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CONTINENTE DE GELO

Cordilheiras fantasmas e uma ‘pirâmide’ natural: o que está por baixo das camadas quilométricas de gelo na Antártida

Com aceleração do aquecimento global e degelo da Antártida, montanhas e vales ocultos por camadas espessas de gelo podem ser reveladas

Montanha na Antártida soterrada pela neve, com o pico a mostra.
Imagem: Flickr

O continente da Antártida abriga 90% do gelo glacial da Terra. Conhecido por ser o local mais frio do planeta, o território de 13,7 milhões de quilômetros quadrados esconde grandes formações geográficas abaixo de suas densas camadas glaciais.

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A Antártida é considerada o continente mais alto de todos, com 99% de sua superfície coberta por camadas de gelo. Isso faz com que o vasto território alcance altitude média de 2.500 metros.

Diante do acelerado processo de aquecimento global — e do consequente derretimento de gelo —o continente antártico pode revelar novas facetas escondidas embaixo da neve.

Rios atmosféricos aceleram degelo

Um estudo recente apoiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) aponta que os chamados "rios atmosféricos” têm se intensificado nos últimos anos na Antártida.

Os rios atmosféricos são corredores invisíveis que transportam diariamente calor e umidade das regiões tropicais para os polos.

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Segundo os pesquisadores, a aceleração desse processo pode ampliar o ritmo do degelo no continente antártico e, como consequência, contribuir para a elevação do nível dos mares.

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Relevo Antártico

Conhecida pela paisagem branca e majoritariamente intocada pelo homem, à exceção de eventuais bases de pesquisas científicas internacionais, a camada de gelo esconde um relevo de montanhas e vales.

As Montanhas Transantárticas praticamente cortam o continente de leste a oeste, com 3.500 metros de extensão e entre 100 e 300 quilômetros de largura.

Em grande parte, a cadeia é coberta pela camada glacial, com apenas os picos à vista. Alguns deles alcançam quase 5 mil metros de altura.

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Esse grupo de montanhas contêm alguns dos sedimentos glaciais mais antigos do continente. Com fragmentos recuperados do Monte Sirius, que indicam que aquele gelo está ali há mais de 15 milhões de anos.

Cientistas acreditam que os sedimentos encontrados datam de uma época de condições muito mais quentes que hoje em dia. Eles estariam associados à camada de vegetação que hoje em dia é encontrada na Nova Zelândia, na Patagônia e na Tasmânia.

O que levanta um debate de que os depósitos glaciais da região tenham se formado sob condições de temperatura média anual de -5°C, ou seja, cerca de 25°C a mais do que atualmente.

Cordilheira fantasma

Ao contrário das Montanhas Transantárticas, as Gamburstsevs, formações rochosas com elevações do tamanho dos Alpes europeus, estão soterradas pelas camadas de gelo da Antártida.

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Segundo estudo da revista científica Earth and Planetery Science Letters, a montanha se formou há mais 500 milhões de anos, em uma colisão das placas tectônicas ocorrida ainda durante a formação do supercontinente Gondwana – que em um passado distante incluiu as atuais África, América do Sul, Austrália, Índia e Antártica.

De acordo com o estudo, o choque entre os continentes que estavam separados gerou um fluxo de rochas derretidas que formou a montanha.

Uma pirâmide na Antártida?

Com o desenvolvimento de novas tecnologias e imagens de satélites é possível explorar melhor a paisagem por baixo da superfície coberta por gelo.

Segundo a BBC, um novo mapa da região resultado de novas tecnologias, revelou dezenas de milhares colinas ainda não descobertas, além de mais detalhes sobre montanhas e cânions submersos no gelo.

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Ocasionalmente, ressurgem na internet de uma imagem de satélite de uma montanha sem nome, cujo formato se assemelha a uma pirâmide.

Com uma estrutura de quatro facetas similares, a estrutura chama atenção do público pela semelhança com as conhecidas pirâmides egípcias, construídas pelo homem.

Apesar das teorias conspiratórias sobre civilizações antigas terem construído a estrutura, cientistas afirmam ser uma formação rochosa natural, que pertence a Cordilheira Ellsworth, cadeia montanhosa que se estende por centenas quilômetros.

A cadeia de montanhas também abriga o Monte Vinson, o ponto mais alto da Antártida, com 4.892 metros de altitude.

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*Sob supervisão de Ricardo Gozzi

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