3 títulos de renda fixa isentos de imposto de renda para comprar com a Selic em queda, segundo a Empiricus
A nova fase dos juros favorece títulos de renda fixa indexados à inflação e reacende a perspectiva das debêntures incentivadas

A renda fixa está entrando em uma nova fase. Depois de anos em que bastava esperar o próximo aumento dos juros para encontrar aplicações mais rentáveis, o movimento agora é o oposto: comprar títulos antes que as taxas fiquem menores. É essa janela que a Empiricus enxerga hoje nas debêntures incentivadas — dívidas de empresas com isenção de imposto de renda sobre os rendimentos.
A casa acredita que alguns papéis carregam prêmios generosos e ainda podem oferecer ao investidor um retorno além do contratado, com ganhos adicionais se os juros continuarem caindo.
Após o corte da Selic para 13,75% ao ano pelo Banco Central na semana passada, e diante da perspectiva de novas reduções à frente, a casa reforçou a preferência por debêntures incentivadas indexadas à inflação (IPCA+), de setores defensivos como saneamento, energia e infraestrutura.
O motivo é a potencial valorização desses papéis no mercado secundário — de negociação entre investidores nas plataformas de corretoras.
Títulos indexados à inflação variam de preço e taxa conforme as expectativas do mercado para os juros no futuro.
Como o momento é de projeções de juros menores, a tendência é os investidores passarem a exigir taxas menores das debêntures incentivadas também.
Leia Também
Se isso acontecer, o preço desses títulos sobe e gera um “ganho extra” pela marcação a mercado.
A valorização das debêntures incentivadas
Quem investe em uma debênture incentivada olha primeiro para a rentabilidade anunciada.
Se um papel paga, por exemplo, IPCA + 8% ao ano, esse é o retorno que o investidor receberá caso permaneça com o título até o vencimento e não ocorra nenhum problema de crédito pelo caminho.
Mas existe uma segunda fonte possível de ganhos.
Ao longo da vida do título, seu preço oscila diariamente. Quando os juros caem ou quando o mercado passa a enxergar menos risco naquela empresa, investidores aceitam receber taxas menores para comprar aquele mesmo papel.
O resultado é uma correção entre preço e taxa para manter a equivalência de retorno no vencimento do título. Na prática, a queda da taxa faz com que o preço da debênture suba.
É a chamada marcação a mercado — que também atua em outros títulos de renda fixa, como os títulos públicos, CRIs e CRAs.
Quem comprou uma debênture pagando IPCA + 8% pode ver seu título se valorizar caso, meses depois, o mercado aceite IPCA + 7% no mesmo papel.
Esse ganho, porém, não é automático.
Ele aparece no preço do ativo e só se confirma quando o investidor vende o título antes do vencimento.
Quando o investidor carrega o papel até o prazo final, a empresa paga a taxa contratada, independentemente das oscilações de mercado.
Quando a Empiricus fala em potencial de valorização das debêntures incentivadas, os analistas estão apostando na redução das taxas exigidas pelo mercado, de modo que o preço desses papéis aumente.
A seleção de renda fixa isenta
Águas do Rio (Aegea)
Entre as três recomendações da carteira, a que mais chama atenção é a debênture RIS422, da Águas do Rio. A Empiricus aumentou seu grau de convicção na recomendação e indica uma exposição máxima de até 6% da carteira para o papel.
A tese está ligada aos eventos que abalaram a confiança dos investidores na controladora Aegea ao longo deste ano.
A companhia enfrentou questionamentos depois de atrasar a divulgação de seus resultados de 2025 e realizar ajustes em demonstrações financeiras anteriores.
Em um mercado já sensível a problemas de governança corporativa, o episódio levou muitos investidores a se desfazerem dos títulos da empresa.
Segundo o relatório, esse movimento fez as taxas subirem de forma exagerada. Neste momento, a debênture RIS422 está negociando no mercado secundário a uma taxa de IPCA + 11,42%.
A Empiricus afirma que, ao longo dos últimos meses, a situação operacional segue melhorando.
