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Monique Lima

Monique Lima

Monique Lima é jornalista com atuação em renda fixa, finanças pessoais, investimentos e economia, com passagem por veículos como VOCÊ S/A, Forbes, InfoMoney e Suno Notícias. Formada em Jornalismo em 2020, atualmente, integra a equipe do Seu Dinheiro como repórter, produzindo conteúdos sobre renda fixa, crédito privado, Tesouro Direto, previdência privada e movimentos relevantes do mercado de capitais.

CARTEIRA RECOMENDADA

Livres de imposto de renda: as recomendações de CRI, CRA e debêntures incentivadas para fevereiro

Carteiras recomendadas de bancos destacam o melhor da renda fixa para o mês e também trazem uma pitada de Tesouro Direto; confira

Monique Lima
Monique Lima
6 de fevereiro de 2026
15:05 - atualizado às 12:56
Imagem: ChatGPT via Copilot

O período de atualizar a declaração anual de imposto de renda (IR) bate à porta — e deixa o brasileiro com um gosto amargo na boca. Nada como uma lista de investimentos isentos de IR, como CRI, CRA e debêntures incentivadas, para amenizar esse desgosto.

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Diante da perspectiva de início do ciclo de corte dos juros a partir de março, fevereiro se torna um mês estratégico para travar as melhores rentabilidades possíveis nesses títulos com benefício tributário.

Ainda que o juro permaneça em patamar elevado, projetado em torno de 12,5% ao ano ao fim de 2026, a isenção de IR é mais interessante quanto maior for o retorno da renda fixa.

O motivo é bastante simples: quanto maior a taxa de referência do mercado, maior a isenção de imposto de renda. Não ter que pagar IR sobre uma rentabilidade de 13% ao ano é mais significativo do que sobre um retorno de 5% ao ano.

Além dos ganhos expressivos, muitos desses títulos de renda fixa também oferecem proteção contra a inflação, devido à rentabilidade atrelada à correção pelo IPCA. Assim, o poder de compra do investidor fica preservado ao longo do tempo.

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No entanto, é preciso estar atento a dois pontos fundamentais antes de investir em CRI, CRA ou debêntures incentivadas.

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  • Ao contrário da poupança ou de um CDB, esses títulos não contam com a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Se a empresa que emitiu o título tiver problemas de liquidez, o investidor corre o risco de não receber os juros.
  • Esses títulos têm o risco da oscilação de preço/taxa, principalmente nos papéis com prazos mais longos, sendo indicados para quem pode deixar o dinheiro rendendo até o vencimento; e têm o risco da empresa, que pode dar calote caso enfrente problemas no negócio.

Debêntures Incentivadas

Existem debêntures tradicionais e incentivadas. As incentivadas são as que têm isenção de imposto de renda devido à natureza do investimento. Esses títulos de dívida são emitidos por empresas que trabalham em grandes obras de infraestrutura, como estradas, usinas de energia e saneamento básico, por exemplo.

Por fomentarem o crescimento do país, o governo não cobra imposto sobre o lucro dessas aplicações, pois tem interesse em incentivar o investimento privado nessas áreas.

Em fevereiro, os analistas recomendam foco em empresas de setores essenciais, que possuem receitas previsíveis e ajustadas pela inflação, o que oferece mais segurança ao investidor.

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Recomendações:

Um exemplo de destaque é a debênture da Vale, recomendada pela XP, com um retorno de IPCA + 5,9% ao ano. Se comparado a um título que tem cobrança de IR, a rentabilidade equivalente seria de IPCA + 7,2%.

Outra recomendação da XP é a Engie, uma das maiores geradoras de energia do país, que está pagando IPCA + 6,1% em sua debênture de vencimento em 2035.

Ainda na linha de serviços básicos, as debêntures da Sabesp e da Aegea (Águas do Rio 4) aparecem nas recomendações do BB Investimentos e do BTG, respectivamente.

Ambas são destacadas como boas opções devido à natureza essencial do fornecimento de água e tratamento de esgoto.

