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Com real valorizado e dados fracos de exportação, banco vê pressão nas receitas e risco de revisões para baixo

A WEG (WEGE3) entra na reta final para divulgar o balanço do 1º trimestre de 2026, no próximo dia 29 de abril, sob um olhar mais cauteloso do JP Morgan.
Na avaliação dos analistas do banco norte-americano, o papel carrega um risco assimétrico neste momento, com mais espaço para frustração do que para surpresas positivas.
A recomendação do banco para WEGE3 é neutra, com preço-alvo de R$ 49.
Depois de cair até 14% desde fevereiro, a ação ensaiou uma recuperação recente, mesmo com a valorização do real, de cerca de 5% desde meados do mês passado. O movimento tende a pressionar as estimativas da companhia, especialmente do lado das receitas externas.
No pregão desta quarta-feira (15), as ações da WEG figuram entre as maiores quedas do Ibovespa. Por volta de 13h15 (horário de Brasília), os papéis recuavam 4,14%, cotados a R$ 49,75. No mês, acumulam baixa de 2,5%, mas, no ano, avançam 2,75%.
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No mesmo horário, o principal índice da bolsa brasileira caía 0,62%, aos 197.424,59 pontos.
A expectativa do JP Morgan é de um início de ano mais morno para a WEG. O banco projeta queda de 1% na receita na comparação anual, enquanto o consenso de mercado aponta para recuo de 2%.
Dados de câmbio do período e indicadores da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) sugerem pressão adicional: as receitas podem cair até 3% no ano.
O real mais forte segue no centro das preocupações. Com valorização de cerca de 8% em 2026, a moeda brasileira aumenta o risco de revisões para baixo nas projeções, incluindo uma possível queda de 6% no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) estimado para o ano.
Apesar do curto prazo mais pressionado, o JP Morgan mantém uma visão construtiva para a empresa no longo prazo.
A WEG segue bem posicionada para capturar tendências estruturais, como a eletrificação da economia e o avanço de soluções de armazenamento de energia. A expectativa é pelo primeiro leilão de sistemas de baterias (Bess) no Brasil ainda em 2026.
A demanda por transformadores também continua forte, impulsionada pela substituição de equipamentos e pela expansão da rede elétrica. Data centers e inteligência artificial aparecem como vetores adicionais de crescimento.
Ainda assim, o banco avalia que o ritmo de expansão deve perder tração neste ano. Os ganhos mais relevantes com a nova capacidade devem aparecer apenas a partir de 2027.
Por outro lado, há espaço para surpresas positivas nas margens. O consenso projeta margem Ebitda de 21,8%, enquanto o JP Morgan trabalha com 22,5%.
Do lado negativo, o valuation segue esticado. O múltiplo de preço sobre lucro da WEG está cerca de 15% acima da média dos últimos três anos, mesmo em um cenário de resultados mais fracos no curto prazo.
Para o banco, isso indica que o mercado já antecipa uma recuperação mais robusta, que deve se materializar principalmente em 2027.
Além disso, o câmbio continua sendo um risco relevante. Dados da Secex mostram queda de 6% nas exportações da companhia no primeiro trimestre, reforçando a pressão sobre receitas.
Outro ponto de atenção é o histórico recente. Nos últimos seis trimestres, a ação caiu em cinco ocasiões após a divulgação de resultados, mesmo quando os números vieram em linha com o esperado.
Na visão do JP Morgan, a WEG também não é a melhor forma de capturar uma eventual retomada da economia brasileira. Cerca de 60% da receita vem do exterior, e a companhia também não se beneficia diretamente de um ciclo de queda de juros, já que opera com caixa líquido.
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