Produção de minério da Vale (VALE3) sobe 6% no 4T25 e supera projeção no ano; confira os números da mineradora
As produções de minério de ferro e de cobre atingiram o nível mais alto desde 2018, enquanto a de níquel alcançou o maior patamar desde 2022

A Vale (VALE3) deixou um gosto de quero mais ao apresentar os resultados operacionais de 2025, depois de superar os guidances de produção estabelecidos no início do ano. O mercado, no entanto, reagiu inicialmente com cautela. Os ADRs (American Depositary Receipts) subiram 0,30% em Nova York.
Os resultados financeiros da mineradora serão divulgados em 12 de fevereiro, mas uma prévia já foi apresentada nesta terça-feira (27), com a publicação do relatório operacional referente ao período.
Os dados chegam em um momento delicado para a companhia, que enfrenta pressão após dois extravasamentos de água registrados em Minas Gerais no último fim de semana — justamente quando o estado lembrava os sete anos do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, tragédia que deixou 270 mortos.
E o relatório de hoje mostrou que a produção de minério de ferro da Vale somou 90,403 milhões de toneladas métricas (Mt) entre outubro e dezembro, alta de 6% em relação ao mesmo período de 2024, mas uma queda de 4,2% em relação ao trimestre anterior.
Com esse desempenho, a produção de minério da Vale em 2025 chegou a 336,075 milhões de toneladas, uma alta de 2,6% com relação a 2024, e também acima do guidance de 325-335 milhões de toneladas para o ano.
“Esses resultados representam um forte encerramento de ano para a Vale, com produção anual mais alta em todos os segmentos. Com base nesse desempenho, esperamos revisões para cima de aproximadamente 2% nas estimativas de consenso para o Ebitda [lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização] do quarto trimestre de 2025”, disseram Alexander Hacking, Gabriel Barra e Stefan Weskott, analistas do Citi, em relatório.
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A produção de pelotas da Vale alcançou 8,325 Mt no quarto trimestre de 2025, recuo de 9,2% na base anual, mas avanço de 4,1% em relação ao trimestre anterior. No ano, a produção somou 31,356 Mt, uma queda de 15% em relação a 2024.
As vendas de minério de ferro cresceram 4,5% entre outubro e dezembro na comparação anual e recuaram 1,3% frente ao trimestre anterior, totalizando 84,874 Mt. No ano, as vendas somaram 314,358 Mt, alta de 2,5% ante 2024.
Já a comercialização de finos de minério subiu 5,2% (73,566 Mt) no quarto trimestre de 2025 ante o mesmo período do ano anterior, e caiu 1,9% na base trimestral. No ano completo, a alta foi de 4,9% (273,027 Mt) ante 2024.
Enquanto isso, as vendas de pelotas caíram 10% em relação aos últimos três meses de 2024, para 9,056 Mt, no entanto, avançaram 3,3% na comparação sequencial. Em 2025, a comercialização caiu 14,4% em relação ao ano anterior, para 32,801 Mt
Segundo a mineradora, o aumento na produção de minério de ferro ocorreu graças ao bom desempenho da mina de Brucutu e ao avanço contínuo dos projetos Capanema e VGR1.
Preços do minério da Vale
No quarto trimestre de 2025, os preços médios praticados pela Vale subiram na maioria dos segmentos.
Os finos de minério tiveram alta de 2,6% em relação ao mesmo período de 2024, para US$ 95,4 por tonelada, e avançaram 1,1% na comparação trimestral. Em 2025, houve queda de 3,9% em relação a 2024.
Já os preços das pelotas registraram queda de 8,1% ano a ano, para US$ 131,4, mas subiram 0,5% frente ao trimestre anterior. No ano completo, o preço caiu 13,3% ante 2024.
Vale lembrar que, no início de 2025, a Vale foi diretamente afetada pela guerra comercial entre Estados Unidos e China, que pressionou os preços do minério de ferro. Em 2026, o cenário segue complicado: as cotações continuam sob pressão diante das preocupações persistentes com a demanda chinesa — o maior consumidor global da commodity.
Para efeito de comparação, nesta terça-feira (27) o contrato mais negociado de minério de ferro na Dalian Commodity Exchange, para entrega em maio de 2026, fechou em queda de 0,51%, cotado a US$ 113,26 por tonelada.
O prêmio all-in da Vale foi de US$ 0,9 por tonelada, queda de 80,4% na base anual e de 57,1% na comparação sequencial. Já em 2025 ante 2024, houve queda de 28,6%.
Outros metais
Além do minério de ferro, o relatório operacional do quarto trimestre mostrou um forte desempenho em outros metais.
A produção de cobre totalizou 108,1 mil toneladas (kt), alta de 6,2% na comparação anual e de 19,1% frente ao trimestre anterior. No ano completo, a produção aumentou 9,8% ante 2024, para 382,4 kt
As vendas de cobre subiram 8,0% (106,9 kt) ano a ano e 18,8% na base trimestral, com preços médios de US$ 11.003 (+19,8% ano a ano e +12,1% trimestre contra trimestre). Em 2025 ante 2024, houve alta de 12,4% nas vendas, para 367,8 kt.
Já a produção de níquel avançou 1,5% em relação ao quarto trimestre de 2024, mas recuou 1,3% frente ao trimestre anterior, somando 46,2 kt. No ano passado, a alta foi de 10,8% em relação a 2024, somando 177,2 kt.
As vendas de níquel, por sua vez, atingiram 49,6 kt, alta de 5,3% ano a ano e de 15,6% na comparação sequencial. Em 2025, houve alta de 11,3% na comparação com o ano anterior, para 172,8 kt.
O preço médio do níquel, contudo, caiu 7,1% em relação a 2024 e recuou 2,8% frente ao trimestre anterior, para US$ 15.015. Já na avaliação do ano inteiro, a queda foi de 8,9% em relação a 2024.
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