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A Ultrapar tem oportunidades de crescimento, tanto de forma orgânica quanto por meio de aquisições. A disciplina na alocação de capital e atuação em setores resilientes (energia, logística e mobilidade) são pontos relevantes para a tese de investimentos

A Ultrapar (UGPA3), holding que concentra a rede de distribuição de combustíveis Ipiranga, a distribuidora de gás Ultragaz, a Ultracargo e outras empresas, é uma das ações preferidas do BTG Pactual para investir no setor de óleo e gás.
O banco elegeu a companhia como uma das preferida (top pick) do setor, ao lado da Prio (PRIO3), com preço-alvo de R$ 31 – o que representa um potencial de valorização de 39,3% nos próximos 12 meses sobre o preço de fechamento de quinta-feira (15).
Ontem, as ações encerraram as negociações cotadas a R$ 22,26. 39,3% de valorização. Contando com dividendos, o lucro do acionista pode chegar a 42,7%.
As ações da companhia figuram entre as maiores altas do Ibovespa (IBOV) desde o início do pregão desta sexta-feira (16). Por volta de 12h30 (horário de Brasília), UGPA3 tinha avanço de 1,21%, a R$ 22,53. Mais cedo, os papéis chegaram a subir mais de 2%.
Em relatório, os analistas Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha destacam que a estratégia “renovada” da Ultrapar e a abordagem mais ativa da gestão de portfólio — após mudanças em sua estrutura acionária — melhoraram “de forma relevante” a tese de investimento da companhia.
“Com um portfólio diversificado focado em energia (Ipiranga e Ultragaz) e infraestrutura (Hidrovias e Ultracargo) no Brasil, esperamos que a Ultrapar continue buscando crescimento rentável", escreveram os analistas.
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O ROIC (sigla para Retorno sobre o Capital Investido) deve ser acima de 20% em seus negócios. Outra vantagem é que a holding pode entregar menor volatilidade de resultados em comparação com outras distribuidoras de combustíveis.
O Banco do Brasil também revisou seu preço-alvo e fundamentos para a holding. "A Ultrapar mudou alguns pilares de seu modelo de negócio, redirecionou as aquisições com a entrada na Hidrovias do Brasil e vem fazendo uma boa execução de seu plano estratégico", diz o BB-BI em relatório.
A empresa tem oportunidades de crescimento, tanto de forma orgânica quanto por meio de aquisições. A disciplina na alocação de capital e atuação em setores resilientes (energia, logística e mobilidade) são pontos relevantes para a tese de investimentos.
O BB-BI, no entanto, cortou levemente o preço-alvo para a empresa para o ano, de R$ 28 para os atuais R$ 25.
O papel UGPA3 sobe 48% nos últimos doze meses, acima dos 35% de alta no Ibovespa, mas abaixo dos 68% de alta de seu principal par listado, a Vibra, no mesmo período (Raízen cai 59%, mas por razões de seu endividamento e da performance no segmento agro).
Os analistas do BTG Pactual avaliam que a baixa alavancagem da Ultrapar cria espaço para novas aquisições ou maiores distribuições de dividendos aos acionistas.
Nas contas do banco, a companhia deve atingir um nível de endividamento de 1,6 vez a dívida líquida sobre o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) até o final de 2026.
O número já incorpora o pagamento de dividendos de aproximadamente R$ 1,2 bilhão ao longo deste ano – o que corresponde a cerca de 5% de dividend yield (rendimento do dividendo).
“Isso deixa a companhia com um balanço confortável, em nossa visão”, afirmaram os analistas.
A dupla destaca que a companhia tem um espaço de R$ 3,1 bilhões – 13% do valor de mercado –para buscar novas oportunidades de crescimento ou aumentar as distribuições aos acionistas, considerando os esforços da gestão para atingir uma alavancagem recorrente de cerca 2,0x dívida líquida/Ebitda.
Como holding, uma força da companhia vem da integração dos seus negócios. A Ultrapar está em um momento positivo em todas as unidades de negócio. Como suas receitas também vêm de várias companhias distintas, ela é menos suscetível ao mercado do petróleo.
“Gostamos particularmente da abordagem disciplinada da Ultrapar na alocação dos fluxos de caixa excedentes da Ipiranga, seu negócio de distribuição de combustíveis gerador de caixa, em novas oportunidades de crescimento orgânico e/ou inorgânico”, diz o relatório.
“Embora a administração ainda não tenha comprovado plenamente seu histórico após o mais recente processo de reciclagem de portfólio, acreditamos que uma reviravolta bem-sucedida na Hidrovias poderia melhorar significativamente o sentimento em relação à tese de holding de longo prazo”, acrescentaram os analistas.
Nas contas da dupla, a Ipiranga deve reportar uma margem Ebitda de cerca de R$ 165/m³ em 2026 (contra R$140/m³ em 2025 e R$144/m³ em 2024), sustentada por crescimento de volumes de aproximadamente 2,5% na base anual.
“Nossa visão é apoiada pela redução de atividades irregulares no mercado brasileiro de combustíveis, o que acreditamos que pode levar a um ambiente competitivo mais saudável.”
No negócio da Ultragaz, o BTG acredita que as mudanças regulatórias propostas pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) no ano passado – por exemplo, o enchimento parcial de botijões de gás liquefeito (GLP), conhecido como “gás de cozinha” –, dificilmente serão implementadas, “pois poderiam introduzir instabilidade regulatória no mercado de GLP”.
Os analistas também veem um impacto limitado sobre os preços finais e potenciais aumentos nos riscos de segurança, “o que poderia abrir espaço para agentes irregulares”.
O banco projeta uma margem Ebitda de R$1.045 por tonelada em 2026, ante R$1.035/t em 2025. O número assume a “disrupção regulatória limitada e contribuições contínuas de novos negócios – como Stella e Neogas.”
Os analistas do BTG ainda esperam que a gestão da Hidrovias permaneça focada na racionalização de investimentos (capex) e em melhoras de eficiência operacional para elevar o ROIC.
Eles também destacam que o negócio deve seguir buscando, de forma seletiva, oportunidades para expandir marginalmente a capacidade em 2026 e 2027.
Para a Ultracargo, o BTG Pactual espera a manutenção da trajetória recente de crescimento, com Ebitda alcançando cerca de R$634 milhões neste ano, o que representa um crescimento de 10% na base anual, impulsionado por crescimento de capacidade e de maior giro de ativos.
Em novembro do ano passado, o Brazil Journal noticiou que a Ultrapar havia adquirido uma participação pouco abaixo de 5% na Rumo (RAIL3). No mês seguinte, a Cosan (CSAN3) confirmou a venda de uma fatia de cerca de 4,96% da companhia de logística.
“Dado o amplo conhecimento do CEO Marcos Lutz sobre o setor ferroviário brasileiro e a Rumo, devido a suas funções anteriores na Cosan, e o fato de a Ultrapar não ter negado explicitamente a aquisição de uma participação na Rumo, permanece incerto para nós se a Ultrapar de fato construiu uma participação minoritária na companhia”, diz o relatório.
Embora a Ultrapar não tenha confirmado a operação, os analistas do BTG Pactual consideram que eventual negócio é positivo, dada a crescente familiaridade da Ultrapar com ativos de infraestrutura após a aquisição da Hidrovias do Brasil.
A transação também teria um impacto limitado de cerca de 0,1x dívida líquida/Ebitda, elevando a alavancagem de 1,6x para 1,7x.
Com Money Times
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