Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos
REAÇÃO AO RESULTADO

CEO da Bradsaúde (SAUD3) rebate tombo de 8% das ações após lucro saltar quase 25% no 2T26

Lucro cresceu 25%, mas a alta da sinistralidade derruba os papéis; administração avalia que investidores tiraram conclusões precipitadas

Carlos Marinelli, CEO da BradSaúde (SAUD3).
Carlos Marinelli, CEO da BradSaúde (SAUD3). - Imagem: Divulgação

Nem sempre um lucro maior é suficiente para agradar a bolsa. A Bradsaúde (SAUD3) entregou um crescimento de quase 25% no lucro do segundo trimestre de 2026, acelerou a expansão da carteira de clientes e reforçou a aposta em novos motores de crescimento.  Ainda assim, as ações chegaram a tombar mais de 8% nesta terça-feira (4), enquanto o mercado olhava para outro ponto do balanço.  

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Por volta das 11h25, os papéis SAUD3 caíam 8,70% e figuravam entre as maiores quedas da bolsa pela manhã, cotados a R$ 14,69. No acumulado do ano, porém, a gigante de saúde ainda soma valorização da ordem de 30% na B3. 

O foco dos investidores recaiu sobre a alta da sinistralidade (MLR) — indicador que mede quanto a operadora gasta com atendimento médico em relação ao que arrecada em prêmios. 

A sinistralidade consolidada atingiu 83,8% no trimestre, aumento de 1,7 ponto percentual (p.p) na comparação com igual intervalo de 2025, embora tenha se mantido estável em 81% no acumulado do primeiro semestre. 

A expansão do indicador no 2T26 levantou dúvidas sobre a sustentabilidade da melhora operacional da companhia. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A administração, porém, discorda dessa leitura. Para a Bradsaúde, quem julga a operação apenas pela fotografia de um trimestre ignora a dinâmica de um negócio em que sazonalidade, precificação e qualidade da carteira pesam mais do que oscilações pontuais. 

Leia Também

FUTURO PROMISSOR

Weg (WEGE3) ganha voto de confiança do Safra e vira uma das suas favoritas; veja por que o banco vê potencial de alta de 22,8%

PRÉVIA DO BALANÇO

Nem tudo perfeito no balanço do Itaú (ITUB4)? Este deve ser o principal desafio do 2T26; veja o que fazer com as ações agora

"O que olhamos quando vemos os 12 meses é uma relativa estabilidade. Não dá para simplesmente assumir que a variação de um trimestre vai se repetir pelos próximos 12 meses. A saúde tem um consumo sazonal e é por isso que sempre analisamos os últimos 12 meses", afirmou o CEO Carlos Marinelli, durante conversa com jornalistas. 

Veja os principais indicadores do balanço do 2T26: 

  • Lucro líquido: R$ 1,1 bilhão (+24,8% a/a) 
  • Receitas totais: R$ 13,8 bilhões (+10,8% a/a) 
  • Sinistralidade: 83,8% (+1,7 p.p.) 
  • Margem líquida: 8,1% (+0,9 p.p a/a)
  • Beneficiários: 13,6 milhões
  • Adições líquidas: 229 mil vidas 
  • Capacidade total de leitos: 4.101 leitos (+33% a/a)

Por trás da sinistralidade da Bradsaúde (SAUD3) 

Na visão da companhia, a alta da sinistralidade precisa ser interpretada dentro de um contexto mais amplo. 

Segundo Marinelli, o crescimento da carteira continua acompanhado de disciplina na subscrição dos contratos — especialmente entre pequenas e médias empresas (PMEs) —, o que deve preservar a rentabilidade ao longo do tempo. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O diretor financeiro (CFO), Vinicius Cruz, reforçou que a expansão da base de clientes ocorreu sem deterioração da qualidade da carteira. 

"Essa estabilidade, considerando o incremento de vidas que observamos no período, nos deixa bastante confiantes de que a dinâmica comercial e a disciplina de subscrição trazem sustentabilidade para o nosso crescimento." 

Bradsaúde quer crescer com cautela 

Na avaliação de Marinelli, o mercado de saúde suplementar brasileiro ainda oferece espaço para expansão, principalmente no segmento de PMEs, mesmo com a cobertura dos planos permanecendo próxima de 25% da população. 

