Milagre de Milei (de novo)? Como a Argentina conseguiu ganhar uma nota melhor da Moody’s e encostar no Brasil
A agência de classificação de risco elevou nesta terça-feira (21) a nota de crédito da Argentina de Caa1 para B3, com perspectiva positiva

Pense na Argentina como aquele aluno que passou anos esquecendo o material em casa e tirando notas vermelhas. Até que, cansado de ser sempre reprovado, ele resolve sentar na primeira fileira da sala de aula, parar de bagunçar e entregar as tarefas. Foi mais ou menos assim que a Moody’s avaliou o país.
Nesta terça-feira (21), agência de classificação de risco elevou a nota de crédito da Argentina de Caa1 para B3, com perspectiva positiva — o equivalente a ganhar um carimbo de “continue assim” na margem da folha do caderno.
Em termos de comparação, o Brasil tem rating Ba1, com perspectiva estável, um nível acima dos argentinos e também ainda dentro do grau especulativo.
Argentina faz a lição de casa
Para conseguir essa nota mais alta, os argentinos provaram que a melhora não foi apenas sorte em um teste surpresa, mas uma mudança real de atitude.
O governo arrumou as contas públicas e transformou o déficit em superávit. O mais importante: desligou a impressora de dinheiro que alimentava uma situação insustentável.
Além disso, com o fim da emissão descontrolada e o ajuste fiscal, a inflação começou a ceder, trazendo mais previsibilidade.
Leia Também
Dólar ou Selic: mesmo com juros em dois dígitos, títulos atrelados ao CDI ‘apanharam’ dos investimentos ‘gringos’; entenda
A nova ameaça de Trump após o dado de emprego para forçar a queda de juros nos EUA
O governo também aprovou mudanças no mercado de trabalho e desregulamentou setores essenciais para incentivar a iniciativa privada.
E, por fim, aumentou as reservas do Banco Central — apenas em 2026, o BC da Argentina comprou mais de US$ 11 bilhões em moedas estrangeiras sem desestabilizar o câmbio.
A Moody´s destaca ainda que o setor de energia deixou de dar prejuízo e virou um motor de receitas. Com o regime de incentivos (Rigi), o país atraiu um pipeline de US$ 141,7 bilhões em investimentos previstos, sendo US$ 45 bilhões já em fase de execução).
- Leia também: O drible de Messi nos investimentos: Argentina passa Brasil e México e vira a favorita dos gestores
Quanto falta para o grau de investimento
Apesar dos elogios, a Argentina ainda está na ala das notas de risco/especulativas. O tão sonhado grau de investimento, um selo de aluno exemplar que atrai os grandes investidores do mundo, só começa na Moody´s no nível Baa3.
Saindo da nota B3, a Argentina ainda precisa subir seis degraus na escala da agência: do atual B3 para B2, depois para B1, Ba3, Ba2, Ba1 e, finalmente o Baa3.
Nesta terça-feira (21), a Argentina saiu do estado de recuperação profunda (Caa1) e subiu um degrau importante, mas a caminhada até a nota dez ainda exige anos de disciplina e boletins impecáveis.
A inflação vai dar uma folga? O futuro dos juros com petróleo e super El Niño na conta
O que ainda impede o 10 da Argentina
A Moody's deixou bem claro o motivo de ainda manter um pé no freio antes de dar notas mais altas, e o primeiro deles é o longo histórico de defaults (calotes em dívidas), o que ainda pesa contra a reputação institucional da Argentina.
A agência também teme que as eleições gerais de 2027 tragam um governo mais intervencionista que decida rasgar as lições de casa e reverter as reformas.
E, embora o BC tenha guardado dólares, as reservas internacionais do país ainda são frágeis para suportar grandes choques econômicos ou crises severas.
A agência ainda chama atenção para o fato de a Argentina ainda manter restrições e baixa abertura na conta de capitais.
O FIM DO SPOILER
De Wyoming para o seu bolso: o que Kevin Warsh disse no evento mais exclusivo do mundo que mudou os rumos do dólar e da bolsa
28 de agosto de 2026 - 13:04BARRADO DO BAILE
Nem os US$ 250 bilhões de Jeff Bezos garantem ao dono da Amazon um lugar no ‘clube dos bilionários’
27 de agosto de 2026 - 16:32DESFECHO
Bilionário na cadeia: como o colapso da Evergrande fez o ex-homem mais rico da China ser condenado à prisão perpétua
20 de agosto de 2026 - 8:28SEM GABARITO
Super Quarta com os dias contados? Nova proposta do presidente do Fed pode deixar investidor ainda mais no escuro
19 de agosto de 2026 - 16:38OPORTUNIDADE OU CILADA
Renda fixa nos EUA: vale a pena comprar Treasury com a disparada dos juros?
19 de agosto de 2026 - 15:33TOUROS E URSOS #283
O gringo está de saída do Ibovespa (de novo): confira o que afasta o estrangeiro do Brasil
14 de agosto de 2026 - 14:40BRASÍLIA X TIO SAM
A lei de reciprocidade vai incendiar a bolsa? Spoiler: o risco Brasil dá mais medo
14 de agosto de 2026 - 13:31ENTREVISTA EXCLUSIVA
Só lembra da Europa nas férias? Este economista alemão diz por que o seu patrimônio também deveria viajar para lá
14 de agosto de 2026 - 6:10POLÊMICA
Por dentro do superiate de US$ 300 milhões de Mark Zuckerberg, que teria violado a mais preciosa lei do mar
13 de agosto de 2026 - 18:36UMA CIDADE, DUAS VIDAS
Essa cidade já foi considerada a mais bonita do mundo e hoje cumpre a ‘profecia’ de se tornar uma das maiores metrópoles do planeta
13 de agosto de 2026 - 16:16SEM PREVISÃO
Primeiro a Venezuela, depois a Colômbia: por que não conseguimos saber quando um terremoto vai acontecer?
10 de agosto de 2026 - 17:34ENCRUZILHADA
O freio e o acelerador da IA: como não errar a mão na hora de investir
9 de agosto de 2026 - 17:01NOVO VÍRUS
Modelo de IA cria genoma inédito capaz de eliminar superbactérias
7 de agosto de 2026 - 15:51TEMPLO INCOMUM
Igreja Sem Sombra vira atração turística por arquitetura inusitada
7 de agosto de 2026 - 0:09JETSONS DA VIDA REAL
A fabricante de robôs de US$ 9 bilhões da China que até a DeepSeek quer um pedaço
6 de agosto de 2026 - 19:51PEQUENAS NOTÁVEIS
As ações “esquecidas” de Wall Street que estão dando um banho nas gigantes da tecnologia
6 de agosto de 2026 - 19:21ELE ESTÁ VENDIDO
O tsunami que pode arrastar o S&P 500, segundo Michael Burry
5 de agosto de 2026 - 16:30DANÚBIO EM RISCO
Como a onda de calor e a seca na Europa se transformaram em uma crise energética
5 de agosto de 2026 - 14:28Dia do café
O povo deste país tem o costume de transformar seus jardins em cafeterias abertas ao público durante o verão
5 de agosto de 2026 - 9:32ELES VOLTARAM