Marcopolo (POMO4) cai mais de 10% após balanço do 2T26: qual o futuro para a ação?
As ações da Marcopolo caem forte após resultado fraco no 2T26, com margens em queda e risco de revisões negativas para lucros no segundo semestre

A barra já estava baixa, mas a Marcopolo ainda conseguiu frustrar as expectativas. Por isso, as ações POMO4 operam entre as maiores quedas do Ibovespa (IBOV) nesta terça-feira (4) em reação ao balanço do segundo trimestre (2T26), divulgado na noite de ontem (3).
Por volta das 14h, a queda é de 10,61%.
Se no ano passado a empresa conseguiu entregar um segundo trimestre forte depois de um começo de ano mais fraco, não foi o caso em 2026. Segundo o BTG Pactual, o mercado já esperava um resultado fraco da empresa fabricante de ônibus e outras soluções de transporte.
Nos últimos 30 dias, as ações acumulam queda de 12%, ante alta de 3,5% do Ibovespa, com o mercado já precificando a deterioração das expectativas para o 2T26.
Mas o resultado veio ainda mais baixo do que o esperado. Entre os principais números do 2T26, o lucro líquido da companhia caiu 15,5% entre abril e junho deste ano na comparação com o mesmo período de 2025, para R$ 271,2 milhões.
Embora o lucro líquido tenha superado as expectativas, que já eram de queda, o desempenho operacional decepcionou. A combinação desfavorável de um mix de produtos pior e de exportações mais fracas resultou em uma queda da margem da companhia no trimestre, disse o BTG Pactual em relatório.
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Segundo o banco, isso coloca em risco as estimativas atuais do mercado para o ano. A margem esperada para o ano é de 18%.
O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização), que mede a desempenho operacional, também recuou 15% em igual base comparativa, atingindo R$ 338,6 milhões. Já a margem Ebitda atingiu 14,3%, queda de 3 pontos porcentuais na base anual. A expectativa do Itaú BBA era de uma margem de 15%.
Um trimestre para esquecer
Para analistas, a Marcopolo reportou uma combinação de resultados “fracos”, com números abaixo das expectativas dos principais bancos e casas de análise. O BTG Pactual, por exemplo, classificou como “um trimestre para não ser lembrado”.
E a situação não deve melhorar tão cedo. A administração sinalizou uma perspectiva mais fraca no curto prazo para o segmento de ônibus urbanos, refletindo a cautela dos operadores diante da alta dos preços do diesel e da limitada capacidade de repassar esses custos às tarifas, disse o BTG.
Em contrapartida, o segmento de ônibus rodoviários deve apresentar recuperação sequencial no segundo semestre de 2026 (2S26), apoiado por fatores sazonais e por uma demanda mais forte por transporte intermunicipal.
A expectativa é de um mix mais concentrado em modelos de maior valor agregado.
Para o Bradesco BBI, por sua vez, os resultados sugerem maior “cautela” para o segundo semestre deste ano. Na mesma linha, a XP avaliou que o balanço do 2T25 adicionou um “ponto de interrogação” mais relevante sobre a trajetória de resultados da Marcopolo daqui para frente.
“Embora esperemos um pano de fundo sazonal mais favorável para o negócio de ônibus no 2S26, apoiado por maiores volumes de rodoviários e por um impulso temporário do Move Brasil no terceiro trimestre, os ventos contrários em outras divisões e geografias continuam se acumulando”, afirmaram Lucas Laghi, Fernanda Urbano e Guilherme Nippes.
O Citi considera que a base de comparação também era “desafiadora” e por isso, os analistas esperam uma recuperação ‘modesta’ no terceiro trimestre, impulsionada pela sazonalidade mais favorável no segmento de ônibus rodoviários e pelas contribuições positivas do Programa Move.
Hora de vender POMO4?
Com o trimestre mais fraco, o Itaú BBA destacou que a ‘decepção’ com a margem Ebitda do 2T26 aumenta o risco de novas revisões para baixo das projeções de lucros para o segundo semestre.
Para o Itaú BBA, o resultado muda a tese em torno da companhia. A principal sustentação da ação era a sua atratividade em termos de valuation, negociando a cerca de 5 vezes o lucro estimado para 2026 (P/L) e oferecendo um dividend yield próximo de 10%.
A mesma visão é compartilhada pela XP. “Embora os dividend yields relativamente atrativos da POMO4 permaneçam como um ponto positivo, vemos os resultados de hoje corroborando parte das incertezas que temos observado em relação aos níveis estruturais de margem, potencialmente adicionando preocupações sobre as perspectivas de crescimento de resultados da Marcopolo à frente”, afirmaram os analistas.
Por outro lado, o BTG Pactual também avalia que o valuation e o sólido retorno via dividendos oferecem suporte para limitar novas quedas das ações.
O Bradesco BBI manteve a preferência (top pick) por POMO4 para o setor de bens de capital.
Com Money Times
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