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POR TRÁS DO TOMBO

Ações da Oracle caem 50% desde junho. É o fim da linha ou uma pechincha em Nova York?

Enquanto o S&P 500 acumula alta de 9% no ano, a Oracle amarga uma queda de 36% no ano — puxada, em grande parte, pelo recuo vertiginoso desde o início de junho

Um gráfico de ações de fundo preto e linhas vermelhas traz o logo da Oracle no canto superior direito
Imagem: Montagem Seu Dinheiro\Canva Pro

Se você consultasse um oráculo de verdade, ele diria que perder metade do valor de mercado não é um bom presságio. Na Oracle, no entanto, a lógica é outra. Após o banho de água fria da inteligência artificial (IA) mostrar que as expectativas para a nuvem foram exageradas, as ações da gigante despencaram 50% desde junho.  

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Mas quem precisa de bola de cristal quando se tem analistas otimistas? Dados da Alpha Space mostram que 86% dos analistas ignoram os sinais vermelhos e cravam que é hora de comprar. A dúvida é se eles leram o futuro com clareza ou se caíram no conto da profecia autorrealizável. 

Para entender a dimensão do tombo, basta olhar para o resto de Wall Street. Enquanto o S&P 500 acumula alta de 9% no ano, a Oracle amarga uma queda de 36% no ano — puxada, em grande parte, pelo recuo vertiginoso desde o início de junho. 

Esse choque fez o valuation da empresa despencar para níveis raramente vistos recentemente. O múltiplo preço/lucro (P/L) futuro da Oracle caiu para 15,5 vezes — o patamar mais baixo em mais de quatro anos.  

Para fins de comparação, a média do S&P 500 gira em torno de 20 vezes. Em termos simples: no papel, as ações da Oracle ficaram substancialmente "baratas". 

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Por que a nuvem pesou?  

A tempestade sobre a Oracle não se formou por acaso. A virada de humor dos investidores foi impulsionada por uma combinação de expectativas elevadas e custos bilionários. 

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O mercado percebeu que a precificação da ação já considerava anos de crescimento estrondoso garantido por IA. Quando a realidade mostrou que a conta demora mais a chegar, o entusiasmo evaporou. 

Além disso, garantir capacidade computacional para IA exige investimentos gigantescos em infraestrutura de energia, redes e data centers. Essa conta salgada pressiona diretamente as margens de lucro e o fluxo de caixa imediato da Oracle. 

Para financiar essa expansão, a Oracle se endividou consideravelmente. O impacto foi imediato: a agência de classificação de risco S&P Global rebaixou a nota de crédito da empresa para BBB-, apenas um degrau acima do status de junk bond (grau de especulação). 

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A cereja do bolo, segundo analistas, é que brigar por fatias do mercado de nuvem contra gigantes com bolsos fundos como Microsoft Azure, Amazon Web Services (AWS) e Google Cloud torna o cenário ainda mais complexo. 

A profecia dos 86% 

Apesar de o gráfico de ações parecer uma ladeira sem fim, 86% dos analistas que cobrem a Oracle mantêm recomendações de compra para a companhia. Esse otimismo aparentemente contraditório se apoia em três pilares: ação barata, acúmulo de pedidos (backlog) e aposta de longo prazo.  

Na prática, isso significa que com um P/L futuro de 15,5x, os analistas acreditam que o mercado exagerou na punição e que o preço atual é um excelente ponto de entrada. 

Além disso, a demanda por infraestrutura em nuvem continua real — a Oracle possui uma carteira recheada de grandes contratos já assinados aguardando execução. 

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Wall Street também enxerga os gastos elevados de hoje como um mal necessário. A tese é de que, assim que a infraestrutura estiver pronta, a margem de lucro voltará a explodir. 

Como o investidor brasileiro pode se expor à Oracle 

A opção mais prática para quem deseja investir na Oracle utilizando reais e sem abrir contas fora do país é via BDR (Brazilian Depositary Receipt) pelo próprio aplicativo da sua corretora.  

Vale lembrar que o preço do BDR varia de acordo com o preço da ação nos EUA e com a cotação do dólar. Por aqui, ela negociada sob o ticker ORCL34.  

Outra alternativa é investir diretamente na Bolsa de Nova York, e vale para quem busca dolarização direta do patrimônio e posse direta dos ativos. Por lá, as ações são negociadas com o ticker ORCL. 

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Para isso, no entanto, é necessário ter uma conta de investimentos internacional. Entre as vantagens está possuir um ativo em moeda forte (dólar) e recebimento dos dividendos sem intermediários bancários de depósito no Brasil. 

Mas atenção: essa opção exige envio de remessa para o exterior, que está sujeito a IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e taxa de spread cambial.  

*Com informações do Yahoo Finance

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