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No setor de transportes, títulos da Intervias (rodovias) e do MetrôRio são relacionados pelo BTG.

No caso do MetrôRio, o contrato foi renovado recentemente, o que aumentou a previsibilidade de caixa da empresa e, consequentemente, a segurança para os debenturistas. O papel tem rating AAA e uma remuneração IPCA + 7,8%.

CRAs

Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) também não têm cobrança de imposto de renda sobre o retorno da aplicação.

O setor de proteínas animais é o grande destaque das carteiras recomendadas de fevereiro. O CRA da Marfrig é uma das principais recomendações do Itaú BBA, com retorno de IPCA + 7,8% ao ano.

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Os analistas afirmam que a união da empresa com a BRF criou uma companhia gigante e diversificada, o que ajuda a reduzir riscos.

Outra opção na mesma linha é o CRA da Seara (JBS), recomendado pela XP. O rendimento também é parecido: IPCA + 7,6%.

Para quem prefere saber exatamente quanto vai receber no vencimento, sem depender da correção da inflação, o CRA da Minerva oferece uma taxa fixa de 13,6% ao ano, o equivalente a um rendimento bruto de 15% se houvesse cobrança de IR, segundo a XP.

CRIs

Em fevereiro, os analistas de bancos e corretoras recomendaram construtoras com longo histórico de pagamentos, e que mantêm suas contas em ordem mesmo em momentos difíceis para o setor, como o atual, devido aos juros altos.

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A Cyrela, uma das maiores incorporadoras do país, focada no público de alta renda, é uma das recomendações do Itaú BBA. Seu CRI oferece um retorno de IPCA + 7%.

Outro destaque é a Lavvi, recomendada pela XP. Segundo o relatório, a situação financeira da empresa está confortável e seu CRI oferece uma rentabilidade de 100% do CDI, com vencimento em 2032.

Ambas são vistas como escolhas seguras para quem quer exposição ao mercado imobiliário por meio de um título isento de imposto de renda.

Para diversificar, o setor de habitação popular também está no radar, com recomendação pelo BTG. A carteira do banco destaca a construtora Pacaembu, focada no programa Minha Casa Minha Vida.

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Tesouro Direto

Saindo dos isentos de IR e indo para os tributados, os títulos públicos do Tesouro Direto são figurinha carimbada nas carteiras da XP e do Itaú BBA.

Ambas as casas concordam que manter uma reserva no Tesouro Selic 2028 ou 2031 é essencial para ter dinheiro na mão rapidamente e aproveitar os juros altos do dia a dia.

Em fevereiro, o Tesouro Selic 2028 saiu da plataforma do Tesouro Direto e agora somente o 2031 está disponível para novos aportes. Porém, no mercado secundário das corretoras ou em mesas de operações ainda dá para comprar o título público.

A grande divergência que aparece na carteira recomendada do banco e da corretora é o Tesouro Prefixado.

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A XP acredita que o momento é bom para investir nesse papel, sugerindo o título com vencimento em 2031, com uma taxa de 13% ao ano.

A possível queda dos juros deve derrubar essa taxa no futuro e fazer o preço do papel se valorizar, de modo que oferece duas possibilidades de ganho ao investidor:

  • Vendendo antes do vencimento depois da valorização no preço; ou
  • Carregando até o vencimento com uma taxa prefixada favorável.

Já o Itaú BBA adotou uma postura mais cautelosa e retirou os prefixados de suas recomendações, alegando que os riscos não compensam o retorno oferecido. (Saiba mais aqui)

No que diz respeito à proteção contra a inflação, o Itaú BBA prefere os títulos intermediários e longos do Tesouro IPCA+, com vencimento em 2032 e 2040.

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O objetivo é travar as taxas altas deste momento — 7,57% e 7,30% acima da inflação, respectivamente —, visando garantir um ganho real elevado por muitos anos. A XP também recomenda o Tesouro IPCA+ 2032 e acrescenta o 2035.

