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Após uma série de reuniões nos EUA, banco identifica interesse crescente por commodities, mas também dúvidas sobre minério de ferro, cobre e a sustentabilidade da recente alta do setor

Os investidores estrangeiros voltaram a olhar para as commodities latino-americanas, mas ainda estão longe de embarcar de vez na recente recuperação do setor. Essa é a principal conclusão de um roadshow realizado pelo BTG Pactual nos Estados Unidos.
Após uma semana de reuniões com clientes institucionais, os analistas identificaram um cenário de maior interesse pelos ativos ligados a minério de ferro, cobre, aço, lítio, ouro e papel e celulose, mas também uma dose elevada de ceticismo sobre a continuidade da valorização observada nos últimos meses.
Segundo o banco, o posicionamento dos investidores continua relativamente leve em commodities e, em muitas conversas, a disposição parecia maior para reduzir exposição do que para ampliar apostas.
“O nível de interesse está claramente acima do observado nos últimos anos, mas muitos investidores continuam questionando a sustentabilidade da alta recente”, afirmaram os analistas.
A Vale (VALE3) esteve no centro da maioria das discussões durante o encontro com investidores.
De acordo com o BTG Pactual, há uma percepção amplamente compartilhada de que a mineradora brasileira representa uma das histórias mais atrativas de geração de valor por fundamentos dos últimos anos.
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O rendimento de fluxo de caixa livre estimado em cerca de 10% também chamou atenção, superando o de concorrentes australianas.
Mesmo assim, persistem dúvidas sobre os rumos do mercado de minério de ferro e sobre o que poderia destravar valor na divisão de metais básicos da companhia.
O relatório do BTG destaca que os investidores seguem em busca de um catalisador claro para o segmento, especialmente diante da ausência de perspectivas para uma oferta pública inicial (IPO) no curto prazo.
No mercado de cobre, o banco encontrou pouca resistência à tese positiva para o longo prazo.
A questão, segundo os investidores, não está nos fundamentos da commodity, mas no preço das ações do setor.
Os analistas relatam que muitos consideram as empresas negociadas em bolsa caras nos níveis atuais, especialmente após a disparada recente do cobre para máximas históricas.
O resultado é que poucos demonstram disposição para aumentar posições, mesmo entre aqueles que continuam otimistas com a trajetória estrutural do metal.
Entre as empresas do setor de aço, a Ternium — siderúrgica multinacional com sede em Luxemburgo — foi uma das companhias que mais despertaram interesse nas reuniões.
O BTG mantém uma visão positiva para a empresa até 2027 e afirma que muitos investidores enxergam múltiplos bastante atrativos para os próximos anos.
Apesar disso, a percepção é que a ação continua fora do radar de uma parcela relevante do mercado.
No Brasil, a Gerdau (GGBR4) recebeu atenção por sua exposição aos Estados Unidos e pelo desconto em relação às siderúrgicas norte-americanas.
Já a Usiminas (USIM5) foi vista principalmente como uma operação de interesse de fundos hedge locais, enquanto a CSN (CSNA3) despertou atenção limitada, concentrada sobretudo na sua estrutura de dívida.
O comportamento recente do ouro também apareceu entre os temas mais debatidos.
Segundo o BTG, muitos investidores demonstraram dificuldade para interpretar a volatilidade do metal e os movimentos de preço observados nos últimos meses.
A percepção é que o ouro passou a se comportar mais como um ativo de risco, o que tem provocado hesitação entre gestores.
Nesse contexto, a mineradora peruana Buenaventura foi uma das empresas mais mencionadas durante os encontros.
A Aura Minerals (AURA33) também chamou atenção após a recente correção dos papéis, mas os investidores demonstraram dificuldade em identificar novos gatilhos de valorização para este ano.
Para muitos participantes das reuniões, boa parte das notícias positivas já foi incorporada ao preço da ação.
No lítio, o foco das discussões esteve na recuperação dos preços da commodity para patamares acima de US$ 20 mil por tonelada.
Os investidores também buscaram entender o potencial de crescimento da demanda associado à expansão dos sistemas de armazenamento de energia por baterias.
No caso da chilena SQM, as conversas se concentraram na capacidade de crescimento da produção por meio do projeto Nova Andina e nas perspectivas para a joint venture Covalent Lithium.
Se alguns segmentos conseguiram atrair atenção dos investidores, o mesmo não pode ser dito do setor de papel e celulose.
O BTG Pactual relata que o interesse nessas commodities continua em níveis extremamente baixos, com participação limitada de investidores mais contrários ao consenso.
A avaliação predominante é de que os fundamentos seguem pouco inspiradores diante da combinação de aumento de capacidade produtiva na América Latina, maior integração da indústria chinesa e ausência de cortes relevantes de oferta.
Além disso, muitos investidores demonstram pouca confiança na capacidade das empresas de sustentar os atuais níveis de valuation, considerados historicamente baixos.
Segundo o banco, o elevado patamar de alavancagem continua restringindo iniciativas de alocação de capital que poderiam ajudar a destravar valor para os acionistas, como programas robustos de recompra de ações.
Para os analistas, o sentimento em relação ao setor atingiu um patamar raro. “Este é o maior nível de pessimismo que vimos em toda a nossa carreira cobrindo o setor”, escreveram.
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