Ânima (ANIM3) leva ‘nota vermelha’ do Goldman Sachs: banco faz raro duplo rebaixamento e aposta em queda à frente
Analistas destacam três fatores que mudaram completamente a tese de investimento; confira aqui

O Goldman Sachs deu nota vermelha para a Ânima Educação (ANIM3). O banco fez um raro duplo rebaixamento das ações, saindo diretamente da recomendação de compra para venda.
Os analistas ainda reduziram drasticamente o preço-alvo dos papéis, de R$ 5,50 para R$ 2,00 — um corte de aproximadamente 64%.
A nova cifra implica uma queda potencial de 8% das ações ANIM3 em relação ao último fechamento. Desde o início do ano, a desvalorização acumulada da empresa de educação na B3 beira os 35%.
Na visão da instituição, a tese de investimento da companhia perdeu força diante de uma combinação de fatores que deve pressionar os resultados daqui para frente: crescimento mais lento, elevado endividamento e novas incertezas em torno da aquisição da FMU, anunciada em julho.
Para o Goldman, os próximos trimestres tendem a ser mais difíceis para a Ânima. Mas, na avaliação dos analistas, o principal problema vai além da desaceleração operacional.
Dívida elevada pesa sobre tese da Ânima (ANIM3)
De acordo com o Goldman Sachs, a Ânima possui hoje a estrutura de capital mais alavancada entre as empresas brasileiras de educação sob sua cobertura.
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O banco projeta uma relação entre dívida líquida e Ebitda de 2,7 vezes ao fim de 2026, em um cenário em que os juros brasileiros devem permanecer elevados por mais tempo.
"O endividamento representa um risco relevante para os resultados, já que as despesas financeiras devem consumir cerca de metade do Ebitda da companhia em 2026", dizem os analistas.
Outro fator que aumenta a cautela é a aquisição da FMU. Embora a operação ainda não tenha sido incorporada às contas do Goldman — já que depende da conclusão da transação —, o banco avalia que ela pode elevar ainda mais a alavancagem da companhia e pressionar suas margens durante o processo de integração.
Pelas estimativas da instituição, caso o negócio seja concluído, a relação dívida líquida/Ebitda poderá ficar entre 2,6 e 2,7 vezes, se aproximando do limite de 3 vezes previsto nos contratos de dívida da empresa.
O que esperar do balanço da Ânima no 2T26?
Para o segundo trimestre, o Goldman Sachs projeta crescimento de 4% na receita líquida da Ânima na comparação anual.
O Ebitda ajustado deve avançar 4,7%, para cerca de R$ 369 milhões, mantendo uma margem praticamente estável.
A principal alavanca de crescimento continua sendo a Inspirali. Segundo o banco, a divisão de medicina deve registrar expansão de 7% na receita, impulsionada pelo aumento da base de alunos.
Já a operação da Ânima Core deve seguir perdendo fôlego. A expectativa é de crescimento de apenas 4,6%, praticamente em linha com a inflação, refletindo um ambiente mais difícil para captação de estudantes e o aumento da evasão.
Vale destacar que a Ânima divulga os resultados do 2T26 no próximo 14 de agosto.
Ainda há como recuperar a nota?
Apesar do rebaixamento, o Goldman Sachs afirma que a tese de investimento da Ânima (ANIM3) não está definitivamente comprometida.
Na visão do banco, uma recuperação mais consistente da rentabilidade da Ânima Core, a continuidade do bom desempenho da Inspirali e um ciclo de queda dos juros mais acelerado poderiam reduzir os riscos da companhia e acelerar seu processo de desalavancagem.
*Com informações do Money Times.
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