2 anos de mercado, R$ 2 bilhões sob custódia: Como cultura ‘relacional’ levou a Archx Advisors ao topo da performance entre escritórios do BTG Pactual
Escritório sediado em São Paulo integrou ranking de ‘Best Performers’ do BTG por dois anos seguidos; em entrevista, CEO e CCO compartilham visão por trás dos resultados

“Eu queria atender aos clientes de uma maneira diferente do que eu atendia no banco. No banco, a gente falava muito mais de produto, e eu gostava de falar de relacionamento.”
Essa é a essência que motivou Simone Reichmann, executiva há mais de 25 anos no mercado financeiro, a dar um novo passo em sua carreira.
Com passagens por bancos como Citi e Itaú, sempre com foco em clientes alta renda e private, Reichmann desejava elevar sua atuação para um foco relacional, e não transacional. Assim, no início de 2024, surgiu a oportunidade de fundar a Archx Advisors, casa na qual ocupa o posto de CEO.
“Juntei algumas pessoas que conheci ao longo do caminho, que tinham os mesmos princípios e valores. Pessoas que também queriam atender o cliente da mesma forma que eu, que não eram focados apenas em produtos. Com isso, resolvemos montar o escritório”, afirma.
Sediada na cidade de São Paulo, a Archx Advisors é uma assessoria de investimentos no segmento de wealth management, oferecendo serviços personalizados de gestão e sucessão patrimonial para clientes pessoa física alta renda, além de soluções de câmbio e crédito para pessoa jurídica.
Em apenas dois anos de atuação, acumula R$ 2 bilhões em AuC (assets under custody, ou ativos sob custódia) e já foi reconhecida pelo BTG Pactual em duas instâncias: em 2024, com o prêmio de Escritório Revelação; em 2024 e 2025, como parte do ranking Best Performers, que enaltece os melhores escritórios associados ao banco.
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A empresa também registra um NPS (Net Promoter Score) de 100, nota máxima da métrica, que é utilizada para aferir o nível de satisfação dos clientes.
Agora, a meta ambiciosa do escritório é encerrar 2026 com R$ 3 bilhões sob custódia, e chegar aos R$ 5 bilhões até o final de 2027.
Afinal, o que explica o sucesso do escritório em relativamente pouco tempo de atuação? Tanto a CEO Simone Reichmann como também João Gabriel Tavares, sócio-diretor e CCO da casa, compartilham um pouco da visão.
Os diferenciais da Archx Advisors para se destacar em pouco tempo de mercado
O escritório de advisory surgiu a partir da Archx Capital, gestora de IB (investment banking) que já estava há cerca de um ano no mercado até então. Para João Gabriel Tavares, isso certamente cumpriu um papel importante para que os resultados pudessem chegar mais rápido.
“Como o banco de investimento gera evento de liquidez, nada mais natural do que ter uma casa ‘ao lado’, com pessoas que também tinham a capacidade de gerar cross-sell com o IB. Porque, por via de regra, os clientes do IB eram executivos, empresários.”
Ou seja, enquanto clientes procuram a divisão de IB em busca de soluções para suas empresas, a construção de confiança na marca pôde levar muitos deles a buscar, também, os serviços da divisão de advisory para seu patrimônio pessoal.
Porém, outros dois fatores são ressaltados por Tavares e Reichmann para a construção do legado da Archx: a senioridade da equipe e, acima de tudo, sempre o foco relacional.
Senioridade da equipe: bankers admirados transmitem confiança
A equipe formada desde a fundação da Archx conta com executivos de décadas de experiência no mercado. “São pessoas que já tinham clientes de muito tempo, em quem eles confiam”, afirma Reichmann.
Com isso, os próprios investidores seguiram seus bankers de confiança até a Archx. Além disso, o fator “boca a boca” também entrou em ação: “os clientes indicam outros, porque são bem atendidos”.
Para Reichmann, a senioridade de seus assessores é um fator crucial quando o assunto é transmitir segurança, considerando profissionais que já vivenciaram o mercado em todas as suas fases.
“Quando nos sentamos na mesa para conversar com o cliente, trazemos muitos sócios seniores, uma expertise maior. São pessoas de ‘cabeça branca’, brincamos, e pelas quais eles têm admiração.”

