A Tecnisa se mexeu para sair do sufoco — e suas ações disparam 40% no mês
A construtora irá realizar uma oferta subsequente de ações e, com isso, reforçará seu caixa. Como resultado, os papéis ON da Tecnisa atingiram o maior nível de preço em mais de um ano

A Tecnisa passava por uma situação incômoda. Afinal, ao fim do primeiro trimestre desse ano, a construtora tinha apenas R$ 102 milhões em caixa — cifra inferior ao total de dívidas com vencimento até o fim de 2019, de R$ 113 milhões. E esse aperto, é claro, trazia pressão às ações da empresa.
Num ano que, em linhas gerais, tem sido bastante positivo para a bolsa brasileira, os papéis da empresa iam na contramão e acumulavam desempenho negativo até a semana passada, encontrando ampla dificuldade para romper a barreira de R$ 1,50. Esse quadro, no entanto, sofreu uma mudança radical.
Tudo isso porque a Tecnisa anunciou, na noite da última sexta-feira (5), um plano para reforçar o caixa da companhia e trazer alívio às suas métricas de endividamento. E, como resultado, os ativos da construtora dispararam nas últimas sessões, chegando às maiores cotações em mais de um ano.
[captacao]
As ações ON da Tecnisa (TCSA3) terminaram o pregão do dia 5 valendo R$ 1,37. Na última segunda-feira (8), contudo, os papéis dispararam 29,9% e chegaram a R$ 1,78 — e, nesta quarta-feira (10), subiram mais 5,06%, fechando o pregão a R$ 1,87. Com isso, já acumulam ganhos de mais de 40% somente em julho.
A cotação de hoje representa o maior nível de preço para os ativos da Tecnisa desde 28 de fevereiro de 2018, quando encerraram a R$ 1,88. Na máxima intradiária, as ações da construtora chegaram a avançar 17,98%, batendo a marca de R$ 2,10 — foi a primeira vez desde 19 de fevereiro do ano passado que os papéis romperam a marca de R$ 2,00.
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Toda essa maré de otimismo se deve ao anúncio de uma oferta subsequente de 300 milhões de ações ON — dependendo da demanda, essa quantidade poderá aumentar em até 35%, totalizando 405 milhões de papéis. O preço unitário por ativo ainda não foi definido.
Mas é claro que o mercado já começa a fazer contas — e os resultados são animadores. Considerando a cotação de fechamento das ações da Tecnisa no dia em que esse plano foi revelado, de R$ 1,37, a oferta poderá gerar uma quantia entre R$ 411 milhões e R$ 554 milhões à empresa, dependendo do número de papéis a serem emitidos.
Detalhes
A Tecnisa afirma que pretende usar metade dos recursos a serem obtidos com a operação para melhorar sua estrutura financeira, promovendo o pagamento de dívidas e reforçando seu capital de giro. A outra metade será destinada para "promover o crescimento de suas operações" — o que inclui a aquisição de novos terrenos para construção.
A oferta pública de ações será coordenada pelos bancos BTG Pactual, Santander Brasil, Itaú BBA e Caixa Econômica Federal. Os interessados têm até o dia 15 para demonstrarem interesse e fazerem seus pedidos de reserva, mas nem todo investidor poderá participar da operação neste momento.
Isso porque a emissão das novas ações será feita com esforços restritos, de acordo com a Instrução CVM 476. Essa norma estabelece que apenas um grupo de, no máximo, 50 investidores profissionais poderá subscrever ou comprar os novos ativos.
Apesar de a operação ser restrita, a possibilidade de fortalecimento do caixa da Tecnisa já é suficiente para provocar uma corrida aos papéis da empresa. A fixação do preço por ação — e, consequentemente, o montante total a ser levantado — ocorrerá no próximo dia 17.
Boas novas
Rafael Passos, analista da Guide Investimentos, avalia que o plano revelado pela empresa possui implicações bastante positivas, uma vez que a Tecnisa encontrava-se "extremamente alavancada" e sem caixa para abater as dívidas de curto prazo.
"Essa reação toda [das ações] é um exemplo clássico de otimismo dos mercados", diz Passos, destacando que, além do alívio no endividamento, a operação também trará fôlego à parte operacional da empresa ao permitir a aquisição de novos terrenos.
A agência de classificação de risco S&P Global também reagiu bem ao anúncio da oferta subsequente de ações, colocando os ratings em escala nacional da Tecnisa em observação com viés positivo — a construtora possui nota de emissor 'brA' e de emissão 'brA+'.
"Acreditamos que, se bem sucedido, o aumento de capital provavelmente levaria a uma melhora da qualidade de crédito da Tecnisa devido à possibilidade de expansão de seus negócios, com desenvolvimento de novos projetos e melhora de sua estrutura de capital e liquidez", escreve a S&P Global.
Corda no pescoço
Ao fim do primeiro trimestre de 2019, a Tecnisa possuía endividamento total de R$ 552,7 milhões, cifra 9,2% menor que a contabilizada no término de 2018, quando as dívidas da construtora somavam R$ 608,6 milhões.
No entanto, apesar dessa redução, o perfil de endividamento da empresa era motivo de preocupação, já que, desse montante, R$ 113 milhões irão vencer já neste ano — outros R$ 230 milhões possuem data limite em 2020.
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