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Um dos nomes mais tradicionais da indústria de videogames, a Nintendo anunciou novidades durante a E3, importante evento do setor. Mas o mercado queria mais que um novo jogo da série Zelda
Videogames têm um alto valor nostálgico para mim. É um assunto que me transporta automaticamente para algum ponto do início dos anos 90, quando eu e meu irmão passávamos horas e horas na companhia do bom e velho Master System.
A indústria dos videogames mudou muito desde então. Não há mais cartuchos a serem assoprados, não existe mais a rivalidade entre Sonic e Mario e eu não tenho mais um vizinho para trocar fitas durante o fim de semana. Confesso que, no mundo ultramoderno dos games de hoje, eu me sinto meio perdido — ainda gosto de jogar uma coisa ou outra, mas é como se eu pertencesse a outra geração.
Então, é muito reconfortante para mim ver que a Nintendo, uma das gigantes da minha época de ouro de gamer, segue firme nesse ringue — outras potências do início dos anos 90, como Atari e Sega, estão muito distantes do auge. E, ontem, a empresa japonesa fez anúncios importantes para seu futuro.
A Nintendo é um dos destaques da edição de 2019 da Electronic Entertainment Expo (E3), principal evento global da indústria de videogames. E, ontem, anunciou novos jogos, com destaque para uma nova entrada na franquia The Legend of Zelda — ei, esse é da minha época!
Outros lançamentos também foram revelados ao público, quase todos para o Nintendo Switch, o console mais recente da empresa. E, a julgar pela reação nas redes sociais, as novidades foram muito bem recebidas.
Assim, tomado pela nostalgia e vendo o entusiasmo no Facebook e no Twitter, sentenciei em minha cabeça: "as ações da Nintendo vão reagir bem". Eu errei feio.
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Para a minha surpresa, os ativos da Nintendo tiveram uma sessão bastante negativa na bolsa de Tóquio, fechando o pregão desta quarta-feira (12) em baixa de 3,53%, a 37.980 ienes — o que representa uma perda de mais de US$ 1 bilhão em valor de mercado, considerando a cotação atual do dólar.
E não é que o mercado não gostou do que foi mostrado ao público na E3. A questão, aqui, foi o que deixou de ser anunciado — trazendo frustração aos agentes financeiros.
O principal ponto de decepção diz respeito ao jogo Animal Crossing: New Horizons, novo episódio de uma franquia particularmente popular no Japão. O game tinha previsão de lançamento para o segundo semestre deste ano, mas uma data definitiva não foi confirmada pela Nintendo. Pelo contrário: o título foi adiado para março de 2020.
Analistas apontavam o novo Animal Crossing como fundamental para impulsionar as vendas do Nintendo Switch neste ano — inicialmente, o jogo seria lançado antes do Natal, o que serviria para dar novo fôlego ao console.
Com esse atraso, o mercado adotou uma postura de ceticismo quanto ao cumprimento das projeções da Nintendo para 2019. A empresa japonesa estima que, neste ano fiscal — período que vai de abril até março de 2020 —, serão vendidas 18 milhões de unidades do Switch e outras 125 milhões de cópias de software para o console.
No período entre abril de 2018 e março deste ano, as vendas do Switch somaram pouco menos de 17 milhões de unidades no mundo todo. Os softwares — ou seja, jogos e outros dispositivos de mídia — totalizaram pouco menos de 118,5 milhões de cópias.
Outros pontos da apresentação da Nintendo na E3 também decepcionaram o mercado. A falta de maiores novidades em termos de hardware levantou algumas dúvidas, já que o Switch já foi lançado há mais de dois anos.
O atual carro chefe diferencia-se dos seus principais rivais na atual geração de videogames, como Playstation 4 (Sony) e Xbox One (Microsoft), por sua versatilidade — ele pode ser ligado numa TV ou funcionar como console portátil. Por outro lado, o Switch possui uma capacidade gráfica menos avançada que a dos concorrentes.
O fato de a Nintendo continuar sem mostrar maiores esforços no segmento de jogos para smartphones e tablets também não foi visto com bons olhos pelo mercado — esse filão possui uma base cada vez maior de usuários e é apontado por analistas como decisivo para o futuro da indústria de videogames.
Assim, ao se focar num modelo mais, digamos, tradicional na E3, a Nintendo deixou um gosto amargo na boca do mercado, que esperava que a gigante japonesa fosse além do arroz com feijão. Um novo jogo da série Zelda é ótimo e serve para agradar aos saudosistas, como eu, mas não é suficiente para garantir o bom desempenho das ações da empresa.
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