De vídeos caseiros a uma empresa estruturada: qual foi a ‘fórmula’ da empreendedora Nath Finanças para se destacar dentro (e fora) da internet?
O negócio de educação financeira começou com conteúdo gratuito e expandiu para mais de 30 funcionários, palestras empresariais, consultorias e plataforma de streaming

Quem acompanha conteúdos de finanças pessoais e educação financeira na internet já deve ter se deparado com um nome: Nath Finanças. O negócio que, em 2026, celebra sete anos, soma mais de 2,6 milhões de seguidores nas redes sociais e tem uma história que serve como reflexo para uma parte significativa dos empreendedores no Brasil.
O nome por trás da iniciativa é Nathália Rodrigues, uma mulher nascida em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, formada em administração de empresas e que atualmente tem 27 anos.
A proposta da Nath Finanças é, principalmente, a produção de conteúdo online, que sempre foi a raiz do negócio mesmo antes de se tornar um empreendimento.
A ideia surgiu com a percepção de um problema a ser resolvido entre as pessoas – e até mesmo na própria vida: a falta de conhecimento sobre conceitos financeiros.
Antes de dar às caras e gravar vídeos na internet, a empreendedora teve diferentes empregos que tinham contato com pessoas de baixa renda, como vendedora e atendente de shopping, e ela mesma fazia parte dessa realidade.
Portanto, Rodrigues explica que conversar sobre educação financeira nunca foi comum e escutou essas duas palavras pela primeira vez durante a faculdade de administração.
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“Um professor disse que não adianta alguém querer aprender a administrar um negócio e fazer uma empresa crescer se não tem educação financeira. Aquilo me fez virar uma chave para tentar aprender sobre isso”, afirmou em conversa com o Seu Dinheiro.
Ao estudar sobre o assunto em cursos e pesquisas na internet, ela percebeu um espaço a ser preenchido.
Em 2019, quando o projeto nasceu, os criadores de conteúdo online já eram comuns, mas quem falava sobre finanças pessoais tratava o assunto de forma muito geral, o que não atendia a todas as classes sociais.
“O conteúdo que existia era explicando como investir R$ 1 mil por mês. Isso era meu salário. Bateu uma frustração e eu pensei que não era possível ninguém estar falando com as pessoas de rendas menores. Foi nesse momento que eu criei a Nath Finanças.”
Foco em um nicho e planejamento
Uma das grandes lições de empreendedorismo da história da Nath Finanças é a necessidade de ter um plano estruturado.
No início, a empreendedora não via a iniciativa como uma possibilidade de renda principal. Para ela, era um projeto realizado depois do trabalho, com baixo investimento. Os vídeos eram gravados em casa, com o próprio celular, com a iluminação do dia e os roteiros criados com base em pesquisas e nos aprendizados da faculdade.
Tanto é que o investimento inicial do projeto foi baixo, de R$ 40, para comprar um tecido que servia como fundo do cenário.

Apesar da estrutura simples, o planejamento foi uma prioridade desde o início. “Escrevi o plano de negócios, embora ainda não fosse uma empresa. Defini meus objetivos, segmentei o público-alvo e pensei em uma estratégia para conseguir falar com essas pessoas”, relembra.
Quando começou na internet, já existiam outros nomes de peso no segmento de finanças pessoais. Porém, a empreendedora explica que não se comparou com outros negócios. “Se antes de começar algo, pensar que muita gente já está fazendo isso, não vai sair do papel. É preciso identificar um diferencial e resolver algum problema do seu público”, diz.
A Nath Finanças decidiu nichar o assunto e direcionar o conteúdo para quem buscava, principalmente, sair das dívidas, controlar o orçamento e guardar dinheiro em valores menores do que era indicado por outros criadores de conteúdo.
Também foi importante escolher a plataforma mais eficaz para se comunicar com o seu público. Ela criava vídeos mais longos e explicativos para o Youtube, mas também apostou no X (na época, ainda Twitter) por permitir pequenos conteúdos em texto.
