Ponte bilionária entre o Canadá e os Estados Unidos transforma-se em símbolo da tensão entre os dois países
Após 25 anos em planejamento, ponte Gordie Howe é inaugurada em meio a tensões e disputas comerciais entre Estados Unidos e Canadá

Em meio à tensão entre os Estados Unidos e Canadá, devido a imposição de tarifas de 50% sobre produtos importados por Washington, a inauguração de uma ponte de 2,5 quilômetros na fronteira entre os dois países transformou-se em um símbolo do desentendimento.
A ponte Gordie Howe foi batizada em homenagem ao jogador canadense de hóquei que levou o Detroit Red Wings a quatro títulos da Stanley Cup, principal campeonato da modalidade.
A estrutura liga Detroit, nos Estados Unidos, a Windsor, no Canadá. O projeto levou 25 anos para se tornar realidade.
Inaugurada na última segunda feira (27), o que era para ser um símbolo de laços comerciais tomou outros rumos após recente estremecimento de relações entre os dois países.
Enquanto a ponte é considerada propriedade conjunta do governo do Canadá e do estado de Michigan, os custos de construção foram bancados integralmente pelo lado canadense, cerca de C$ 6,4 bilhões, o equivalente a R$ 23 bilhões na cotação atual.
O corredor Windsor-Detroit é um dos tráfegos de comércio mais importantes do Canadá e é responsável por 30% da troca comercial entre as duas nações. Segundo o governo canadense, mais de C$ 247 milhões passam diariamente por essa rota.
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Apesar de o Canadá ter arcado com todos os custos da obra, isso não impediu o surgimento de um debate sobre quem deveria receber os recursos arrecadados com a travessia da ponte.
Tratando-se de uma rota de travessia de fronteiras, autoridades da ponte informam que a tarifa padrão para veículos de passeio vai ser C$ 8 (US$ 5,75) e para caminhões comerciais e veículos de grande porte será C$ 12 (US$ 8,75).
Em fevereiro deste ano, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou em suas redes sociais uma ameaça de impedir a abertura da ponte caso o país não fosse “inteiramente compensado por tudo que demos a eles”, em referência ao Canadá.
Diante da pressão do governo americano, ficou acordado que pelos primeiros 15 anos os dois países vão dividir a receita líquida gerada pelas tarifas de pedágio.
Segundo o texto publicado, a receita do pedágio vai ser destinada para pagamento das despesas operacionais, e o que sobrar destes custos vai ser dividido entre os dois países.
O Canadá vai receber metade do valor, enquanto o restante será direcionado para um fundo de desenvolvimento para a comércio entre os dois países, administrado pelos Estados Unidos, conforme o acordo.
Diante do ajuste em relação a divisão da receita gerada com a ponte, e a imposição de tarifas aplicada pelo governo americano, o Canadá desconvidou autoridades americanas da cerimônia de inauguração da ponte.
*Com informações de agências de notícias internacionais.
**Sob supervisão de Ricardo Gozzi
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