Bradesco (BBDC4) já convenceu a Faria Lima da virada; agora terá de superar o sarrafo elevado para o 2T26
Banco entra no 2T26 como um dos favoritos da temporada, mas precisará mostrar que consegue sustentar a recuperação em meio aos juros elevados

O Bradesco (BBDC4) já não precisa convencer o mercado de que a recuperação está em curso. Agora, o desafio é outro: corresponder a expectativas bem mais altas.
O banco com sede na Cidade de Deus chega à temporada de resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26) como uma das principais apostas da Faria Lima entre os grandes bancos.
A expectativa é que o Bradesco encerre o trimestre com um lucro líquido ajustado de R$ 6,988 bilhões, com retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 16%, segundo o consenso da Bloomberg.
A visão otimista é apoiada por uma combinação de crescimento mais disciplinado do crédito e melhora gradual da rentabilidade. O recente aumento de capital de até R$ 10 bilhões reforça essa visão.
"O plano de recuperação do Bradesco parece estar funcionando, sustentando um crescimento modesto dos lucros", avalia o Citi.
Essa mudança de percepção ajuda a explicar por que o banco passou a ser visto como um dos destaques da temporada do 2T26. Das 16 recomendações compiladas pela Bloomberg para as ações BBDC4, 10 são de compra e seis, neutras.
Leia Também
O otimismo, porém, também elevou o sarrafo. Se antes bastava mostrar sinais de melhora, agora os investidores querem evidências de que a recuperação continua ganhando velocidade.
É por isso que, mesmo entregando resultados consistentes, o Bradesco frequentemente vê suas ações reagirem mal após os balanços: o mercado cobra uma aceleração maior do que a defendida pelo CEO Marcelo Noronha, que insiste que a reconstrução do banco será feita "step by step".
Leia também:
- Exclusivo: CEO do Bradesco (BBDC4) rebate críticas ao resultado: “disseram que não tínhamos mais como crescer, mas mostramos o contrário”
- “Não temos medo de desafio”, afirma CEO do Bradesco (BBDC4) enquanto ação cai na bolsa — e avisa: guidance para 2026 não mudará
Recuperação do Bradesco começou pelo crédito — e deve continuar aparecendo no balanço
Na avaliação dos analistas, a principal mudança na tese do Bradesco foi a decisão da administração do banco de abandonar a busca por crescimento a qualquer custo.
Nos trimestres passados, o banco reduziu a exposição às linhas de crédito que mais trouxeram problemas durante o ciclo de deterioração da inadimplência e passou a concentrar a expansão em operações com garantias e menor risco de perdas.
"A resiliência é o principal destaque positivo em meio a um ambiente macroeconômico difícil e a uma elevada aversão ao risco por parte dos investidores. Qualquer desvio em relação à narrativa esperada poderá gerar preocupação", afirma o Citi.
Essa estratégia deve continuar aparecendo nos números do 2T26, com crescimento da carteira puxado principalmente por pequenas e médias empresas (PMEs) atendidas por linhas garantidas pelo FGI/FGO, financiamento de veículos e crédito consignado.
- SD Entrevista: Bradesco (BBDC4) vai ao ataque pelas PMEs apesar dos juros altos — e diz ter um trunfo na disputa com os bancos digitais
Ao mesmo tempo, o banco segue adotando uma postura cautelosa nas operações voltadas ao varejo de menor renda e em linhas sem garantia — justamente os segmentos que concentraram boa parte das perdas nos últimos anos.
"Esperamos que o Bradesco entregue um sólido 2T26, sustentado por uma forte dinâmica de receitas e continuidade do crescimento da carteira em produtos garantidos", afirma a XP.
O Bank of America (BofA) projeta o 10º trimestre consecutivo de melhora do ROE, enquanto o UBS BB espera que margem financeira, seguros e estabilidade da qualidade dos ativos sustentem mais um avanço dos lucros.
Mas a pressão ainda está longe de acabar. Se o primeiro trimestre já foi marcado por um aumento relevante das provisões para crédito corporativo, os analistas acreditam que esse movimento não deve se normalizar entre abril e junho.
Virada do Bradesco (BBDC4) ganha novo aliado de até R$ 10 bilhões
Se a melhora operacional ajudou a reconstruir a confiança do mercado, o aumento de capital bilionário anunciado nos últimos dias reforçou a percepção de que os controladores estão dispostos a acelerar esse processo.
Na semana passada, o Bradesco surpreendeu investidores ao anunciar uma capitalização de até R$ 10 bilhões.
A operação, que conta com um compromisso firme de R$ 8 bilhões dos acionistas controladores, pode acrescentar cerca de 90 pontos-base ao índice de capital principal (CET1), elevando o indicador para aproximadamente 13,6%.
A operação, no entanto, ainda não terá impacto sobre os resultados do 2T26, já que sua conclusão depende do cumprimento de determinadas condições.
Mais do que reforçar os indicadores regulatórios, os analistas enxergam a operação como um passo importante para melhorar a qualidade do patrimônio do banco.
"À medida que o ciclo de crédito continua a se deteriorar e a incerteza em torno da qualidade dos ativos e das provisões permanece elevada, o Bradesco pode estar aproveitando condições favoráveis de mercado para reforçar seu capital antes que surja um ambiente potencialmente mais desafiador", diz o Citi.