A diferença, segundo o executivo, é que a companhia mudou a forma de perseguir esse crescimento. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em vez de buscar volume a qualquer custo, a prioridade passou a ser conquistar contratos mais rentáveis e sustentáveis. 

"Nós precisávamos estabelecer uma nova qualidade para as nossas carteiras empresariais. O crescimento vem porque conseguimos levar o produto certo, para o lugar certo e no preço certo." 

Essa estratégia também passa por uma expansão dos produtos regionais, desenhados para mercados específicos e apoiados pela ampliação da rede hospitalar do grupo. 

Segundo Marinelli, essa combinação permite oferecer planos mais competitivos sem sacrificar a rentabilidade. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

"Temos trabalhado muito intensamente para entender os diferentes públicos. Não só os planos nacionais cresceram, mas também os produtos regionais. Essa estratégia já começa a aparecer nos nossos resultados." 

Judicialização continua sendo uma pedra no sapato 

Se a sinistralidade dominou as perguntas dos investidores, a judicialização apareceu logo em seguida como uma das maiores preocupações para o setor. 

Marinelli reconheceu que o aumento das ações judiciais segue pressionando as operadoras e reduzindo a previsibilidade financeira do negócio. 

"É um tema presente e estrutural da saúde suplementar. Temos aprendido com essas demandas e buscamos entender quais tendências podem se transformar em judicialização, como o regulador poderá atuar e como o próprio Judiciário vem se posicionando." 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Segundo ele, o problema vai além do volume de processos. Toda a precificação dos planos é construída sobre modelos atuariais baseados no contrato e na regulação vigente. 

Quando uma decisão judicial determina a cobertura de procedimentos que não estavam previstos nesse cálculo, o equilíbrio econômico da operação muda. 

"Quando recebemos uma liminar, vamos cumpri-la. Mas toda prática de seguros é baseada em cálculos atuariais feitos sobre aquilo que está previsto em contrato e na regulação. Quando surge uma demanda fora desse escopo, ela naturalmente não estava contemplada nesses cálculos." 

Atlântica Hospitais começa a ganhar peso 

Enquanto o mercado continua concentrado na operação tradicional dos planos de saúde, outra frente começa a ganhar relevância dentro do grupo. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A Atlântica Hospitais entregou um lucro líquido de R$ 64 milhões no trimestre — um salto de 312% em relação ao mesmo período do ano passado e muito acima da projeção de R$ 15 milhões do BTG Pactual. 

Com isso, sua participação no lucro consolidado da Bradsaúde passou de 2% para 6%. Ainda é uma fatia pequena, mas a administração acredita que ela tende a crescer conforme os hospitais inaugurados recentemente amadurecem. 

Segundo o diretor financeiro, hospitais normalmente levam alguns anos para atingir o potencial máximo de ocupação e rentabilidade. "Acreditamos em uma operação diversificada entre ativos maduros e novas unidades", diz Cruz. 

Mais do que uma estratégia de verticalização para reduzir custos médicos, Marinelli afirma que o objetivo é ampliar a geração de receitas do grupo. Assim, Bradesco Saúde, Odontoprev, Atlântica Hospitais e Orizon deixam de funcionar como negócios independentes para operar como um único ecossistema. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Essa visão também chamou atenção dos analistas. O BTG Pactual destacou que o trimestre trouxe novas evidências de que "o portfólio hospitalar está se tornando um motor de ganhos mais relevante" para a companhia. 

Já o Santander classificou a Atlântica como "a principal história de crescimento" da Bradsaúde e afirmou que a evolução das operações hospitalares pode se transformar em um dos principais catalisadores para uma reavaliação das ações SAUD3 nos próximos anos. 

"A Atlântica superou as expectativas à medida que os hospitais avançam rapidamente na maturação de suas operações, enquanto a decepção nos planos odontológicos foi impactada por despesas não recorrentes relacionadas ao processo de IPO reverso", avalia o Citi

A concorrência aumentou — mas a Bradsaúde não quer entrar na guerra de preços 

A expansão da carteira acontece justamente em um momento em que a disputa pelo mercado corporativo voltou a ganhar intensidade. Além da tradicional concorrência com a SulAmérica, grupos como Hapvida e Amil passaram a disputar com mais força clientes de maior renda. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Marinelli admite que a competição ficou mais acirrada, mas diz que isso é consequência natural da posição ocupada pela companhia. 

"Quando você tem um produto líder e desejado, é natural que a concorrência busque ganhar participação nesse mercado." 

