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Larissa Bernardes

Repórter no Seu Dinheiro, formada em Comunicação Social - Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Possui experiência na cobertura do mercado financeiro em tempo real, economia, política e cenário internacional. Passou por agências de notícias e redações, como Agência Estado, Safras News, DCM e Record TV.

ESTIMATIVAS REVISADAS

A Vale (VALE3) vem com tudo? Após surpreender na produção, saiba o que esperar dos resultados financeiros da mineradora

Com recorde de produção e volta ao topo do ranking global, mineradora chega aos resultados financeiros com expectativas mais altas de receita e Ebitda

Larissa Bernardes
12 de fevereiro de 2026
7:15 - atualizado às 16:58
Vale
Vale - Imagem: Divulgação

A Vale (VALE3) fechou o quarto trimestre de 2025 com uma produção acima do esperado — e isso já começou a mexer com as expectativas do mercado para o balanço da companhia, que será divulgado nesta quinta-feira (12) após o fechamento dos mercados.

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Segundo as projeções da Bloomberg, tanto a receita quanto o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) devem crescer na comparação anual e também frente ao trimestre anterior.

Confira abaixo as estimativas:

Em dólaresVariação anualVariação trimestralEm reaisVariação anualVariação trimestral
Lucro líquido2,601 bilhãoReversão de prejuízo de 694 milhões-3,06%13,554 bilhõesReversão de prejuízo de 4,677 bilhões-7,27%
Receita11,075 bilhão9,39%6,40%57,703 bilhões-2,86%1,77%
Ebitda4,756 bilhão25,36%9,01%24,781 bilhões11,53%4,28%
Fonte: Bloomberg

Produção forte no 4T25

As projeções têm como base os dados de produção e vendas da Vale entre outubro e dezembro de 2025. No período, a produção de minério de ferro avançou 6% na comparação anual, embora tenha recuado 4,2% frente ao trimestre anterior.

No total, a mineradora produziu 90,4 milhões de toneladas de minério de ferro no quarto trimestre. Com isso, o acumulado de 2025 chegou a 336 milhões de toneladas — acima do guidance da própria empresa e no melhor nível desde 2018.

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O desempenho foi suficiente para a Vale ultrapassar a australiana Rio Tinto e retomar o posto de maior produtora de minério de ferro do mundo.

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O que dizem os analistas

Para o mercado, os números reforçam a boa fase operacional da companhia.

“No geral, a Vale apresentou mais uma rodada de números sólidos, que junto com a valorização das commodities metálicas justificam a forte alta de 53% dos papéis nos últimos seis meses. A 5x Ebitda esperado para 2026, a Vale segue entre as recomendações da Empiricus para dividendos”, afirma Ruy Hungria, analista da Empiricus Research.

No BTG Pactual, a leitura é de que os dados de produção dissiparam dúvidas sobre a execução da empresa. O banco já vinha destacando o bom momento da Vale, tanto do ponto de vista operacional quanto institucional, e agora elevou ligeiramente as projeções para os próximos resultados.

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O BTG espera que a Vale entregue um Ebitda de US$ 4,5 bilhões no quarto trimestre de 2025, levando o número para US$ 15,4 bilhões no acumulado do ano. A Genial Investimentos tem a mesma estimativa, enquanto a XP Investimentos foi ainda mais otimista e elevou a projeção para US$ 4,8 bilhões.

A Genial, por sua vez, até reconhece um Ebitda mais forte, mas ajustou as contas para US$ 4,5 bilhões ao avaliar que, apesar da produção ter surpreendido, as vendas não acompanharam no mesmo ritmo.

“Como resultado, passamos a projetar Ebitida proforma de US$ 4,5 bilhões (-2,9% vs. estimativa anterior; +2,3% t/t; +9,3% a/a), ligeiramente abaixo da projeção anterior, em função de uma realização de receitas mais suave do que a inicialmente assumida, enquanto a base de custos permanece estável. O lucro líquido agora é estimado em US$ 2,4 bilhões”, dizem os analistas da Genial.

No quarto trimestre, a Vale vendeu 84,9 milhões de toneladas de minério de ferro. Os embarques cresceram 4,5% na comparação anual, mas caíram 1,3% frente ao trimestre anterior.

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E as ações, o que fazer?

Apesar da expectativa de resultados mais fortes, as recomendações para VALE3 seguem divididas.

A XP mantém indicação neutra, citando a perspectiva de queda nos preços do minério de ferro após o período de reabastecimento.

“Embora mantenhamos nossa visão neutra para Vale, reconhecemos que a melhora dos preços do cobre e de outros metais, combinada com a tese de desvalorização do dólar e uma rotação para mercados emergentes, pode continuar sustentando o bom momento relativo da ação”, afirmam os analistas.

A Genial também rebaixou a recomendação de compra para neutra no fim de janeiro, avaliando que a recente disparada do papel reduziu o potencial de valorização e levou a ação para perto do preço justo.

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Já o BTG reconhece que a Vale já não é mais exatamente uma “pechincha”, mas segue com recomendação de compra.

“A análise fundamental da empresa continua muito sólida. Isso, combinado com fundamentos de minério de ferro, cobre e níquel mais fortes do que o esperado e uma sazonalidade favorável, sustenta uma perspectiva positiva no curto prazo”, diz o banco.

O BTG também considera exagerada a preocupação do mercado com a suspensão temporária das minas de Viga e Fábrica, em Minas Gerais, após vazamentos de água registrados em janeiro.

Segundo as autoridades locais, não houve feridos, mas o episódio causou danos ambientais, levando à aplicação de multas e à suspensão dos alvarás até a adoção de medidas emergenciais de controle, monitoramento e compensação ambiental.

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