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Na contramão de um cenário de recessão global, consumo brasileiro e português aumentou no ano passado

Em um mundo que bebe menos vinho, a taça brasileira está cada vez mais cheia. Essa é uma das conclusões do estudo global da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) divulgado na última semana.
De acordo com o report, o consumo mundial de vinho somou 208 milhões de hectolitros em 2025. O número corresponde a uma queda de 2,7% com relação ao ano anterior. Desde 2018, a diferença chega à marca de 14%.
Neste cenário de retração, o Brasil surge como um destaque. Na contramão do cenário global, o país teve aumento no consumo da bebida, com 4,4 milhões de hectolitros consumidos em 2025. Em porcentagem, o número corresponde a um aumento de 43,9% em relação a 2024, por exemplo.
Segundo o relatório da OIV, a queda no consumo ocorreu especialmente entre os maiores mercados globais da bebida. Estados Unidos, França e China, inclusive, registraram uma retração acentuada.
Nos EUA, a baixa foi de 4,3% em 2025, totalizando 31,9 milhões de hectolitros consumidos.
Na Itália, a retração foi ainda maior, de 9,4%, para 20,2 milhões de hectolitros. Alemanha, Espanha, China e Argentina também foram mercados relevantes onde o consumo de vinho perdeu força.
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O caso francês é ainda mais emblemático. No país, a baixa foi de 3,2%, totalizando 22 milhões de hectolitros. Com o número, o consumo de vinho ficou abaixo do volume de cerveja registrado para o mesmo período, de 22,1 milhões de litros.
O fato, inédito, se explica por uma série de motivos. A começar pelo econômico: a cerveja é mais barata, o que a torna opção mais viável, especialmente entre jovens.
Além disso, uma mudança na percepção da cerveja, antes tida como "menos nobre", também estaria por trás de sua atual popularidade.
Uma preocupação crescente com a saúde, maior entre pessoas da geração Z, também teria seu papel na redução do consumo de taças. Enquanto o volume total fechou 2025 em queda, variedades de rosé sem álcool, por exemplo, subiram 12% no país.
Exceções notáveis, porém, incluem Portugal. O país foi o único entre os 10 maiores consumidores de vinho no mundo em que o setor registrou alta, 5,6 milhões de hectolitros, representando 5,6% a mais em relação a 2024 e 734% acima da média dos últimos cinco anos.
Com este consumo, inclusive, Portugal atinge o maior volume jamais registrado pela OIV no país.
Além de Brasil e Portugal, o Japão também registrou alta, com 6,8% a mais de consumo em relação a 2024. Na Romênia, o aumento registrado foi de notáveis 11%.
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