A resposta da Bradsaúde, porém, não passa por reduzir preços para conquistar participação. Segundo o executivo, a empresa prefere abrir mão de determinados contratos quando entende que a remuneração não compensa o risco assumido. 

"Alguns movimentos para conquistar grandes carteiras simplesmente pelo número de vidas não fazem sentido para nós", afirma. "Nós preferimos esperar um momento em que a racionalidade de preços volte para a mesa." 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Na visão da administração, essa disciplina comercial protege a rentabilidade e também aumenta o tempo de permanência dos clientes, reduzindo a rotatividade da carteira e tornando os resultados mais previsíveis. 

O que dizem os analistas sobre o balanço? 

O consenso dos analistas é que o lucro da Bradsaúde veio acima do esperado no 2T26, mas com uma qualidade inferior à desejada. 

O BTG avaliou que a qualidade dos resultados foi "inferior", principalmente pela piora da sinistralidade. Já o Santander afirma que "a qualidade dos resultados foi pior do que o esperado". 

Enquanto isso, o Itaú BBA destacou que a surpresa positiva no lucro foi sustentada principalmente pelo resultado financeiro e pela equivalência patrimonial. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ainda assim, outros indicadores ajudaram a compensar essa pressão. O resultado financeiro líquido atingiu R$ 930 milhões, avanço de 28% em um ano, superando as estimativas do Itaú BBA e servindo como um dos principais sustentáculos do lucro. 

Além disso, a companhia apresentou uma redução de 18% em outras despesas operacionais — embora o Itaú tenha levantado dúvidas sobre a recorrência desse nível de eficiência. 

A XP Investimentos também avalia que o resultado veio mais forte, mas com tendências operacionais mistas. Isso porque o resultado não foi impulsionado pela sinistralidade, mas sim por menores despesas operacionais, efeito positivo das provisões técnicas de saúde e resultado financeiro acima do esperado.

Os analistas destacam que, embora uma análise do 2T26 sozinha possa gerar preocupação, as tendências do primeiro semestre permaneceram estáveis.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

"O 3T26 será um trimestre-chave, com a evolução da sinistralidade sendo determinante para avaliar se a companhia conseguirá manter níveis estáveis de sinistralidade na comparação anual. Vemos os benefícios observados nas despesas do 2T26 como em grande parte estruturais, enquanto uma evolução melhor do que o esperado da MLR representa potencial de alta para nossas estimativas de lucro", diz a XP.

O que fazer com as ações SAUD3 agora? 

Apesar das dúvidas em torno da sinistralidade, nenhuma das principais casas alterou sua visão positiva para a companhia. 

O BTG Pactual manteve recomendação de compra para SAUD3, com preço-alvo de R$ 18 — uma valorização potencial de 11,8% frente ao último fechamento. 

Segundo o banco, apesar da decepção com a sinistralidade, o trimestre trouxe pontos positivos importantes, como crescimento orgânico consistente, menores despesas operacionais e uma contribuição cada vez maior da Atlântica Hospitais. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O Santander seguiu com recomendação equivalente à compra (outperform), com preço-alvo de R$ 19,60 para o fim de 2027, valorização de até 21,8%, destacando a operação hospitalar como o principal vetor de reprecificação das ações no médio e longo prazo. 

Já o Itaú BBA continuou com recomendação outperform e preço-alvo de R$ 20 para 2026, uma alta potencial de 24%. 

Na avaliação do banco, a Bradsaúde já acumulou R$ 2,4 bilhões de lucro líquido apenas no primeiro semestre de 2026, desempenho que pode levar a novas revisões positivas das projeções para o restante do ano. 

A XP também segue apostando nas ações SAUD3 devido à "tese de investimento atrativa", sustentada pela aceleração da base de beneficiários, caixa bilionário permitindo novas oportunidades de crescimento e um valuation atraente, inferior ao da Rede D'Or (RDOR3).

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Uma pessoa vestida de macacão cinza, usa luvas amarelas e fecha uma caixa da Frasle em uma linha de produção. 3 de agosto de 2026 - 10:09
1 de agosto de 2026 - 10:00
Agência do Banco Bradesco (BBDC4) | Dividendos 30 de julho de 2026 - 18:46
Logo do Santander e gráfico de queda de ações 30 de julho de 2026 - 13:01
29 de julho de 2026 - 15:42
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar