Braço direito de Trump manda recado para quem investe em títulos do Tesouro dos EUA
Segundo o secretário do Tesouro norte-americano, os investidores estrangeiros continuam comprando a dívida dos EUA com apetite — mas os movimentos do mercado contam outra história

Os Treasurys — os títulos da dívida pública dos EUA — são o norte do mercado financeiro global. Quando eles balançam, o mundo todo sente o solavanco. Antes de participar da CEO Conference 2026, evento a ser realizado pelo BTG Pactual na próxima semana, Scott Bessent, o secretário do Tesouro de Donald Trump, foi ao Senado norte-americano para dizer que, apesar do barulho, essa bússola segue firme.
Mesmo com a volatilidade global e a eterna queda de braço sobre até onde vão os juros nos EUA, Bessent garantiu que o mercado de títulos "tem se mostrado muito resiliente".
Para o investidor pessoa física, o recado é direto: se o governo norte-americano consegue se financiar sem sustos, o risco de problemas sistêmicos ou de um salto descontrolado no dólar diminui.
Bessent destacou que os investidores estrangeiros continuam comprando a dívida dos EUA com apetite: “Estou vendo muito boa demanda estrangeira nos leilões do Tesouro”, afirmou, celebrando resultados que estão entre os melhores do ano.
Vale lembrar que o mercado de Treasurys vinha enfrentando desconfiança devido ao déficit crescente dos EUA.
Se ninguém quisesse comprar esses títulos, os juros norte-americanos teriam que subir ainda mais para atrair compradores, o que castigaria as bolsas e valorizaria o dólar contra o real. As declarações de Bessent tentam afastar esse fantasma.
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Bessent contra o sell America
Se por um lado Bessent tenta passar tranquilidade, por outro, os grandes fluxos de capital contam uma história um pouco diferente: a de que o risco-EUA deixou de ser teoria para virar realidade no bolso do investidor.
Enquanto Bessent afirma que os leilões do Tesouro estão indo bem, o mercado global vive o que analistas chamam de movimento sell America (venda EUA).
O motivo é o chamado risco fiscal 2.0: a dívida pública dos EUA atingiu níveis comparáveis aos da Segunda Guerra, e o custo para pagar os juros dessa dívida já é uma das maiores fatias do orçamento norte-americano.
Logo após a Segunda Guerra, a dívida pública dos EUA atingiu 106% do PIB. Segundo dados do Tesouro e do Escritório do Orçamento do Congresso (CBO, um órgão independente), a dívida bruta total dos EUA ultrapassou os US$ 38 trilhões, chegando a 107% do PIB.
Quando o investidor global perde a confiança absoluta no porto seguro tradicional, busca alternativas que estejam baratas ou que sejam ativos reais (escassos).
Não à toa o ouro vem renovando recordes históricos e os mercados emergentes, a exemplo do Brasil, vêm atraindo cada vez mais capital estrangeiro.
O medo de um novo shutdown (paralisação) do governo norte-americano e as interferências políticas na independência do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) fez tanto os metais preciosos virarem o seguro contra o caos fiscal de Washington como o Ibovespa se aproximar cada vez mais da marca dos 200 mil pontos.
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Setor financeiro e o freio na IA nos EUA
Mas nem só de Treasurys vive o Tesouro. Na participação no Senado desta quinta-feira (5), Bessent também abordou questões regulatórias e estruturais durante audiência no Senado.
Ele afirmou que o governo norte-americano considera a possibilidade de impor limites temporários ao uso de inteligência artificial (IA) no setor financeiro, diante dos riscos e da rápida expansão da tecnologia.
Segundo o secretário do Tesouro dos EUA, a discussão ainda está em estágio inicial.
O motivo? Riscos estruturais que a tecnologia traz. Se você investe em empresas de tecnologia ou bancos que estão apostando tudo em IA, vale ligar o alerta para possíveis novas regulações.
Criptomoedas no radar do governo dos EUA
Nem as criptomoedas escaparam. Para quem gosta de ativos digitais, Bessent jogou um balde de água fria em quem esperava soluções simples.
O secretário do Tesouro norte-americano admitiu que tributar ganhos em corretoras é de "elevada complexidade" técnica. Ou seja: o nó regulatório ainda está longe de ser desatado.
Para fechar a participação no Senado com otimismo, Bessent declarou que os EUA estão no início de um boom no setor industrial — música para os ouvidos de quem investe em commodities como minério e também o aço, já que uma indústria norte-americana forte demanda matéria-prima.
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