Por que a política tem tanta influência na bolsa brasileira?
Nas últimas semanas, canetadas presidenciais mexeram com o Ibovespa. Entenda por que quem investe em ações no Brasil tem que ficar mais de olho na política do que o normal
Quem investe na bolsa brasileira sabe que é bom manter sempre um olho na política de Brasília. Nas últimas semanas, por exemplo, os acionistas da Petrobras tiveram a sua parte na estatal diretamente afetada pelas canetadas presidenciais. Depois que Bolsonaro interveio na questão do reajuste dos preços do diesel, as ações despencaram e a companhia perdeu R$ 32 bilhões em valor de mercado em apenas um dia.
Tal tipo de acontecimento não é estrangeira aos investidores brasileiros. A política tem grande influência na nossa bolsa, e não apenas da maneira mais óbvia. No vídeo a seguir, eu explico por quê:
Veja o texto na íntegra do vídeo sobre por que a política afeta tanto a bolsa brasileira
Quem investe no mercado de ações brasileiro costuma estar sempre com um olho em Brasília. Os acontecimentos políticos têm muita influência na bolsa, pelo menos no curto prazo. Mas isso não acontece só pelas razões mais óbvias. Política e mercado de ações: e eu com isso?
A política talvez não seja o fator de maior peso no desempenho das empresas brasileiras e das ações negociadas em bolsa. Mas você já deve ter percebido que Brasília e alguns governos estaduais têm grande influência nos preços das ações e no desempenho do Ibovespa, ao menos no curto prazo.
Em época de eleição isso fica mais evidente. Os altos e baixos do mercado se tornam mais fortes às vésperas de um pleito presidencial, principalmente dos mais indefinidos, o que tende a aumentar a incerteza acerca do destino da economia.
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A política afeta a bolsa não só pelos motivos mais óbvios, como a tomada de decisões que afetam a economia e as empresas de um setor ou outro. No caso da bolsa brasileira, tem mais um fator: a presença de muitas estatais federais e estaduais, além de empresas altamente expostas ao cenário político.
Algumas delas, inclusive, têm grande peso no Ibovespa, como Petrobras e Banco do Brasil. Também é o caso dos grandes bancos privados, muito suscetíveis ao que acontece no mundo da política. A postura do governo federal tende a afetar o desempenho das ações dessas companhias e, consequentemente, do Ibovespa como um todo. O mesmo vale pras ações das estatais ligadas a governos estaduais.
Se desconsiderarmos outros fatores que mexem com os preços das ações, governos percebidos como mais intervencionistas e estatizantes tendem a pesar negativamente pras ações dessas empresas, enquanto que governos mais liberais e afeitos a privatizações tendem a beneficiá-las. Isso porque o mercado entende que em cenários de menor intervenção, essas empresas vão poder buscar o lucro com mais afinco.
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