Archx não trata unicamente de produtos, mas sim de relacionamento
“Talvez esse seja o nosso lema ‘da porta para dentro e da porta para fora’: Não somos uma empresa transacional, somos uma empresa relacional”, afirma Tavares. “É o grande diferencial da casa, e por isso temos crescido com tanta velocidade.”
Tendo o pilar do relacionamento com o cliente como o fio condutor de toda a jornada, o objetivo não é buscar receita ou ganho de escala a qualquer custo, mas sim focar na confiança de um número seleto de investidores, com soluções altamente personalizáveis – e os resultados vêm como consequência.
“Quando você não tem o peso de ganhar dinheiro no curto prazo em uma transação, mas sim de entender o cliente e abraçá-lo de forma ‘360’, você começa a ganhar capilaridade em serviços, e consegue ganhar dinheiro junto com ele em várias frentes; não apenas vendendo produto.”
Mas e os desafios do mercado no momento?
É de conhecimento comum que o ano de 2026 não tem sido muito fácil para os mercados de maneira geral. Em meio a fatores como a guerra no Oriente Médio e sua consequente pressão inflacionária, que tem posto o ciclo de cortes de juros em xeque no Brasil, é possível que muitos investidores estejam receosos ou não saibam como proceder.
Mas, para Tavares, o pilar relacional e a senioridade da equipe, mais uma vez, fazem com que não apenas o cliente possa atravessar o cenário, mas com que a própria Archx mantenha o viés de crescimento. “É nesse momento que também temos uma oportunidade grande de se destacar”, afirma.
A senioridade dos bankers, que podem “traduzir toda essa confusão que acontece no mercado e tranquilizar o cliente na ponta”, somada ao perfil relacional que não “rola a carteira do cliente a qualquer custo para geração de receita”, traz confiança ao investidor de que ele está em um lugar seguro.
“No final do dia, o cliente tem uma tranquilidade muito maior e, inclusive, facilidade de prosperar com a gente, porque naturalmente temos mantido o pé muito mais no chão do ponto de vista de asset allocation e distribuição.”

Parceria com o BTG Pactual: banco está ‘anos-luz à frente’ do mercado, segundo a CEO da Archx
A parceria da Archx com o BTG Pactual veio desde a sua criação. Para Reichmann, a decisão não foi difícil. “Quando eu estava decidindo abrir o escritório, conversei com várias plataformas. E o BTG, para mim, é muito claro: está anos-luz na frente de todas as outras”, afirma Reichmann.
Dentre os pontos trazidos pelos executivos na relação com o banco, a prontidão para disponibilizar soluções personalizadas é um dos destaques: “Muitos dos nossos clientes não querem produtos de prateleira, então temos que ir atrás para construir. E o banco está sempre muito aberto para conversar”.
“Como completude de banco, não temos nem o que dizer. O banco é extremamente completo e ativo. Temos muitas oportunidades para operações estruturadas de crédito, derivativos, seja para alavancagem ou para hedge. Isso é muito importante para o nosso perfil de cliente, que é mais sofisticado, mais private”, afirma Tavares.
Olhando para o futuro: metas de expansão da Archx Advisors
O escritório também está em busca de novos talentos. Mas, assim como feito na abordagem com seus clientes, o foco é qualitativo, ao invés de quantitativo. A ideia é buscar pessoas que, assim como Tavares e Reichmann, estejam dispostas a “romper” com experiências profissionais que priorizam produto em detrimento das necessidades do cliente.
“Foi muito nítido e muito claro entender, para mim, que existem várias pessoas que estão em encerramento de ciclo com o modelo no qual estão [em outras instituições], e que querem buscar um negócio menos transacional e mais relacional, em que elas possam vender serviço, e não produto”, afirma Tavares.
O CCO, que acumula 13 anos de experiência no mercado financeiro, comenta que foi exatamente isso que o trouxe até a Archx, ao ouvir, em sua primeira conversa com Reichmann, sobre o modus operandi do escritório e seus pilares relacionais – e a forte crença da própria CEO no que estava criando.
“Esses pilares acabam resumindo um pouco da minha tomada de decisão. O que estamos construindo, o que a Simone idealizou lá atrás, não vem da base. A cultura está sempre de cima para baixo, vem da liderança, que precisa não só acreditar, mas ‘descer’ isso para os demais, para que isso de fato seja o lema da empresa e para que todo mundo o carregue.”
Para ele, essa tese tem sido validada todos os dias no cotidiano do escritório. E, certamente, outras pessoas se identificarão com essa jornada.
“Tenho certeza de que, ao longo do caminho, vamos continuar encontrando pessoas com esse mesmo nível de senioridade, maturidade e cultura que buscamos e esperamos”, conclui.
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