“A maioria dos criadores estava somente nos vídeos porque tinha recursos para gravar e editar de forma mais prática, mas eu não tinha isso. Decidi usar uma rede social que fosse gratuita, rápida e eficaz para informar”, disse.
A participação no Twitter foi, inclusive, o que chamou a atenção de uma produtora da Globo, que a convidou para uma participação no programa Encontro para falar sobre finanças pessoais, ainda em 2019.
Isso gerou o interesse de uma empresa de quitação de dívidas, que ofereceu o valor de R$ 1.200 por uma publicidade durante um vídeo no YouTube. Essa foi uma virada de chave para que ela entendesse a Nath Finanças como um negócio que poderia gerar retorno financeiro.
A pandemia reforçou a segmentação do público
Um período importante na atuação da Nath Finanças foi a pandemia de coronavírus, que trouxe mais visibilidade para o seu serviço.
O conteúdo de muitos criadores era focado no aproveitamento dos juros baixos durante a pandemia. A taxa Selic atingiu a mínima histórica na segunda metade de 2020, a 2% ao ano.
Quem acompanha o mercado financeiro sabe: juros menores tendem a significar uma maior expectativa de retorno em investimentos de risco. Além disso, o financiamento de imóveis e outros bens fica mais atrativo.
Mas o público da Nath Finanças tinha outras prioridades: endividamento, perda de emprego, acesso ao auxílio emergencial e saque do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), por exemplo.
Ela reforçou os conteúdos sobre esses assuntos e o resultado apareceu rapidamente. Em um mês, os seguidores no Twitter saltaram de 10 mil para 300 mil.
Atuação diversificada e adaptação
O comportamento do público mudou ao longo dos sete anos de empresa. A empreendedora diz que, atualmente, os brasileiros de baixa renda já têm um conhecimento maior sobre finanças pessoais.
“Eu falo com pessoas que recebem até cerca de R$ 4 mil. Elas estão mais informadas, criteriosas e querem estar sempre atualizadas”, afirmou. Por isso, o negócio se atualiza à medida que as necessidades do público mudam.
Recentemente, por exemplo, a Nath Finanças produziu uma série de conteúdos no YouTube sobre as plataformas de apostas, as bets, e os riscos atrelados a essa prática.
Outro movimento que aconteceu foi a popularização de outras redes sociais, como o TikTok. Hoje, existe uma infinidade de tiktokers que produzem conteúdos de finanças pessoais. Esse “boom” também levou a empresa a outras formas de atuação.
O que o negócio oferece
Os vídeos no YouTube e as publicações no Instagram e X continuam, além de um podcast que foi criado no ano passado. Neles, a monetização acontece por meio de contratos de publicidade.
Mas também existem outras iniciativas comerciais com a Nath Finanças. A empreendedora oferece palestras para empresas, consultorias individuais e tem uma plataforma de streaming com conteúdos de finanças pessoais e investimentos, a Nath Play, que foi lançada em 2022.
Nessa plataforma, os clientes podem optar por dois planos: o básico, de R$ 12,90 por mês, ou o premium, de R$ 39,90. Na versão mais cara, os assinantes têm mentorias de empreendedorismo com a própria Nath Finanças a cada dois meses.
Ela também tem tem quatro livros publicados sobre organização financeira e empreendedorismo, inclusive uma trilogia infantil feita em parceria com o cartunista Ziraldo, que terá o terceiro livro publicado em breve.
O que Nath Finanças espera daqui para frente?
Atualmente, a empresa que nasceu com vídeos gravados em casa tem mais de 30 funcionários. A expectativa de impactar um público ainda maior.
Um dos planos de 2026 é focar na criação de conteúdos de educação financeira para crianças.
“Quando fiz a parceria com o Ziraldo, muitos pais compartilharam o quanto aqueles livros ajudaram os filhos a entender mais sobre os assuntos. Então quero falar mais de educação financeira para essas crianças”, comenta.
Além disso, a empresa planeja trabalhar na área de tecnologia para oferecer mais serviços no streaming Nath Play. Segundo a empreendedora, o objetivo é desenvolver novas ferramentas aproveitando os avanços da inteligência artificial, principalmente com foco nas necessidades de empreendedores.
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