A geração de caixa avançou, a rentabilidade cresceu e os acionistas aprovaram um aporte adicional de R$ 2,1 bilhões, reforçando a estrutura financeira do grupo.
Para a casa, o mercado ainda não reconheceu totalmente essa melhora. É justamente essa diferença entre a percepção atual e os fundamentos da empresa que sustenta a recomendação.
A partir do momento que o mercado reconhecer o avanço, enquanto a taxa de juros segue recuando, o prêmio deve cair e fazer o papel de renda fixa se valorizar rapidamente.
Dados da debênture de Águas do Rio:
- Emissor: Águas do Rio (Aegea)
- Setor: Saneamento
- Ticker: RIS422
- Isenção de IR: sim
- Data de vencimento: 15/01/2042
- Rating: A
- Taxa: IPCA + 11,42% (em 17/09/2026)
- Garantia: Real e fidejussória (Aegea é fiadora)
Equatorial Goiás
A segunda indicação é a debênture CGOSA2, da Equatorial Goiás, um dos maiores grupos de distribuição de energia do país.
O principal argumento para esse título de renda fixa é o preço.
A avaliação da casa é que o título continua pagando um prêmio superior ao de outras debêntures do setor elétrico, apesar de a companhia apresentar indicadores de crédito considerados sólidos e contar com garantia da holding controladora do grupo.
Os resultados operacionais mais recentes da holding reforçaram essa percepção.
A distribuição de energia, principal negócio da companhia, continuou crescendo, enquanto indicadores de qualidade operacional e redução de perdas mostraram evolução, segundo a Empiricus.
O ponto de atenção está no aumento da dívida.
A participação adquirida na Copasa elevou o endividamento da Equatorial, e o resultado financeiro foi pressionado justamente pelo custo maior dessa dívida. Ainda assim, a liquidez permanece confortável, segundo o relatório.
Para a Empiricus, o investidor está sendo remunerado por um risco que parece maior no preço do que nos fundamentos.
Dados da debênture de Equatorial Goiás:
- Emissor: Equatorial Goiás
- Setor: Energia elétrica
- Ticker: CGOSA2
- Isenção de IR: sim
- Data de vencimento: 15/01/2038
- Rating: AAA
- Taxa: IPCA + 7,70% (em 17/09/2026)
- Garantia: Fidejussória (Equatorial é fiadora)
Ecorodovias
A terceira recomendação da carteira é a ERDVB4, emitida pela Ecorodovias.
A empresa opera alguns dos principais ativos rodoviários do país, incluindo o sistema Anchieta-Imigrantes, ligação estratégica com o Porto de Santos.
O que sustenta a tese da Empiricus são características que costumam agradar investidores de renda fixa: receitas previsíveis, contratos de longo prazo, reajustes vinculados à inflação e forte geração operacional.
O outro lado da história é que a companhia atravessa um ciclo intenso de investimentos.
O nível de endividamento aumentou no último trimestre, refletindo o volume expressivo de obras e expansão das concessões. Isso significa que parte relevante dos recursos investidos ainda precisará se transformar em geração de caixa nos próximos anos.
Embora a empresa esteja investindo pesado, a Empiricus avalia que ela controla algumas das rodovias mais estratégicas do país, tem receitas corrigidas pela inflação e mantém uma posição de caixa considerada confortável.
Atualmente, a Ecorodovias tem cerca de R$ 5,4 bilhões em caixa, com um prazo médio de vencimento de dívida de 7,6 anos. Além disso, 90% das amortizações das dívidas estão previstas para a partir de 2028, de modo que o risco no curto prazo é muito baixo.
A avaliação da casa é que a qualidade dos ativos, a longa duração da dívida e a posição confortável de caixa compensam esse risco adicional do endividamento.
