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RESULTADO

Itaú (ITUB4) bate R$ 12,4 bilhões de lucro e segue no topo de rentabilidade — mas tarifas viram ponto de atenção

Investidores querem saber se o Itaú conseguiu manter o ritmo de crescimento sem abrir mão da qualidade da carteira; confira os principais números do trimestre

Fachada de agência do Itaú Unibanco (ITUB4).
Fachada de agência do Itaú Unibanco (ITUB4). - Imagem: Divulgação

O Itaú Unibanco (ITUB4) chegou à temporada de balanços carregando a barra mais alta entre os bancões. O maior banco privado do país reportou lucro líquido recorrente de R$ 12,407 bilhões no segundo trimestre de 2026 (2T26), aumento de 7,8% em relação ao mesmo período do ano passado e de 1% em relação ao trimestre anterior.

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O resultado vem em linha com as expectativas do mercado, que previa um lucro médio de R$ 12,427 bilhões, segundo o consenso Bloomberg, em um momento em que investidores buscam sinais de desaceleração no ciclo de resultados dos grandes bancos.

"A consistência dos nossos resultados reflete a clareza de uma estratégia orientada ao longo prazo. Crescer com rentabilidade e qualidade de carteira exige disciplina analítica, concessão responsável de
crédito e uso prático da tecnologia", afirma o CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, em nota.

"Entregamos resultados positivos hoje enquanto consolidamos a infraestrutura e a cultura do banco do futuro", acrescenta o executivo.

Além do que o lucro em si, porém, a atenção do mercado continua concentrada nos indicadores que ajudaram a construir a diferença do Itaú em relação aos pares: rentabilidade, crescimento da carteira e controle da inadimplência.

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O mercado recebeu bem os números do Itaú em um primeiro momento. Após a divulgação do balanço, os ADRs do banco negociados em Wall Street avançavam mais de 2% no after market.

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Rentabilidade nas alturas segue como marca do Itaú (ITUB4)

Em termos de rentabilidade, o retorno sobre o patrimônio líquido médio anualizado (ROAE) atingiu 24,3% no segundo trimestre, avanço de 1 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano passado. Na comparação trimestral, porém, houve uma leve retração de 0,5 ponto percentual.

O indicador ficou praticamente alinhado às projeções dos analistas, que esperavam um ROAE médio de 24,2%.

Como já se tornou rotina nas últimas temporadas de balanços, o desempenho do Itaú permaneceu bastante acima do observado por outros grandes bancos privados. O Santander Brasil (SANB11), por exemplo, encerrou o trimestre com ROE de 12,5%

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Crédito cresce e qualidade da carteira continua no centro das atenções

A carteira de crédito ampliada do Itaú cresceu 9,6% em relação ao segundo trimestre de 2025 e avançou 2,7% frente aos três meses anteriores, alcançando R$ 1,52 trilhão. 

Segundo o banco, a expansão foi sustentada pelo avanço equilibrado das operações com pessoas físicas e empresas. Entre os clientes pessoa física, o crescimento veio principalmente do crédito imobiliário e do consignado.

Mas, em um ciclo de juros elevados e maior seletividade na concessão, o ritmo de crescimento do crédito não é o único ponto observado pelos investidores. A capacidade de expandir a carteira mantendo a qualidade segue como um dos principais diferenciais do banco.

"Os resultados do trimestre demonstram que o crescimento sustentável da carteira de crédito é resultado direto da qualidade e diligência do banco na concessão de forma responsável e sustentável, com uma análise criteriosa das necessidades dos clientes", afirma o diretor financeiro (CFO), Gabriel Amado de Moura.

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"Uma carteira de crédito verdadeiramente saudável não se constrói na renegociação, mas na qualidade da concessão, na precificação correta do risco, na capacidade de recuperação de crédito e no acompanhamento dinâmico das necessidades reais dos nossos clientes ao longo de todo o ciclo."

A inadimplência acima de 90 dias (NPL) permaneceu estável no segundo trimestre, outra vez em 1,9%. É a sexta divulgação trimestral consecutiva sem alterações no indicador.

