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Uma tradição que começou como forma de atrair turistas hoje se espalha como um movimento de integração e acolhimento na vizinhança

Em um momento em que as pessoas vivem vidradas em suas telas e muitas vezes não conhecem seus próprios vizinhos, os moradores da Estônia têm uma tradição que pode parecer estranha para muitos: a de receber estranhos em seus quintais para cafés da tarde.
Conhecido como ‘Kohvikutepäevad' ou ‘dias de café’, o evento no qual os quintais dos habitantes de inúmeras cidades estonianas se transformam em cafeterias que vendem comida caseira, promovendo interação entre vizinhança e movimentando o turismo local.
A tradição é relativamente recente, iniciada há quase vinte anos. O período em que ocorre varia conforme a região, mas geralmente se estende da primavera ao início do outono, com maior concentração nos meses de julho e agosto, quando é verão no Hemisfério Norte.
A recente tradição começou em 2007, na ilha de Hiiumaa, quando as autoridades locais estavam em busca de um meio para atrair turistas fora dos meses de verão.
O que começou como um movimento compartilhado por 15 casas na ilha logo setranformou em tendência e se espalhou pelo país.
Atualmente, o evento na ilha acontece no começo de agosto e se estende por três dias. Conta com milhares de visitantes e dezenas de cafés temporários, segundo a BBC.
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O café pode não parecer um produto típico da cultura da Estônia, um país bastante frio, mas ele é presente no dia a dia de sua população.
A inspiração de realizar um evento para movimentar o turismo local, relacionada ao café, se inspirou em Kärdla, capital da ilha de Hiiuma.
Em meados do século 19, a cidade abrigava uma tecelagem administrada por um barão báltico alemão que empregava trabalhadores da Europa Central, os quais eram consumidores assíduos de café.
O hábito logo se estendeu para a população local. Os moradores começaram a levar garrafas de café para o trabalho ao invés de cerveja ou leite fermentado.
O Hiiumaa Museu, focado na história e cultura da ilha e no legado da antiga tradicional fábrica de tecidos de lã, é um dos estabelecimentos que participa desde o começo dos dias de café.
O museu, instalado na antiga casa da antiga fábrica de tecido de Kärdla, remonta nas salas de conferência do local todos os anos um café do século 19.
Kauri Kiivramees, diretor do museu, afirmou em entrevista à emissora britânica BBC que o evento é muito importante para o senso de construção de comunidade, e retoma a tradição da ilha de receber estrangeiros.
A data e duração dos dias de café varia por região. Setomaa, por exemplo, hospeda seu evento todos os anos no mesmo período, na segunda semana de agosto.
Localizada no sudoeste da Estônia, Setomaa é uma cidade que abriga o povo Seto, minoria linguística e grupo étnico-religioso que vive na região fronteiriça com a Rússia, é conhecida pelo seu próprio Dia do café, o Kostipäiv.

O evento serve como uma oportunidade para os moradores se reunirem e utilizarem roupas tradicionais cultivarem os costumes locais.
Comidas típicas como sõir, queijo coalho prensado, e suuliim, uma sopa fria comumente servida no verão, são servidas nos quintais das vizinhanças setos.
O período do Kohvikutepäevad varia para cada cidade, e para quem deseja conhecer em primeira mão este costume inusitado, é possível encontrar em sites de turismo da Estônia e grupos de Facebook datas e locais em que os cafés vão acontecer.
É importante lembrar que estes eventos são fruto de trabalho voluntário dos moradores em suas próprias residências. De forma que o cardápio servido é escolhido pelo próprio anfitrião.
Boa parte da população da Estônia fala inglês. No entanto, por se tratar de um evento em áreas rurais e organizado pela própria população, é útil apreender algumas palavras do idioma antes de visitar.
*Com informações da BBC.
**Sob supervisão de Ricardo Gozzi
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