Rede D’Or (RDOR3) segue como estrela e Fleury (FLRY3) ganha fôlego: Santander aposta nas gigantes, mas vê obstáculos em 2026 para a saúde
Banco reforça confiança seletiva em grandes players, mas alerta para riscos regulatórios e competição intensa na saúde neste ano; confira as recomendações do Santander para o setor

Concorrência intensa, riscos regulatórios e efeitos de calendário fazem de 2026 um verdadeiro teste de resistência para o setor de saúde. Nesse cenário, o Santander adotou uma postura mais cautelosa, mas manteve confiança seletiva em empresas de maior porte, com marcas fortes e geração consistente de caixa.
Em um relatório divulgado nesta sexta-feira (9), o banco reafirmou a Rede D’Or (RDOR3) como principal escolha no setor e revisou a recomendação do Fleury (FLRY3), que passou de neutral (desempenho em linha com o mercado) para outperform (desempenho acima da média).
Para este ano, o banco projeta um cenário marcado por maior competição, efeitos negativos de calendário e riscos regulatórios — fatores que tendem a penalizar companhias menores e menos capitalizadas.
“Preferimos nomes de maior porte, que operam em mercados resilientes, com competição mais benigna e histórico comprovado de geração de caixa”, afirma o time de analistas liderado por Caio Moscardini.
Rede D’Or: a queridinha do Santander
Dentro desse contexto, a principal recomendação do banco segue sendo a Rede D’Or. Segundo o Santander, a companhia reúne ativos de alta qualidade, posição dominante no segmento hospitalar e capacidade de capturar demanda por procedimentos de maior complexidade, justamente em um momento em que hospitais pequenos e médios enfrentam restrições financeiras.
“Vemos a Rede D’Or como uma empresa ‘all weather’, capaz de performar bem em diferentes ciclos econômicos”, diz o relatório.
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Embora negocie a múltiplos superiores aos de pares locais, o banco avalia que o prêmio é justificado. “Mesmo negociando a múltiplos mais altos, o perfil de crescimento, a qualidade dos ativos e a melhora contínua de Roe (rentabilidade sobre o patrimônio) e Roic (retorno sobre o capital investido) sustentam esse diferencial”, destacam os analistas.
Eles ressaltam ainda a capacidade de execução e o ganho estrutural de escala da companhia.
Fleury: upgrade e tese defensiva
No segmento de diagnósticos, o Santander revisou sua visão sobre o Fleury e elevou a recomendação para outperform. O banco vê a empresa como um nome defensivo em um ano potencialmente mais volátil, combinando marcas fortes, consolidação do setor e elevada geração de caixa.
“O Fleury entrega seu perfil clássico de forte geração de caixa, com payout elevado, o que deve ajudar a sustentar o papel”, afirma o relatório.
Além disso, a companhia é vista como um ativo estratégico dentro do setor. Segundo o Santander, a atuação ativa na consolidação do mercado mantém no radar a possibilidade de movimentos corporativos mais relevantes.
“O Fleury carrega uma assimetria positiva associada a potenciais movimentos de consolidação, inclusive envolvendo grandes grupos hospitalares”, avalia o banco.
Do ponto de vista de valuation, o Santander considera que os múltiplos são razoáveis frente à qualidade do negócio. “A ação negocia a um patamar que reflete sua previsibilidade de resultados e a capacidade de geração de caixa, sem exigir um prêmio excessivo”, dizem os analistas.
E as operadoras de planos de saúde?
Entre as operadoras, o Santander manteve a Hapvida (HAPV3) como outperform, mas reforçou que a recomendação é, sobretudo, uma tese de valuation. “Os desafios operacionais e o fraco momento de resultados são amplamente conhecidos e, em nossa visão, já estão refletidos nos preços das ações”, avalia o banco.
Ainda assim, o Santander reconhece que o ambiente competitivo deve seguir pressionando o crescimento da base, especialmente no Sudeste.
VEJA TAMBÉM: HAPVIDA (HAPV3) CAI 42% EM UM ÚNICO DIA: ENTENDA O COLAPSO DAS AÇÕES
Por outro lado, o Santander rebaixou a recomendação de Mater Dei (MATD3) para neutral. Segundo o banco, a combinação de riscos de execução — especialmente ligados ao rump up de novos hospitais — e menor potencial de revisões positivas de lucro limita o upside do papel.
“Preferimos aguardar um ponto de entrada mais atrativo”, diz o relatório.
Entre os principais temas para 2026, os analistas ainda destacam o efeito de calendário, com menos dias úteis, maior número de feriados prolongados e a Copa do Mundo, o que tende a reduzir procedimentos eletivos.
“Historicamente, esse cenário favorece as operadoras de planos, com menor utilização, e pesa sobre hospitais e empresas de diagnóstico”, aponta o Santander.
No campo regulatório, por fim, o banco vê sinais mais construtivos após decisão recente do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o rol da Agência Nacional de Saúde (ANS), o que pode contribuir para a desaceleração de novos processos judiciais.
“Ainda é cedo para falar em alívio total, mas já observamos uma clara perda de ritmo na judicialização”, afirmam os analistas.
Confira todas as recomendações do Santander para o setor:
| Empresa | Rating | Preço-alvo (R$) | Upside |
|---|---|---|---|
| Rede D’Or | Outperform | 55,50 | 35,4% |
| Auna | Outperform | 9,00 | 79,3% |
| Mater Dei | Neutral | 6,30 | 20,5% |
| Fleury | Outperform | 18,50 | 26,7% |
| Oncoclínicas | Neutral | 3,20 | 19,8% |
| DASA | Neutral | 4,70 | 19,3% |
| Hapvida | Outperform | 20,70 | 25,6% |
| OdontoPrev | Neutral | 13,00 | 14,5% |
| Qualicorp | Neutral | 2,70 | 14,5% |
*Com informações do Money Times
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