Dados da debênture de Ecorodovias:
- Emissor: Ecorodovias
- Setor: Transporte
- Ticker: ERDVB4
- Isenção de IR: sim
- Data de vencimento: 15/06/2034
- Rating: AAA
- Taxa: IPCA + 8,31% (em 17/09/2026)
- Garantia: quirografária (sem garantia)
TESOURO DIRETO
Restrito ao Banco do Brasil, Tesouro Reserva chega a R$ 8 bilhões em apenas cinco meses; o que explica o sucesso do novo título público?
29 de outubro de 2026 - 13:19RENDA FIXA
“Marcação a mercado não é volatilidade, é transparência para o investidor”, diz diretor da BlackRock ao defender ETFs de renda fixa
28 de outubro de 2026 - 17:39OLHA O IMPOSTO DE NOVO
LCIs, LCAs e outros isentos voltam à mira do governo e podem passar a ter IOF, diz jornal
28 de outubro de 2026 - 11:49RENDA FIXA
Renda fixa em promoção? Juros sobem após a eleição e XP vê oportunidade em títulos que agora estão mais baratos
27 de outubro de 2026 - 19:45DIA DE SANGRIA
O Tesouro IPCA+ 8% está de volta: Tesouro Direto abre com altos retornos e tombo de mais de 20% nos títulos públicos
26 de outubro de 2026 - 13:19RENDA FIXA
Tesouro Direto permanece fechado após vitória de Lula por forte oscilação nos retornos; o que acontece agora?
26 de outubro de 2026 - 10:45RENDA FIXA
CRAs estão com os dias contados? Dinheiro do agronegócio está migrando para outros papéis isentos, mostram dados da Anbima
20 de outubro de 2026 - 18:31SD ENTREVISTA
Brasileiro é ‘viciado em CDI’, mas queda de juro pode fazer bem para a renda fixa, diz gestor de crédito que se antecipou à onda de resgates
20 de outubro de 2026 - 15:41RENDA PASSIVA EM DOBRO
Banco do Brasil lança ‘Cofrinho de Proventos’ para reinvestir dividendos de forma automática, mas tem um ponto de atenção
19 de outubro de 2026 - 17:02RENDA FIXA
Vale trocar um Tesouro IPCA+ por uma debênture da Sabesp? Títulos isentos passam a pagar mais que os públicos, mostra BTG
16 de outubro de 2026 - 17:33ESTRATÉGIA DE INVESTIMENTO
XP recomenda vender títulos do Tesouro Direto para comprar papéis isentos; veja as indicações na renda fixa
14 de outubro de 2026 - 18:32Conteúdo Empiricus
Tesouro IPCA+ entregou mais de 14% de valorização com resultado do 1º turno; confira as oportunidades na renda fixa para a segunda metade das eleições
14 de outubro de 2026 - 15:05SD EXPLICA
O que aconteceu com as LCIs e LCAs que pagavam de 95% a 100% do CDI? Entenda por que elas estão sumindo
13 de outubro de 2026 - 14:27RENDA FIXA
Tesouro Direto: o mercado queimou a largada? Confira a tese defensiva do Safra para os títulos públicos
8 de outubro de 2026 - 18:15RENDA FIXA
Tesouro Direto: Tesouro IPCA+ 8% não existe mais, e quem comprou já lucra até 25%; veja quanto os títulos pagam agora
7 de outubro de 2026 - 18:23CARTEIRA RECOMENDADA
Ainda tem renda fixa pagando IPCA+ 8% por aí: veja a escolha dos bancões para títulos isentos e Tesouro Direto
7 de outubro de 2026 - 16:02VISÃO DO GESTOR
A eleição já mudou a forma de investir? Gestora de fortunas aumenta aposta em Tesouro IPCA+, prefixados e ações
6 de outubro de 2026 - 18:29CRÉDITO PRIVADO
A correção das debêntures incentivadas acabou? Sparta vê risco de nova onda de resgates
6 de outubro de 2026 - 15:58RENDA FIXA
Tesouro Direto: preços disparam e taxas caem após primeiro turno, com ‘otimismo Flávio’; veja quanto o Tesouro IPCA+ oferece agora
5 de outubro de 2026 - 15:49RENDA FIXA