Por sua vez, a inadimplência curta, entre 15 e 90 dias, aumentou 0,1 p.p, encerrando terminou o trimestre em 1,8%. Segundo o banco, o aumento deve-se à carteira de América Latina, dado que a carteira no Brasil apresentou estabilidade no indicador.

"Ao longo dos últimos anos, o banco promoveu ajustes na composição da carteira e no modelo de concessão, fortalecendo a qualidade da originação e a adequação das condições de crédito ao perfil de cada cliente", diz o Itaú.

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As provisões para perdas com crédito (PDD), o colchão que os bancos formam para absorver eventuais calotes, cresceram 8,4% na comparação anual e 2,3% frente ao primeiro trimestre, chegando a R$ 10,4 bilhões.

Enquanto isso, o custo do crédito aumentou 7,4% na comparação anual e 1,9% frente ao trimestre anterior, totalizando R$ 10,1 bilhões.

Outros destaques do balanço do Itaú (ITUB4) no 2T26 

A margem financeira — que mede a diferença entre as receitas geradas pelas operações de crédito e os custos de captação — terminou o trimestre em R$ 33,4 bilhões, avanço de 5,2% sobre um ano antes. 

A margem financeira com clientes registrou alta de 5,1% na base anual e de 3,3% frente ao trimestre anterior, encerrando o período em R$ 32,5 bilhões. 

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Já a margem financeira com o mercado, que reflete o desempenho das operações de tesouraria, subiu 8,6% na comparação anual e 13,6% na trimestral, para R$ 931 milhões.

Receitas de serviços viram ponto de atenção no balanço

Se o crédito e a rentabilidade seguem sustentando o desempenho do Itaú, o segmento de tarifas e serviços apareceu como um dos pontos de maior atenção no trimestre.

As receitas com prestação de serviços cresceram 2,3% na comparação anual e 0,3% frente ao primeiro trimestre, alcançando R$ 11 bilhões — valor equivalente a quase 23% das receitas totais do banco no período.

Antes da divulgação do balanço, analistas já apontavam essa linha como um possível desafio para o resultado, diante do ambiente menos favorável para o mercado de capitais, menores receitas de performance e um ritmo mais limitado de expansão dos serviços.

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Segundo o Itaú, o crescimento das receitas veio principalmente do avanço da administração de fundos, enquanto houve redução nos ganhos relacionados a pagamentos e recebimentos após ajustes comerciais em pacotes de tarifas.

"O banco segue trabalhando proativamente na otimização dos pacotes de tarifas, oferecendo melhores condições aos clientes à medida que eles ampliam seu relacionamento com a instituição", afirma o banco.

Do lado das despesas, os gastos operacionais avançaram 3,1% frente ao mesmo período de 2025, encerrando o trimestre em R$ 19,6 bilhões. 

Mudanças no guidance para 2026

Junto com o balanço, o Itaú revisou parte das projeções (guidance) para 2026. As estimativas para receitas de prestação de serviços e resultado de seguros foram reduzidas, enquanto as demais linhas do guidance permaneceram inalteradas.

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Embora tenha conseguido sustentar a expansão dessas receitas no 2T26, o banco afirma que a mudança reflete principalmente "a maior volatilidade no mercado de capitais do que a projetada no início do ano".

Veja como fica o guidance:

IndicadorGuidance anteriorGuidance atual revisado
Carteira de crédito totalCrescimento entre 5,5% e 9,5%Mantido
Carteira de crédito - BrasilCrescimento entre 6,5% e 10,5%Mantido
Margem financeira com clientesCrescimento entre 5,0% e 9,0%Mantido
Margem financeira com o mercadoEntre R$ 2,5 bi e R$ 5,5 biMantido
Custo do créditoEntre R$ 38,5 bi e R$ 43,5 biMantido
Receita de prestação de serviços e resultado de segurosCrescimento entre 5,0% e 9,0%Crescimento entre 2,0% e 5,0%
Despesas não decorrentes de jurosCrescimento entre 1,5% e 5,5%Mantido
Alíquota efetiva de IR/CSEntre 29,5% e 32,5%Mantido

*Conteúdo em atualização. 

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