Mais uma: Alliança Saúde (AALR3) pede recuperação extrajudicial para renegociar R$ 1,1 bilhão em dívidas
Alliança Saúde busca reorganizar R$ 1,1 bilhão em dívidas com apoio de mais de 83 credores, que representam 54% dos créditos sujeitos

Mais uma empresa do setor de saúde pediu um alívio para conseguir reorganizar as contas. A Alliança Saúde (AALR3) acaba de entrar com um pedido de recuperação extrajudicial.
Ela submeteu o pedido à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo, segundo fato relevante enviado esta manhã à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
O plano envolve a renegociação de R$ 1,1 bilhão em dívidas. Segundo a empresa, o plano já conta com a adesão de mais de 83 credores, de diferentes perfis e segmentos, representativos de aproximadamente 54% dos créditos sujeitos. Ela precisa de 50% mais um para aprovar o plano.
Segundo a empresa, é um "novo e decisivo capítulo do processo de sua reestruturação financeira", que começou quando ela foi adquirida pelo fundo de investimentos multiestratégia Tessai, gerido pela Geribá Investimentos Ltd, em março deste ano.
Fundada em 2010, a empresa de medicina diagnóstica tem cerca de 120 unidades espalhadas pelo Brasil.
As opções dos credores da Alliança Saúde
A empresa diz que, entre os credores que manifestaram apoio ao plano, estão os médicos fundadores da companhia, com destaque para a AFIP - Associação Fundo de Incentivo à Pesquisa.
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Eles optaram por converter seus créditos em ações de emissão da Alliança, retornando, assim, à base acionária da companhia.
"A adesão de credores dessa natureza é especialmente significativa: os médicos constituem um dos principais grupos de stakeholders e seu engajamento é fundamental para a manutenção e retomada das operações da companhia", disse a empresa no fato relevante.
Entre os credores que já se comprometeram com o plano, 92% do valor dos credores signatários optaram por transformar seus créditos em participação acionária na empresa — a Opção A.
A Opção B é aceitar um haircut de 70% na dívida. Mais do que um grande corte no valor a receber, o dinheiro restante demorará a cair: será pago em 11 parcelas anuais, com a primeira vencendo 12 meses depois da data de homologação judicial do plano. Os juros desses novos papéis serão formados pela variação da TR acrescida de 2% ao ano.
Já para credores de quantias menores, a Opção C oferece um pagamento em parcela única, até o limite de R$ 15 mil, 180 dias depois da aprovação do plano.
A história da Alliança com Nelson Tanure
A antiga Alliar foi comprada pelo empresário Nelson Tanure, conhecido por investir em empresas em dificuldades, em 2022. Ela mudou de nome em 2023 para marcar uma nova fase na sua empresa.
No entanto, Tanure perdeu o controle da empresa em fevereiro deste ano, por causa de outra de suas empresas. A questão é que as ações da Alliança e da Light (LIGT3) estavam dadas como garantia de empréstimos da Ligga Telecom.
Em um movimento coordenado, credores que financiaram a compra da empresa de telecomunicações decidiram executar as garantias. Com isso, o fundo Opus FIP passou a deter 49,11% do capital social da Alliança, os fundos Fonte de Saúde e Lormont — ligados a Tanure — viram sua fatia minguar de cerca de 66% para apenas 6,96%.
Poucos meses depois, essa fatia mudou novamente de mãos, com a compra de 59,8% do controle pelo fundo Tessai, da Geribá.
O início da renegociação da Alliança Saúde
No dia 20 de março, a Alliança Saúde já havia recebido uma pausa nas execuções e de vencimentos antecipados de suas dívidas e proteção contra execuções e retiradas de bens essenciais para operação, para prevenir a interrupção dos serviços essenciais.
Isso incluía contratos de locação dos imóveis operacionais, de locação e manutenção de equipamentos médicos e de diagnósticos, e demais contratos de prestação de serviços e de fornecimento.
Como consequência, a Fitch Ratings rebaixou o rating nacional de longo prazo da companhia para ‘C(bra)’ — apenas um degrau acima da inadimplência restrita (RD), equivalente a um calote.
Segundo a Fitch, ainda há “baixa visibilidade” sobre a estratégia do fundo Tessai FIP para endereçar questões centrais como liquidez, capitalização e condução dos negócios.
Desde então, a empresa perdeu seu CEO, Ricardo de Magalhães Sartim, que também ocupava a posição de CFO de forma interina. Ele renunciou em abril, menos de um ano após assumir o comando.
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