alta, mas sem mostrar movimentações muito expressivas. Veja abaixo como ficaram os DIs nesta terça-feira:
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