Os críticos não gostaram muito do novo Rei Leão. Mas, para os mercados, a Disney segue com cinco estrelas
Com O Rei Leão, a Disney emplacou um sexto sucesso de bilheteria somente em 2019, apesar das críticas mornas ao novo filme. E o mercado mostra-se cada vez mais confiante em relação à empresa

Os acionistas da Disney começaram a segunda-feira (22) cantarolando uma antiga canção:
Os seus problemas você deve esquecer!
Isso é viver, é aprender!
Hakuna Matata!
Afinal, a nova versão de O Rei Leão chegou a quase todos os cinemas do mundo neste fim de semana. E, apesar da recepção morna dos críticos, o filme foi um sucesso de bilheteria, arrecadando mais de US$ 500 milhões em termos globais — desse montante, US$ 185 milhões foram obtidos somente nos Estados Unidos e no Canadá.
Mas as boas notícias para a casa do Mickey não terminam por aí. Também neste fim de semana, Vingadores: Ultimato — outro arrasa-quarteirão lançado pela Disney em 2019 — chegou à liderança do ranking dos filmes com a maior bilheteria global na história, ultrapassando Avatar, de 2009.
[captacao]
Após 13 semanas em exibição, a conclusão da saga da Marvel já arrecadou quase US$ 2,8 bilhões no mundo todo, sendo mais de US$ 850 milhões apenas nos cinemas americanos e canadenses. E, como resultado de mais uma semana de dominação das bilheterias, as ações da companhia fecharam em alta nesta segunda.
Ao fim do dia, os papéis da Disney (DIS) subiram 0,71% em Nova York, cotados a US$ 140,84 — não muito distantes da máxima histórica, a US$ 145,13. Com o desempenho do momento, os papéis já acumulam ganhos de cerca de 29% em 2019.
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O ano tem sido especialmente marcante para a divisão de cinema da Disney e suas subsidiárias — um grupo que inclui Marvel, Pixar, LucasFilm e 21st Century Fox, apenas para citar algumas. Duvida? Basta ver o ranking das maiores bilheterias no ano.
Segundo o site Box Office Mojo, os seis filmes de maior arrecadação nos cinemas dos Estados Unidos e do Canadá em 2019 pertencem à Disney. A lista, encabeçada por Vingadores: Ultimato, ainda inclui Capitã Marvel, Toy Story 4, Aladdin, Homem-Aranha: Longe de Casa e O Rei Leão, nesta ordem.
Somadas, as bilheterias desses seis longas-metragem nesse mercado já soma US$ 2,5 bilhões — ou 38% da arrecadação de todos os filmes que estiveram em cartaz neste ano.

Os principais longas-metragem da Disney parecem não ser impactados pela crítica especializada. O site Rotten Tomatoes, um compilador de avaliações, atribui nota 53% à nova versão de O Rei Leão — ou seja: dos mais de 300 textos analisando a película, quase a metade não gostou do resultado.
Outro sucesso de bilheteria da companhia, a refilmagem de Aladdin, também está longe de ser unanimidade — das 340 críticas cadastradas no Rotten Tomatoes, apenas 56% avaliaram positivamente o remake da história. No entanto, nem todos os sucessos da Disney são fracassos de crítica. Vingadores: Ultimato possui 94% de aprovação, enquanto Toy Story 4 tem 98% de avaliações positivas.
E quem pensa que a Disney já gastou todos os seus cartuchos em 2019 está enganado: ainda em 2019, a empresa pretende lançar ao menos mais dois arrasa-quarteirões: a sequência de Frozen e Star Wars: A Ascensão Skywalker, nono episódio da franquia Guerra nas Estrelas.
Para quem é fã dos filmes de super-herói, a Marvel já possui um cronograma de lançamentos até 2021. Nos próximos anos, chegarão às telas os longas-metragem próprios da Viúva Negra e do Gavião Arqueiro, além de novas entradas nas séries Thor, Capitão América e Doutor Estranho.
O que eu quero mais é ser rei
O novo sucesso obtido com O Rei Leão, somado aos planos ambiciosos da empresa para os próximos anos, cria ainda mais expectativa em relação à Disney+, projeto on-demand que será lançado ainda em 2019 pela companhia. O objetivo da casa do Mickey é simples: destronar a Netflix na arena dos serviços de streaming digital.
Ao longo da última década, a Disney criou um impressionante conglomerado de entretenimento. Incluindo seus próprios conteúdos e os produzidos por suas subsidiárias, o serviço de streaming contará com um leque de opções que vai de Star Wars ao Pato Donald; do Homem de Ferro a Pequena Sereia; de Monstros S.A. ao Planeta dos Macacos.
A percepção de que a Disney vem com tudo para estender seu domínio das telas de cinema aos serviços de streaming tem sido um importante fator de valorização para as suas ações. Afinal, a empresa mostra-se focada em cumprir seu plano — e tem dado passos para garantir a sustentabilidade de seu modelo no longo prazo.
E a sombra gerada pela Disney já começa a ser sentida pela Netflix: a empresa reportou na semana passada seus resultados trimestrais — e viu sua base de assinantes crescer bem menos que o projetado no período. Com isso, as ações da Netflix (NFLX) acumulam três sessões em queda e já aparecem abaixo perto do nível de US$ 310 — patamar que não era visto desde janeiro.
Para os concorrentes da Disney, tempos difíceis parecem estar por vir. Mas, para os acionistas da casa do Mickey, há apenas duas palavras: Hakuna Matata.

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