Como o novo serviço da Apple pode impactar negativamente as receitas da companhia, na visão do Goldman Sachs
Para os analistas do banco, o motivo é que o preço médio de venda dos iPhones poderia diminuir, por conta da oferta de um ano grátis da Apple TV+ anunciada na última terça-feira (10)

Apesar de uma boa parte dos assinantes de streaming de vídeos ter gostado das novidades apresentadas pela Apple (código APPL), nem todo mundo ficou muito feliz com algumas notícias.
Na opinião dos analistas do banco Goldman Sachs, a opção de oferecer um ano grátis da Apple TV+ a quem comprar o iPhone pode custar caro para a companhia.
Em relatório divulgado hoje (13), os especialistas do banco optaram por abaixar o preço-alvo das ações em 26%, de US$ 187 para US$ 165. As informações são do site Business Insider.
Para os analistas do banco, o motivo é que o preço médio de venda dos iPhones poderia diminuir, por conta da oferta de um ano grátis da Apple TV+ anunciada nesta terça-feira (10). O serviço custaria US$ 4,99 por mês, ou seja, por volta de US$ 60 dólares por ano.
Por exemplo, como o preço de venda do iPhone 11 Pro é US$ 1,000, com o desconto do novo serviço da Apple de US$ 60, o preço para o consumidor seria em torno de US$ 943 e o pacote da Apple TV+ sairia por volta de US$ 56.
Impacto nas margens e receita
De acordo com os analistas, isso poderia impactar bastante as margens futuras do iPhone nos próximos trimestres. Isso ocorreria especialmente porque a queda nos preços do produto não seria acompanhada por uma diminuição nos custos de produção.
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Apesar de uma provável contribuição de 25% que os serviços de TV acrescentariam à margem bruta da empresa, os especialistas estimam que a queda na receita no segmento de produto deve resultar "num impacto negativo no resultado por ação de 16%". Isso durante o primeiro trimestre fiscal de 2020.
Ainda que o banco tenha mantido a recomendação neutra para os papéis da companhia, as ações foram impactadas durante o dia.
No fechamento do pregão de hoje (13) na Nasdaq, os papéis terminaram o dia com queda de 1,94%, em US$ 218,75.
Números da companhia
Mesmo depois de passar por tempos difíceis marcados pelo acirramento da guerra comercial entre Estados Unidos e China, os papéis da Apple (código AAPL) apresentam valorização de 39,70% no ano.
E, ao contrário do que apontavam as projeções para o balanço da Apple, a empresa capitaneada por Tim Cook reportou um conjunto de números relativamente sólido no segundo trimestre.
Na ocasião, a queda nas vendas de iPhones foi compensada por um aumento nas receitas geradas com iPads, iMacs e serviços, e as perdas na China não foram tão grandes quanto o imaginado.
A receita líquida da Apple chegou a US$ 53,8 bilhões no trimestre encerrado em junho, cifra 1% maior que a contabilizada no mesmo período de 2018, de US$ 53,3 bilhões. O resultado ficou ligeiramente acima da média das estimativas de analistas consultados pela Bloomberg, que apontava para receita de US$ 53,35 bilhões.
Por outro lado, o lucro líquido da empresa da maçã caiu 12,8% na mesma base de comparação, para US$ 10,04 bilhões. O lucro por ação, métrica que é acompanhada mais de perto pelos analistas lá de fora, ficou em US$ 2,18 — abaixo dos US$ 2,34 vistos há um ano.
Mas, apesar da queda na comparação anual, o lucro por ação ainda ficou acima das projeções dos analistas, que esperavam um ganho de US$ 2,10, também de acordo com a média calculada pela Bloomberg.
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