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ENTENDA QUANDO NEGOCIAR

Desenrola Empresas promete aliviar dívidas — mas nem todo negócio deveria correr para aderir 

Programa amplia prazo e crédito para pequenas empresas, mas é preciso fazer cálculos antes de renegociar

Desenrola Empresas promete aliviar dívidas Imagem: Nanci Santos/iStock

Pequenos negócios sufocados pelo peso dos financiamentos caros podem aderir à nova etapa do Novo Desenrola Brasil, lançada em 4 de maio. Com duração de 90 dias, o programa abre espaço para que micro e pequenas empresas renegociem dívidas, alonguem prazos e troquem empréstimos antigos por linhas com condições mais favoráveis.

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A proposta parece tentadora: descontos que podem chegar a 90% sobre dívidas, juros menores, mais prazo para pagar e limites de crédito ampliados. Em um cenário em que muitas empresas ainda tentam reorganizar o caixa, o programa surge como uma chance de ganhar fôlego financeiro.

Mas a adesão não deve ser automática.

Para Eduardo Menicucci, professor associado da Fundação Dom Cabral (FDC), o Desenrola pode ser uma ferramenta importante para negócios pressionados pelo endividamento — desde que a renegociação faça sentido para a saúde financeira da empresa.

“Se eventualmente o empreendedor estiver conseguindo honrar os seus créditos tomados sem muito estresse, vida que segue. Eu recomendo nem mexer com esse programa novo”, afirma em entrevista ao Seu Dinheiro.

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Segundo ele, a troca de dívidas só vale a pena quando os empréstimos começam a comprometer a capacidade operacional da empresa e travar o fluxo de caixa.

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O que é o Desenrola Empresas?

O Desenrola Empresas busca ampliar o acesso ao crédito e melhorar as condições de financiamento por meio de garantias públicas.

A expectativa do governo é alcançar mais de 2 milhões de empresas com mudanças em linhas como ProCred e Pronampe. As alterações incluem ampliação de prazos, aumento dos limites de crédito e extensão do período de carência.

A medida pode beneficiar especialmente empresas que contrataram crédito caro em momentos de aperto financeiro e agora buscam reorganizar as contas.

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Quais são as novas regras?

As mudanças atingem programas de crédito que usam o Fundo Garantidor de Operações (FGO), como ProCred360 e Pronampe.

Para microempresas com faturamento anual de até R$ 360 mil:

  • o período de carência passou de até 12 para até 24 meses;
  • o prazo total de pagamento subiu de 72 para 96 meses;
  • a tolerância para atraso aumentou de 14 para 90 dias;
  • o limite de contratação passou de 30% do faturamento, limitado a R$ 150 mil, para 50% do faturamento, com teto de R$ 180 mil.

No caso de empresas lideradas por mulheres, o limite de crédito foi ampliado de 50% para 60% do faturamento, mantendo o teto de R$ 180 mil.

As mudanças também valem para micro e pequenas empresas atendidas pelo Pronampe/FGO, voltado a negócios com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões.

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Nesse grupo:

  • a carência também passou de até 12 para até 24 meses;
  • o prazo máximo de pagamento subiu de 72 para 96 meses;
  • a tolerância para atrasos foi ampliada de 14 para 90 dias;
  • o limite total de crédito disponível aumentou de R$ 250 mil para R$ 500 mil.

O risco de transformar renegociação em rotina

Apesar das vantagens, Menicucci faz um alerta sobre um possível efeito colateral do programa.

“O lado ruim que eu vejo desse programa é que ele pode criar uma sensação de que isso se tornará rotina.”

Segundo ele, a repetição de programas de renegociação pode estimular parte das empresas a adiar pagamentos esperando novas condições facilitadas no futuro.

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Ainda assim, o professor reconhece que o programa pode ser importante para negócios que enfrentam dificuldades financeiras.

“As empresas, por inúmeras razões, chegaram ao nível de inadimplência. O programa surge para tentar soerguê-las, para tentar recuperá-las ou manter uma possibilidade de crescimento.”

Quando renegociar realmente faz sentido?

Um dos indicadores citados pelo professor é o Índice de Cobertura de Juros, que mede quanto a despesa financeira pesa sobre o resultado operacional da empresa.

O cálculo parte do resultado operacional — ou seja, o valor que sobra depois de descontar custos e despesas da receita.

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Depois, esse resultado é comparado ao valor das parcelas de empréstimos e financiamentos.

No mundo ideal, diz o professor, o financiamento não ultrapassaria 15% do resultado operacional. Ou seja, se a empresa gera R$ 10 mil de resultado operacional, o ideal seria gastar no máximo R$ 1,5 mil com despesas financeiras.

No entanto, na prática, ele sugere o seguinte cálculo:

  • quando as parcelas consomem cerca de 50% do resultado operacional, a situação já exige atenção;
  • acima de 70% ou 80%, a renegociação passa a ser necessário;

O que fazer com o alívio no caixa?

Para Menicucci, a prioridade após renegociar dívidas não deveria ser expandir a empresa imediatamente, mas reorganizar a operação.

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A ordem sugerida por ele é:

  • pagar salários e encargos;
  • manter fornecedores em dia;
  • evitar atrasos tributários.

Embora veja o investimento como importante para o crescimento das empresas, o docente avalia que o cenário econômico ainda pede cautela. "Esse é o momento para priorizar liquidez", afirma.

Segundo ele, a recomendação vale especialmente para 2026 e o primeiro trimestre de 2027, em um ambiente ainda marcado por volatilidade.

Desenrola para empresas já renegociou R$ 7,5 bilhões

Esta é a segunda edição de um programa Desenrola voltado à pessoa jurídica.

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Em 2024, o governo lançou o Desenrola Pequenos Negócios, direcionado a microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte com faturamento de até R$ 4,8 milhões.

Na ocasião, foram renegociados R$ 7,5 bilhões em dívidas de mais de 120 mil empreendedores.

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9 de maio de 2026 - 11:07
Dinheiro, calculadora e uma lupa 27 de abril de 2026 - 13:45
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