Veja a carteira de renda fixa de cada instituição:   

Itaú BBA 

Título Vencimento Retorno Rating local 
Tesouro Selic 2031 01/03/2031 Selic + 0,099% – 
Tesouro IPCA+ 2032 15/08/2032 IPCA + 7,57% – 
Tesouro IPCA+ 2040 15/08/2040 IPCA + 7,30% – 
CRA Marfrig (CRA021001PQ) 17/07/2028 IPCA + 7,8% AAA 
CRI Cyrela (25J4545788) 13/11/2035 IPCA + 7,0% AAA 
CPR-F Suzano (25I02598074) 15/09/2037 IPCA + 6,5% AAA 
Debênture Águas do Rio 4 (RIS412)* 15/01/2034 IPCA + 7,0% AA+ 
Debênture Isa Energia (ISAEA9)* 15/06/2035 IPCA + 6,2% AAA 
Debênture CELPE (CEPEA7)* 15/08/2035 IPCA + 6,4% AAA 
Retorno indicado pelo Itaú em relatório. 
* Título para investidor qualificado. 
Fonte: Itaú BBA. 

BTG Pactual 

Título Vencimento Retorno Rating local 
Debênture Vero (VERO12) 17/03/2030 IPCA + 9,28% A+ 
Debênture Intervias (IVIAA0) 15/05/2038 IPCA + 6,92% AAA 
CRA Eldorado (CRA0250080X) 17/09/2035 IPCA + 8,13% AA+ 
Debênture Iguá Rio de Janeiro (IRJS15) 15/02/2044 IPCA + 8,43% AAA 
Debênture MetrôRio (MGPRA0)* 15/03/2042 IPCA + 7,52% AAA 
Debênture Rialma Energia (RALM11) 15/12/2046 IPCA + 7,57% AAA 
CRA 3tentos (CRA025008N8) 15/10/2030 102,75% do CDI AA 
CRI Pacaembu (25L2398303) 28/12/2032 ND AAA 
CRA SLC Agrícola (CRA025007PT) 22/09/2033 CDI + 0,60% AA 
Debênture Vero (VERO15)* 15/07/2032 14,33% a.a. A+ 
CRA Eldorado (CRA025007KK) 15/09/2032 13,56% a.a. AA+ 
Retorno verificado no aplicativo do BTG Pactual em 06 de fevereiro de 2026.  
* Título para investidor qualificado e/ou profissional. 
ND: não disponível no momento da consulta.  
Fonte: BTG Pactual. 

XP Investimentos 

Título Vencimento Retorno Rating local 
Tesouro Selic 2028  01/03/2028 Selic - 0,01% – 
Tesouro IPCA+ 2032  15/08/2032 IPCA + 7,3% – 
Tesouro IPCA+ 2035 15/05/2035 IPCA + 7,1% – 
Tesouro Prefixado 2031  01/01/2031 13% – 
CDB Banco Original 3 anos 13,7% BBB+ 
CRA Jalles Machado (CRA025009Q2) 15/10/2031 94,9% CDI AA+ 
CRA Minerva (CRA02400AYP) 16/11/2034 13,6% AAA 
CRA Seara - JBS (CRA025009EX)* 15/10/2035 IPCA + 7,6% AAA 
CRI Lavvi (25J3017471)* 15/10/2032 100% CDI AA+ 
Debênture Vale (VALEC1) 15/05/2035 IPCA + 5,9% AAA 
Debênture Engie (EGIEB5) 15/06/2035 IPCA + 6,1% AAA 
Retorno indicado pela XP em relatório. 
* Título para investidor qualificado. 
Fonte: XP Research. 

BB Investimentos 

Título Vencimento Rating local 
Debênture Celpe (CEPEB7) 15/08/2040 AAA 
Debênture Equatorial (EQMAA2) 15/09/2036 AAA 
Debênture MRS Logística (MRSAC2) 15/09/2039 AAA 
Debênture Sabesp (SBSPF3) 15/01/2040 AAA 
Fonte: BB Investimentos. 

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