"Ter mais patrimônio tangível faz diferença e pode representar uma vantagem competitiva", afirma o JP Morgan.
BradSaúde reforça outra frente da recuperação
Além da capitalização, outro tema deve aparecer com destaque no balanço. A conclusão da reorganização estratégica da BradSaúde, em abril, também tende a fortalecer os indicadores de capital e melhorar a eficiência do balanço.
Segundo o UBS BB, a transação pode acrescentar cerca de 250 pontos-base ao índice de capital Nível 1, que fechou o 1T26 em 14,5%. Com mais capital, o banco reforça sua capacidade de crescimento.
A operação de seguros também segue como um dos principais pilares da tese de investimento, sustentando o crescimento das receitas e ajudando a dar previsibilidade aos resultados do Bradesco.
Selic continua o principal teste da recuperação
Apesar da melhora na percepção do mercado, a recuperação do Bradesco ainda depende do ambiente macroeconômico.
O principal obstáculo continua sendo a taxa básica de juros (Selic) em patamar elevado, hoje em 14,25% ao ano.
Segundo o BofA, juros altos seguem pressionando o endividamento das famílias, aumentam os riscos no crédito corporativo e podem exigir novas provisões ao longo dos próximos trimestres.
DISTRIBUIÇÃO DE PROVENTOS
Dividendos e JCP: Lojas Renner (LREN3), TIM (TIMS3), Cemig (CMIG4) e B3 (B3SA3) pagam juntas mais de R$ 2 bilhões aos acionistas
17 de setembro de 2026 - 18:34COMPROMISSO AMBIENTAL
Natura (NATU3) emite R$ 700 milhões em debêntures com meta ligada ao uso de plástico sustentável
17 de setembro de 2026 - 18:24TODO CUIDADO É POUCO
As 3 ações do varejo que se dão bem com o aumento do Bolsa Família — e a pegadinha desvendada pelo J.P.Morgan
17 de setembro de 2026 - 18:00MUDANÇAS NO ALTO ESCALÃO
Taesa (TAEE11) escolhe ex-CFO da Petrobras para o comando do conselho — e ela já foi eleita uma das mulheres mais poderosas do mundo
17 de setembro de 2026 - 12:06COMBUSTÍVEIS
Mais caixa e dividendos no tanque: Santander divulga novo preço-alvo para Vibra (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3), com potencial de alta de 27%
16 de setembro de 2026 - 16:31NA BERLINDA
“Sem saída fácil”: Braskem (BRKM5) despenca mais de 13% após UBS BB rebaixar ação e cortar preço-alvo em 74%
16 de setembro de 2026 - 14:09LA BELLE DE JOUR
Amazon esquenta disputa em setor após aposta da Raia Drogasil (RADL3); veja quem vence, segundo o BTG Pactual
16 de setembro de 2026 - 12:01TIROU O PÉ
XP rebaixa ação da Sanepar (SAPR11) mesmo com potencial de 33% de alta na bolsa. O que está faltando para o papel?
16 de setembro de 2026 - 11:21QUEM ROUBA A CENA?
O roxinho perdeu o brilho? Itaú BBA rebaixa Nubank e elege um novo favorito entre os bancões
16 de setembro de 2026 - 10:44O CÉU É O LIMITE
Valor de mercado da Petrobras (PETR4) chega perto de R$ 700 bilhões, no maior patamar da história
15 de setembro de 2026 - 19:26FUSÕES E AQUISIÇÕES
JBS e Viva criam joint venture em couros, mas deixam ativos no Texas, na Alemanha e no México de fora
15 de setembro de 2026 - 19:14ATENÇÃO, ACIONISTA!
Dividendos e JCP: WEG (WEGE3) aprova quase meio bilhão de reais em proventos — mas não está sozinha
15 de setembro de 2026 - 17:52O MAIOR RETORNO PARA O SEU BOLSO
Empresas do Brasil pagaram mais de R$ 22 bilhões em dividendos no último trimestre; veja quem superou a Petrobras (PETR4) como maior pagadora
15 de setembro de 2026 - 13:28PROVENTOS
Dividendos e JCP: Dona da Vivo (VIVT3) vai pagar R$ 500 milhões aos acionistas; confira os prazos
14 de setembro de 2026 - 19:10SETE CHAVES?
O segredo da Vale (VALE3) não está mais tão bem guardado assim — e já aparece no preço da ação
14 de setembro de 2026 - 18:31JOIA ESCONDIDA?
Itaú BBA aposta em banco ‘fora do radar’ que entrega ROE acima de 30% e pode saltar 45% na bolsa
14 de setembro de 2026 - 17:58CRÉDITO PARA QUEM?
Com calote em alta e agro sob pressão, bancos fecham torneira para famílias e apostam em outro segmento
14 de setembro de 2026 - 16:32CONCORRÊNCIA
A5X, nova bolsa brasileira de derivativos, capta R$ 360 milhões com gigantes do mercado — e já tem data para estrear as negociações
14 de setembro de 2026 - 13:41FORÇA, FOCO E FÉ?
Cleusa Maria: a empresária que nunca tinha provado um bolo na vida e criou um império de R$ 800 milhões
14 de setembro de 2026 - 7:07CASO MASTER