Menu
2019-10-14T14:25:06+00:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Balanço surpreendente

Sabe quem é a bola da vez no mercado americano? A boa e velha Microsoft

A Microsoft reportou resultados trimestrais fortes e, com isso, suas ações atingiram uma nova máxima histórica. E analistas veem mais espaço para as ações da empresa fundada por Bill Gates continuarem subindo

19 de julho de 2019
15:08 - atualizado às 14:25
Bill Gates
A Microsoft, fundada por Bill Gates, reportou um balanço trimestral que surpreendeu positivamente o mercado - Imagem: Shutterstock

Numa noite do longínquo 1994, o jovem Victor Aguiar estava uma pilha de ansiedade. Meu pai estava a caminho de casa e trazia consigo uma máquina de última geração: um computador. Mais precisamente, um poderoso 486 equipado com o Microsoft Windows 3.11.

Era uma ocasião marcante: aquele seria o primeiro PC de nossa casa. E, numa época bem anterior à internet, o universo da computação ainda estava envolto numa aura de mistério e aventura — ao menos para o jovem Victor Aguiar, que não via a hora de explorar aquele mundo.

Passados 25 anos, é um pouco engraçado lembrar disso. Afinal, hoje os computadores ocupam um papel tão importante em nossas vidas que sequer paramos para pensar em sua presença — aqui na redação do Seu Dinheiro, por exemplo, há dezenas de computadores e sabe-se lá quantos smartphones. Muita coisa mudou de lá para cá.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

Uma das poucas variáveis que permaneceram constantes nesse mundo é o papel da Microsoft. Apesar de outras gigantes terem emergido no setor de tecnologia nas últimas décadas — como a Apple, o Google ou o Facebook —, a empresa fundada por Bill Gates conseguiu se sustentar como um dos pilares desse universo.

Não é fácil se manter relevante por tanto tempo, ainda mais num segmento particularmente competitivo e inovador, como o de tecnologia. Mas a Microsoft dá sinais de que ainda permanecerá no topo por bastante tempo — e o mercado financeiro dá um voto de confiança à veterana.

Nesta sexta-feira (19), as ações da Microsoft chegaram a subir 3,1% na máxima, a US$ 140,65 — uma nova máxima intradiária para os papéis. Ao fim do dia, os ativos perderam força e fecharam com leve ganho de 0,15%, a US$ 136,62 — o maior nível de fechamento é de US$ 138,90, no dia 15.

Tela do Windows 3.11
Para quem não pegou essa época, eis uma tela do clássico Windows 3.11. Bons tempos, bons tempos - Imagem: Internet Archive / Seu Dinheiro

Mas, apesar de as ações terem encerrado longe das máximas, os ganhos desta sexta elevaram o valor de mercado da Microsoft para US$ 1,047 trilhão — na máxima, chegou ao nível de US$ 1,06 trilhão. Com isso, a empresa segue confortavelmente na liderança da tabela das companhias mais valiosas do mundo.

Essa nova dose de otimismo em relação à Microsoft está relacionada ao balanço trimestral da empresa, reportado na noite de ontem. Os agentes financeiros projetavam bons resultados para a gigante, mas foram surpreendidos pela força dos números.

Nas nuvens

Indo direto ao ponto: a Microsoft terminou o trimestre encerrado em 30 de junho com lucro líquido de US$ 13,1 bilhões, um crescimento de 48,6% em relação ao resultado obtido no mesmo intervalo do ano anterior, de US$ 8,8 bilhões. A receita líquida também melhorou:  avanço foi de 12% na mesma base de comparação, para US$ 33,7 bilhões.

As cifras, por si só, dão um sinal da força da empresa fundada por Bill Gates. No entanto, um olhar mais detalhado a respeito dos resultados setoriais da Microsoft trouxe ainda mais otimismo aos mercados — em especial, no setor de computação em nuvem, ou seja, o gerenciamento e armazenamento remoto de dados.

Dos US$ 33,7 bilhões de receita, o segmento de computação em nuvem — considerado como fundamental para a empresa no médio e longo prazo — foi responsável por gerar US$ 11,4 bilhões, um aumento de 18,6% em um ano. A divisão de produtividade e processos corporativos respondeu por US$ 11 bilhões (+14,3%) e a área de computação pessoal obteve US$ 11,3 bilhões (+4,3%).

Com o fortalecimento da geração de receita em todas as suas divisões, em especial a de computação em nuvem, a Microsoft encerrou o trimestre com lucro operacional de US$ 12,4 bilhões, um crescimento de 19,5% na base anual.

Rumo aos céus

"A Microsoft superou as expectativas em todas as categorias e o segmento de computação nas nuvens continua sendo um forte catalisador de crescimento", escreve Daniel Ives, analista da Wedbush, em relatório publicado nesta manhã. A casa possui recomendação de compra para as ações da companhia, com preço-alvo de 12 meses em US$ 160.

Ives ressalta que os fortes resultados representam um ponto de inflexão para a Microsoft, uma vez que, a partir de agora, mais e mais empresas passarão a escolher a companhia para os serviços de nuvem — a Amazon e o Google também competem nesse setor. "Esse trimestre foi um completo estouro", diz o analista.

