Nova York volta de feriado, mas tensão continua
Expectativa é pelo encontro entre EUA e China, mas desconfiança é crescente e data não foi definida

O mercado financeiro volta a funcionar a pleno vapor nesta terça-feira, com o retorno do pregão em Nova York, após o feriado ontem nos Estados Unidos. Mas nem por isso os investidores deixam de lado a cautela, com a guerra comercial ainda tensionando os negócios. E a ausência de gatilhos internos deixam os ativos locais à mercê do exterior, com os investidores voltando a testar o Banco Central, aproximando o dólar de R$ 4,20.
A expectativa lá fora é por novidades sobre o encontro entre EUA e China previsto para este mês, em Washington. Mas autoridades dos dois países estariam relutando em acertar o cronograma para continuar com as negociações, após a nova rodada de tarifas entrar em vigor no domingo, mostrando que a tendência é de escalada do conflito - e não suavização.
O fato é que a desconfiança de ambos os lados é crescente. Por isso, uma data ainda não foi definida. Mas isso não significa, necessariamente, que a reunião para tratar de questões comerciais não irá acontecer. Ainda assim, os temas a serem tratados no encontro não foram definidos, nem mesmo os termos básicos para chegar a um acordo foi alcançado.
Em reação, os índices futuros das bolsas de Nova York voltam do feriado em queda firme, contaminando a abertura do pregão europeu, após uma sessão mista na Ásia. Wall Street reage não apenas à indefinição sobre a reunião, mas também às novas tarifas em curso, que colocam em risco o crescimento da economia global. Os investidores temem que a mais recente sobretaxa seja mais prejudicial aos EUA.
Ao mesmo tempo, esse temor fortalece a crença de que o Federal Reserve deve lançar estímulos adicionais, entregando uma nova queda na taxa de juros norte-americana neste mês. Mas o cenário sem novo cortes pode ser de grande frustração, já que um ciclo de afrouxamento monetário não parece ser algo que o Fed deseja.
Dólar é porto seguro
Esse acúmulo de incertezas atrapalha a intenção dos investidores de sustentar um rali entre os ativos de risco (bull market). E o que se vê é uma busca por proteção. O dólar é um porto seguro certo, sendo que a moeda norte-americana tira proveito da piora da situação do Brexit e da crise na Argentina, para se fortalecer ainda mais.
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Com isso, a libra esterlina caiu abaixo de US$ 1,20 nesta manhã, em meio a especulações de que o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, irá convocar eleições em 14 de outubro. A possibilidade de uma saída do Reino Unido da União Europeia (UE) sem acordo também pesa no euro, que já está abaixo de US$ 1,10. Essa força do dólar no mundo prejudica o petróleo.
Ontem, o dólar ficou levemente abaixo da máxima histórica de fechamento em relação ao real, e também fechou próximo ao patamar que marcou a primeira intervenção do BC no mercado à vista, vendendo dólares das reservas internacionais. A sensação é de que a autoridade monetária será pressionada para novos leilões desse tipo, sem a contraparte no mercado futuro.
Apesar da baixa liquidez na sessão de ontem por causa da ausência do investidor em Nova York, o desempenho do real chamou a atenção justamente pela diferença em relação às demais moedas emergentes. Assim, a percepção é de que o BC deve atuar apenas se o dólar subir de forma descorrelacionada de seus pares, em movimento acentuado e desproporcional, e não necessariamente se alcançar o nível de R$ 4,20.
Indústria em destaque
Depois de surpreender no segundo trimestre deste ano com um crescimento de 0,7%, em base trimestral, a produção industrial deve começar a segunda metade de 2019 ainda em território positivo. Os dados da indústria a serem conhecidos hoje (9h) devem reforçar a visão de que a atividade tende a impulsionar o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano.
A previsão é de alta de 0,5% em julho em relação a junho, interrompendo dois meses seguidos de queda, mas em relação ao mesmo mês do ano passado, a indústria deve ter recuado 1,0%. Os dados são o grande destaque da agenda doméstica do dia. No exterior, também serão conhecidos índices sobre a indústria nos EUA em agosto, às 10h45 e às 11h.
O calendário norte-americano traz também os gastos com a construção em julho e as vendas de veículos no país em agosto. Logo cedo, sai o índice de preços ao produtor (PPI) na zona do euro em julho e, no fim do dia, a China informa o índice Caixin sobre a atividade no setor de serviços no mês passado.
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