Holding propõe trocar ações da Randoncorp (RAPT3) por Frasle (FRAS3); afinal, quem é a empresa?
A troca de ações RAPT3 por FRAS3 oferece um prêmio de até 65%; Frasle é um dos líderes globais em componentes de freios automotivos

Quem tem ações ordinárias da Randoncorp (RAPT3) passará por uma mudança na carteira. A DRAMD Participações e Administração, holding controladora da Randoncorp e que centraliza a gestão da fortuna da família Randon, fez uma oferta para trocar os papéis RAPT3 em circulação por ações de outra empresa da holding: a Frasle Mobility (FRAS3).
Na sexta-feira (31), depois do fechamento do mercado, ela protocolou na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) o pedido de registro de uma oferta pública facultativa (OPA) para aquisição de ações ordinárias.
As pessoas físicas representam apenas 5,97% das ações ordinárias em circulação, mas têm 27,30% das preferenciais. Já as pessoas jurídicas têm 0,11% dos papéis RAPT3 e estrangeiros, 0,03%.
"A Frasle é uma potência global no mercado de reposição automotiva (aftermarket) e negocia a múltiplos mais elevados, enquanto a Randoncorp tem um perfil mais ligado ao mercado doméstico de caminhões e negocia com um desconto que consideramos excessivo", diz o BTG Pactual.
Com essa operação, a família controladora fica mais perto de ter 50% do capital da Randoncorp — essa participação passaria a ser de aproximadamente 49%.
"Caso esse patamar seja alcançado, acreditamos que a tão aguardada unificação das classes de ações se tornaria viável, além de representar uma confirmação das promessas de aprimoramento dos padrões de governança corporativa", escreve o BTG Pactual em relatório.
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Detalhes da operação
A proporção de troca é de 2,7 ações da RAPT3 para cada papel da FRAS3. Segundo o JP Morgan, isso implica em um valor de R$ 12,80 por ação da RAPT3: é um prêmio de 45,5% em relação aos últimos 90 dias e de 65% em cima do último fechamento. É o maior valor que as ações da RAPT3 já tiveram.
A Previ, fundo de previdência dos funcionários do Banco do Brasil, detém 44,5% de todas as ações da Randoncorp disponíveis no mercado e já concordou em vender essa participação.
A DRAMD, que já possui 83,05% das ações ordinárias da companhia, passará a possuir pelo menos 90,58%, com a operação com a Previ, e até 100%. Para o JP Morgan, a adesão total à OPA é altamente provável, dado o prêmio oferecido.
O BTG Pactual nota que essa não é uma oferta para a deslistagem da Randoncorp da bolsa. A ação preferencial RAPT4, mais líquida, não passará por mudanças. O banco também relembra que a Previ já vinha aumentando sua participação na FRAS3, aumentando o free float da fabricante e a liquidez da ação.
A família controladora já havia participado de um aumento de capital da Randoncorp em julho de 2025, com um investimento de aproximadamente R$ 76 milhões. Agora, essa OPA sinaliza mais otimismo da família em relação ao desempenho futuro.
A oferta pública de aquisição (OPA) não afeta o acionista da Frasle, uma vez que as ações FRAS3 que serão negociadas pertencem à DRAMD.
Porém, "além disso, os acionistas que atualmente detêm ações RAPT3 passarão a receber ações FRAS3 e poderão vendê-las para zerar suas posições, realizando um ganho expressivo", o que pode ser um ponto de pressão sobre os papéis, diz o JP Morgan.
Mas, afinal, quem é a Frasle Mobility, cujas ações serão dadas em troca dos papéis da Randoncorp?
Quem é a Frasle
Criada em 1954, em Caxias do Sul (RS), como Indústria Francisco Stedile & Cia., a Frasle Mobility tem atuação global para uma área um tanto específica: ela fabrica componentes para sistemas de freio.
É líder na América Latina nesse setor e uma das maiores do mundo. Atende fabricantes de carros, caminhões, ônibus, motos, trens, metrôs e até aeronaves com pastilhas, lonas, sapatas de freio e outros componentes.
É fornecedora oficial das pastilhas de freios dos carros da Stock Car, por exemplo, em conjunto com sua subsidiária Fremax.
Com valor de mercado de aproximadamente R$ 6,3 bilhões, tem fábricas no Brasil, Estados Unidos, Índia e China, centros de distribuição na Argentina, Colômbia e Europa, e operações comerciais nos EUA, Chile, Alemanha e México.
Sua atuação internacional começou com em 1969, com a primeira exportação ao Paraguai. Na década de 1990, implementou operações nos EUA e na Argentina. Ao final da década, tornou-se uma empresa do grupo Randon, hoje Randoncorp.
Ela teve receita líquida de R$ 1,2 bilhão no primeiro trimestre do ano, queda de 6,1%, com Ebitda ajustado de R$ 209,7 milhões, recuo de 17,1% na comparação anual. A margem Ebitda foi de 16,8% no trimestre.
As receitas da Frasle cresceram 12% ao ano no segundo trimestre, segundo a prévia do balanço. A empresa ainda passa por uma demanda fraca de veículos pesados, refletindo renovação cautelosa de frotas e alto custo de financiamento, diz a XP em relatório de maio.
Já a Randoncorp tem 77 anos de história e presença em mais de 125 países. Com 34 unidades industriais, trabalha com autopeças, equipamentos de transporte de cargas e é fabricante de vagões e implementos rodoviários. Ela também tem uma marca de peças de freios, a Master.
No início do ano, fechou um contrato com a Arauco Porto Brasil para o fornecimento de vagões por cerca de R$ 770 milhões. As operadoras logísticas da Rumo (RAIL3) entraram como intermediárias no negócio, já que esses vagões irão rodar nas suas ferrovias.
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