Quem também mostrou-se muito impressionado com o balanço da Microsoft foi o Raymond James. Em relatório, o analista Michael Turits diz que companhia fundada por Bill Gates estabeleceu uma forte vantagem competitiva como uma das principais fornecedora de serviços em nuvem em larga escala.

Com os resultados, o Raymond James elevou o preço-alvo para os papéis da Microsoft, de US$ 160 para US$ 163, e reiterou a recomendação de "forte compra" para os ativos.

Por fim, o analista Mark Murphy, do J.P. Morgan, também assume uma postura otimista em relação à Microsoft, citando as boas perspectivas para a empresa nos próximos anos. A instituição possui recomendação de compra para as ações e elevou o preço-alvo de US$ 145 para US$ 155.

No topo do ranking

Eu posso dizer que tenho uma coisa em comum com o bilionário Bill Gates: nós dois somos fãs fervorosos do tenista Roger Federer. E a Microsoft parece se espelhar no suíço, já que consegue se sustentar entre as líderes do ranking de companhias de maior valor de mercado há anos.

Veja só: Federer chegou à liderança do ranking mundial de tenistas em 2004 e, desde então, nunca se distanciou muito do topo — os outros jogadores que compunham o top 5 em 2004 já se aposentaram. A Microsoft tem uma trajetória semelhante.

Voltemos dez anos no tempo. Segundo o Financial Times, o top 5 de valor de mercado em junho de 2009 era composto por PetroChina, Exxon Mobil, ICBC, Microsoft e China Mobile, nesta ordem.

E em 19 de julho de 2019, como está a lista? Conforme já foi dito, a Microsoft é a número 1, com valor de mercado de US$ 1,047 trilhão, seguida por Amazon (US$ 967,2 bilhões), Apple (US$ 932,1 bilhões), Alphabet (US$ 784,9 bilhões) e Facebook (US$ 566,2 bilhões).

Ou seja: de lá para cá, apenas a empresa fundada por Bill Gates se sustentou entre os líderes. E, a depender da visão dos analistas, a Microsoft deve permanecer no alto por um bom tempo.

Comentários
Leia também
Um self service diferente

Como ganhar uma ‘gorjeta’ da sua corretora

A Pi devolve o valor economizado com comissões de autônomos na forma de Pontos Pi. Você pode trocar pelo que quiser, inclusive, dinheiro

Siga o dinheiro

Fuga de dólares bate US$ 40 bilhões em 12 meses. Surpreso? Não deveria…

Saída de recursos é a maior desde que abandonamos o regime de bandas cambiais em 1999. Desde abril, o BC vem alertando para uma mudança estrutural no mercado de câmbio

Boas novas

Juro baixo faz BlackRock ampliar aposta no Brasil

A projeção é que a Selic baixa empurre investidores para ativos de mais risco, incluindo investimentos no exterior, que ainda engatinham por aqui

dinheiro no bolso

36,9 milhões de correntistas da Caixa já sacaram recurso do FGTS

Saque de até R$ 500 por conta ativa ou inativa do fundo tem sido feito de forma escalonada, dependendo da data de aniversário de trabalhador

novas funções

Relator de MP que permite saque do FGTS vai ampliar forma de aplicação do fundo

Hoje, a lei só permite que o dinheiro seja usado para financiar moradias, saneamento e infraestrutura

todo mundo no azul

Bolsonaro assina MP que promete estimular regularização de dívidas

Texto foi chamado de MP do Contribuinte Legal e, segundo o governo, é alternativa mais justa do que parcelamentos especiais (Refis)

Exile on Wall Street

Há salvação para o investidor?

Escolhemos hoje, sobre resultados que só acontecerão no futuro. E não adianta tentar, no presente, penetrar o futuro. Há razão objetiva para serem tempos verbais diferentes. Afinal, ora, são coisas diferentes. Se fossem a mesma, teriam o mesmo nome.

Manda mais

Governo envia a Congresso mais 8 projetos de lei pedindo aval para crédito

As propostas se somam a outros dez projetos de lei pedindo autorização para a liberação de crédito extra também enviados formalmente na terça, conforme avisou a edição regular do Diário Oficial de terça-feira.

juntas

Governo dá mais um passo para aproximar Correios e Telebras do setor privado

Ambas foram incluídas no Programa de Parcerias de Investimentos da Presidência da República (PPI)

racha

Bolsonaro diz que não quer tomar PSL, mas cobra abertura dos gastos do partido

Perguntado se deseja a saída do presidente do PSL, o deputado federal Luciano Bivar (PE), Bolsonaro disse que não defende “nada”

Memória

Estilo madrugador de Lázaro Brandão ajudou a forjar a cultura do Bradesco

Depois de 75 anos dando expediente religiosamente a partir das 7 da manhã, “seu Brandão” manteve dedicação ao banco mesmo após deixar as funções executivas. Eu conto algumas ocasiões em que estive com o lendário banqueiro

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements