BTG recomenda bond da Raízen (RAIZ4) na carteira de renda fixa internacional — e outros quatro títulos de dívida de brasileiras
Banco afirma que o mercado “exagerou na punição” à dívida da companhia e vê retorno atrativo para investidores em meio ao forte desconto

A Raízen (RAIZ4) vive um momento turbulento — endividamento alto e negócios fracos — e não está na lista de ações queridinhas de nenhum banco. Já seus bonds (títulos de dívida em dólar) parecem ter caído nas graças do BTG Pactual.
Na carteira de renda fixa internacional de janeiro, o relatório do banco manteve o bond da Raízen entre suas principais recomendações.
A escolha chama a atenção porque o papel passou por meses de forte volatilidade devido aos números ruins nos balanços trimestrais e esteve entre os bonds de pior desempenho no fim de 2025.
Ainda assim, os analistas afirmam que o mercado “exagerou” na punição ao preço dos títulos da Raízen e que, agora, o ativo oferece um retorno “muito atrativo” considerando o desconto e o risco envolvido.
- LEIA TAMBÉM: Raízen (RAIZ4) precisa de quase uma “Cosan” para voltar a um nível de endividamento “aceitável”, dizem analistas
Por que o BTG recomenda dívida em dólar da Raízen
Segundo o relatório, a Raízen é um dos maiores players de combustíveis do Brasil e dona de uma operação integrada, que vai de etanol e açúcar à distribuição de combustíveis e lubrificantes.
Para os analistas, isso já é um fator de segurança para os negócios da empresa. Porém, o fato de ela ser uma joint venture entre Cosan e Shell, duas gigantes globais, dá ainda mais respaldo neste momento de incerteza.
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O BTG destaca que o bond RAIZBZ 2035, negociado atualmente por volta de 77% do valor de face (preço de mercado), embute um retorno de 9,6% ao ano. Esse patamar é considerado alto para uma dívida em dólar, de uma empresa considerada grau de investimento por parte das agências (BBB pela Fitch).
O spread — prêmio pago acima dos títulos do Tesouro norte-americano — está no nível de 5,85 pontos percentuais (p.p.), nível típico de empresas com rating especulativo.
Os analistas consideram que o mercado tratou a Raízen como uma empresa muito mais arriscada do que ela de fato é. E isso abre espaço para ganhos se os preços voltarem ao seu patamar “justo”.
Pressões de curto prazo, mas fundamentos sólidos
A queda no preço do bond da Raízen no fim de 2025 se deu por três fatores, segundo o BTG:
- Margens mais fracas no segmento de açúcar e etanol;
- Resultados mais fracos no downstream (distribuição de combustíveis);
- Ruído setorial, após incêndios em usinas de açúcar, o que trouxe volatilidade para todo o setor.
Para os analistas, entretanto, nada disso altera a condição estrutural da empresa.
A avaliação é de que a dinâmica do setor sucroalcooleiro segue favorável, com preços internacionais de açúcar em patamar elevado. Já na parte de combustíveis, os preços praticados pela Petrobras estão mais estáveis e são previsíveis.
O relatório ainda afirma que a Raízen mantém forte geração de caixa operacional e boa liquidez — R$ 23,9 bilhões em caixa, segundo dados financeiros dos últimos 12 meses até o 2T26 (calendário agro), consolidados pelo BTG.
A companhia vem executando um plano de venda de ativos para melhorar seu endividamento e reforçar a posição de caixa. Para o BTG, esse movimento reduz parte das preocupações que pressionaram os credores e os acionistas ao longo de 2025.
Com a melhora gradual do ambiente operacional e o andamento dos desinvestimentos, a tendência é que a percepção de risco sobre a empresa diminua — o que pode gerar valorização da dívida em dólar.
Raízen e mais: os bonds de brasileiras recomendados pelo BTG
Além da Raízen, o BTG destaca outros quatro bonds de empresas brasileiras na sua lista de top picks do mês.
Todos são dívidas high yield (de maior risco), com características diferentes, mas que, na visão do banco, oferecem boa combinação de risco e retorno — em dólar:
• Eldorado (ECELUP) — Setor de celulose
A empresa tem um dos menores custos de produção do mundo, forte operação exportadora e números sólidos de geração de caixa. O bond oferece retorno atrativo versus pares como Suzano e Klabin, segundo o relatório.
• 3R Petroleum (RRRPBZ) — Óleo e gás
Com foco em campos maduros, a 3R expandiu rapidamente sua produção e tem uma das melhores relações entre custo de extração e volume de reservas entre as petroleiras independentes da América Latina. O BTG enxerga potencial de valorização conforme as operações amadurecem.
• FS Bioenergia (FSBIOE) — Etanol de milho
A companhia opera com custos muito baixos e geração de caixa consistente, além de menor volatilidade por trabalhar com milho estocado e previsível — diferente das empresas dependentes de safras de cana, dizem os analistas do banco.
• Aegea (AEGEBZ) — Saneamento
É a maior empresa privada de saneamento do Brasil, com contratos longos, reajustes atrelados à inflação e modelo estável de receita. O bond oferece um “carrego” elevado e é visto como defensivo pelo BTG.
Top Picks de bonds brasileiros do BTG
| Empresa | Ticker / Bond | Cupom | Vencimento | Rating* |
|---|---|---|---|---|
| Raízen | RAIZBZ 2035 | 5,70% | 17/01/2035 | BBB |
| Eldorado | ECELUP 2032 | 8,50% | 01/12/2032 | BB |
| 3R Petroleum | RRRPBZ 2031 | 9,75% | 05/02/2031 | BB- |
| FS Bioenergia | FSBIOE 2033 | 8,625% | 25/06/2033 | BB- |
| Aegea | AEGEBZ 2036 | 7,625% | 20/01/2036 | BB- |
Conteúdo Empiricus
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