A grande virada do BTG Pactual (BPAC11) pode estar no consignado, diz Itaú BBA — e revela nova ação favorita no setor
Analistas elevam ação a “top pick” e veem expansão do varejo como peça-chave para banco de André Esteves nos próximos anos

Depois de empilhar trimestres fortes e consecutivos recordes de resultado, o BTG Pactual (BPAC11) consolidou sua posição entre os gigantes do mercado financeiro e de capitais brasileiro. Agora, o Itaú BBA aposta que o avanço no crédito consignado é que pode destravar uma nova avenida de crescimento para o banco de André Esteves.
Por isso, os analistas decidiram elevar o BTG ao posto de "top pick" entre as empresas ligadas ao mercado de capitais.
O banco manteve recomendação de compra para os papéis BPAC11, com preço-alvo de R$ 63 para o final de 2026, o que embute um potencial de alta de 12,7% em relação ao último fechamento.
BTG quer deixar de ser dependente da bolsa
Na leitura do Itaú BBA, o BTG deixou de ser uma tese baseada apenas em ciclos favoráveis do mercado de capitais.
Historicamente, parte importante dos resultados do banco vinha de áreas mais sensíveis ao humor da bolsa e à atividade financeira, como Investment Banking, Trading, Wealth Management e gestão de recursos.
O problema desse modelo é que ele costuma sofrer quando o mercado esfria.
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Agora, porém, os analistas enxergam um BTG mais diversificado — e menos dependente de um único motor de crescimento.
A combinação entre crédito corporativo, gestão de fortunas e, principalmente, a expansão do varejo criou o que o Itaú BBA descreve como uma plataforma mais equilibrada de receitas.
A mudança de leitura do mercado sobre o perfil do BTG ganhou força após a incorporação definitiva do Banco Pan e a aquisição da Meu Tudo, fintech especializada em crédito consignado.
A “arma secreta” do BTG Pactual
A grande virada de chave do BTG Pactual estaria justamente no crédito consignado. Com os movimentos recentes, o BTG deixou de testar sua presença no varejo para disputar espaço de forma mais agressiva em um dos segmentos mais relevantes do crédito brasileiro.
Na visão dos analistas, o consignado privado oferece uma avenida de crescimento relevante, uma vez que combina a expansão de carteira com níveis historicamente mais controlados de inadimplência, devido ao desconto direto em folha de pagamento.
Em um ambiente no qual receitas ligadas ao mercado de capitais podem oscilar mais conforme juros, bolsa e fluxo estrangeiro mudam de direção, ter uma operação relevante de crédito recorrente tende a suavizar os ciclos de resultado do banco, destacam os analistas.
O Itaú BBA prevê que a carteira de crédito ao consumidor do BTG alcance R$ 99 bilhões já em 2026, avançando para R$ 125 bilhões em 2027.
Vale destacar que, no primeiro trimestre de 2026, o portfólio de crédito de Consumer Finance do BTG chegou a R$ 73,6 bilhões, impulsionado principalmente pela carteira de crédito consignado e pelo financiamento de veículos.
- Leia também: BTG Pactual (BPAC11) entrega resultado “difícil de criticar”, mas ações caem na B3. O que explica a queda?
BTG cresce enquanto XP (XPBR31) perde fôlego, diz Itaú BBA
Enquanto o BTG acelera a diversificação e amplia presença no varejo, os analistas avaliam que a XP enfrenta mais dificuldade para retomar o ritmo de crescimento observado nos últimos anos.
“A recuperação do mercado não se traduziu em melhora de resultados para a XP, como esperávamos”, escreveram os analistas.
Na avaliação do BBA, a XP vem encontrando mais obstáculos para ampliar participação de mercado e acelerar a captação líquida de recursos.
Diante desse cenário, o Itaú BBA reduziu o preço-alvo da XP para US$ 19 e manteve recomendação neutra para os papéis.
E na B3 (B3SA3), o rali perdeu força?
A análise do Itaú BBA também traçou perspectivas sobre a B3 (B3SA3), operadora da bolsa brasileira.
Depois de um início de ano embalado pela entrada de investidores estrangeiros e pela melhora do humor com ativos brasileiros, os analistas avaliam que o cenário ficou menos favorável para a companhia.
A desaceleração do mercado de derivativos e a redução recente do fluxo internacional para a Bolsa brasileira começaram a limitar o potencial de aceleração da receita.
“A B3 deixou de ser a história de aceleração fácil que era no início do ano, mas segue como uma alternativa de qualidade para capturar ganhos em dias mais positivos de mercado, como ficou claro no primeiro trimestre de 2026”, afirmaram os analistas.
Segundo o Itaú BBA, embora o volume negociado em ações continue relativamente sólido, existe dúvida sobre a capacidade dos investidores locais de sustentar esses níveis caso a participação estrangeira continue diminuindo nos próximos meses.
Ainda assim, o banco manteve recomendação de compra para B3SA3, com preço-alvo de R$ 22.
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