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A construtora irá realizar uma oferta subsequente de ações e, com isso, reforçará seu caixa. Como resultado, os papéis ON da Tecnisa atingiram o maior nível de preço em mais de um ano
A Tecnisa passava por uma situação incômoda. Afinal, ao fim do primeiro trimestre desse ano, a construtora tinha apenas R$ 102 milhões em caixa — cifra inferior ao total de dívidas com vencimento até o fim de 2019, de R$ 113 milhões. E esse aperto, é claro, trazia pressão às ações da empresa.
Num ano que, em linhas gerais, tem sido bastante positivo para a bolsa brasileira, os papéis da empresa iam na contramão e acumulavam desempenho negativo até a semana passada, encontrando ampla dificuldade para romper a barreira de R$ 1,50. Esse quadro, no entanto, sofreu uma mudança radical.
Tudo isso porque a Tecnisa anunciou, na noite da última sexta-feira (5), um plano para reforçar o caixa da companhia e trazer alívio às suas métricas de endividamento. E, como resultado, os ativos da construtora dispararam nas últimas sessões, chegando às maiores cotações em mais de um ano.
As ações ON da Tecnisa (TCSA3) terminaram o pregão do dia 5 valendo R$ 1,37. Na última segunda-feira (8), contudo, os papéis dispararam 29,9% e chegaram a R$ 1,78 — e, nesta quarta-feira (10), subiram mais 5,06%, fechando o pregão a R$ 1,87. Com isso, já acumulam ganhos de mais de 40% somente em julho.
A cotação de hoje representa o maior nível de preço para os ativos da Tecnisa desde 28 de fevereiro de 2018, quando encerraram a R$ 1,88. Na máxima intradiária, as ações da construtora chegaram a avançar 17,98%, batendo a marca de R$ 2,10 — foi a primeira vez desde 19 de fevereiro do ano passado que os papéis romperam a marca de R$ 2,00.
Toda essa maré de otimismo se deve ao anúncio de uma oferta subsequente de 300 milhões de ações ON — dependendo da demanda, essa quantidade poderá aumentar em até 35%, totalizando 405 milhões de papéis. O preço unitário por ativo ainda não foi definido.
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Mas é claro que o mercado já começa a fazer contas — e os resultados são animadores. Considerando a cotação de fechamento das ações da Tecnisa no dia em que esse plano foi revelado, de R$ 1,37, a oferta poderá gerar uma quantia entre R$ 411 milhões e R$ 554 milhões à empresa, dependendo do número de papéis a serem emitidos.
A Tecnisa afirma que pretende usar metade dos recursos a serem obtidos com a operação para melhorar sua estrutura financeira, promovendo o pagamento de dívidas e reforçando seu capital de giro. A outra metade será destinada para "promover o crescimento de suas operações" — o que inclui a aquisição de novos terrenos para construção.
A oferta pública de ações será coordenada pelos bancos BTG Pactual, Santander Brasil, Itaú BBA e Caixa Econômica Federal. Os interessados têm até o dia 15 para demonstrarem interesse e fazerem seus pedidos de reserva, mas nem todo investidor poderá participar da operação neste momento.
Isso porque a emissão das novas ações será feita com esforços restritos, de acordo com a Instrução CVM 476. Essa norma estabelece que apenas um grupo de, no máximo, 50 investidores profissionais poderá subscrever ou comprar os novos ativos.
Apesar de a operação ser restrita, a possibilidade de fortalecimento do caixa da Tecnisa já é suficiente para provocar uma corrida aos papéis da empresa. A fixação do preço por ação — e, consequentemente, o montante total a ser levantado — ocorrerá no próximo dia 17.
Rafael Passos, analista da Guide Investimentos, avalia que o plano revelado pela empresa possui implicações bastante positivas, uma vez que a Tecnisa encontrava-se "extremamente alavancada" e sem caixa para abater as dívidas de curto prazo.
"Essa reação toda [das ações] é um exemplo clássico de otimismo dos mercados", diz Passos, destacando que, além do alívio no endividamento, a operação também trará fôlego à parte operacional da empresa ao permitir a aquisição de novos terrenos.
A agência de classificação de risco S&P Global também reagiu bem ao anúncio da oferta subsequente de ações, colocando os ratings em escala nacional da Tecnisa em observação com viés positivo — a construtora possui nota de emissor 'brA' e de emissão 'brA+'.
"Acreditamos que, se bem sucedido, o aumento de capital provavelmente levaria a uma melhora da qualidade de crédito da Tecnisa devido à possibilidade de expansão de seus negócios, com desenvolvimento de novos projetos e melhora de sua estrutura de capital e liquidez", escreve a S&P Global.
Ao fim do primeiro trimestre de 2019, a Tecnisa possuía endividamento total de R$ 552,7 milhões, cifra 9,2% menor que a contabilizada no término de 2018, quando as dívidas da construtora somavam R$ 608,6 milhões.
No entanto, apesar dessa redução, o perfil de endividamento da empresa era motivo de preocupação, já que, desse montante, R$ 113 milhões irão vencer já neste ano — outros R$ 230 milhões possuem data limite em 2020.
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