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Larissa Bernardes

Repórter no Seu Dinheiro, formada em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Possui experiência na cobertura do mercado financeiro em tempo real, economia, política e cenário internacional. Passou por agências de notícias e redações, como Agência Estado, Safras News, DCM e Record TV.

RAIO-X DO SETOR

Rede D’Or (RDOR3) segue como estrela e Fleury (FLRY3) ganha fôlego: Santander aposta nas gigantes, mas vê obstáculos em 2026 para a saúde

Banco reforça confiança seletiva em grandes players, mas alerta para riscos regulatórios e competição intensa na saúde neste ano; confira as recomendações do Santander para o setor

Larissa Bernardes
9 de janeiro de 2026
19:25 - atualizado às 18:10
Ações de saúde na B3
Setor de saúde - Imagem: Canva PRO / Montagem Seu Dinheiro

Concorrência intensa, riscos regulatórios e efeitos de calendário fazem de 2026 um verdadeiro teste de resistência para o setor de saúde. Nesse cenário, o Santander adotou uma postura mais cautelosa, mas manteve confiança seletiva em empresas de maior porte, com marcas fortes e geração consistente de caixa.

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Em um relatório divulgado nesta sexta-feira (9), o banco reafirmou a Rede D’Or (RDOR3) como principal escolha no setor e revisou a recomendação do Fleury (FLRY3), que passou de neutral (desempenho em linha com o mercado) para outperform (desempenho acima da média).

Para este ano, o banco projeta um cenário marcado por maior competição, efeitos negativos de calendário e riscos regulatórios — fatores que tendem a penalizar companhias menores e menos capitalizadas.

“Preferimos nomes de maior porte, que operam em mercados resilientes, com competição mais benigna e histórico comprovado de geração de caixa”, afirma o time de analistas liderado por Caio Moscardini.

Rede D’Or: a queridinha do Santander

Dentro desse contexto, a principal recomendação do banco segue sendo a Rede D’Or. Segundo o Santander, a companhia reúne ativos de alta qualidade, posição dominante no segmento hospitalar e capacidade de capturar demanda por procedimentos de maior complexidade, justamente em um momento em que hospitais pequenos e médios enfrentam restrições financeiras.

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“Vemos a Rede D’Or como uma empresa ‘all weather’, capaz de performar bem em diferentes ciclos econômicos”, diz o relatório.

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Embora negocie a múltiplos superiores aos de pares locais, o banco avalia que o prêmio é justificado. “Mesmo negociando a múltiplos mais altos, o perfil de crescimento, a qualidade dos ativos e a melhora contínua de Roe (rentabilidade sobre o patrimônio) e Roic (retorno sobre o capital investido) sustentam esse diferencial”, destacam os analistas.

Eles ressaltam ainda a capacidade de execução e o ganho estrutural de escala da companhia.

Fleury: upgrade e tese defensiva

No segmento de diagnósticos, o Santander revisou sua visão sobre o Fleury e elevou a recomendação para outperform. O banco vê a empresa como um nome defensivo em um ano potencialmente mais volátil, combinando marcas fortes, consolidação do setor e elevada geração de caixa.

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“O Fleury entrega seu perfil clássico de forte geração de caixa, com payout elevado, o que deve ajudar a sustentar o papel”, afirma o relatório.

Além disso, a companhia é vista como um ativo estratégico dentro do setor. Segundo o Santander, a atuação ativa na consolidação do mercado mantém no radar a possibilidade de movimentos corporativos mais relevantes.

“O Fleury carrega uma assimetria positiva associada a potenciais movimentos de consolidação, inclusive envolvendo grandes grupos hospitalares”, avalia o banco.

Do ponto de vista de valuation, o Santander considera que os múltiplos são razoáveis frente à qualidade do negócio. “A ação negocia a um patamar que reflete sua previsibilidade de resultados e a capacidade de geração de caixa, sem exigir um prêmio excessivo”, dizem os analistas.

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E as operadoras de planos de saúde?

Entre as operadoras, o Santander manteve a Hapvida (HAPV3) como outperform, mas reforçou que a recomendação é, sobretudo, uma tese de valuation. “Os desafios operacionais e o fraco momento de resultados são amplamente conhecidos e, em nossa visão, já estão refletidos nos preços das ações”, avalia o banco.

Ainda assim, o Santander reconhece que o ambiente competitivo deve seguir pressionando o crescimento da base, especialmente no Sudeste.

VEJA TAMBÉM: HAPVIDA (HAPV3) CAI 42% EM UM ÚNICO DIA: ENTENDA O COLAPSO DAS AÇÕES

Por outro lado, o Santander rebaixou a recomendação de Mater Dei (MATD3) para neutral. Segundo o banco, a combinação de riscos de execução — especialmente ligados ao rump up de novos hospitais — e menor potencial de revisões positivas de lucro limita o upside do papel.

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“Preferimos aguardar um ponto de entrada mais atrativo”, diz o relatório.

Entre os principais temas para 2026, os analistas ainda destacam o efeito de calendário, com menos dias úteis, maior número de feriados prolongados e a Copa do Mundo, o que tende a reduzir procedimentos eletivos.

“Historicamente, esse cenário favorece as operadoras de planos, com menor utilização, e pesa sobre hospitais e empresas de diagnóstico”, aponta o Santander.

No campo regulatório, por fim, o banco vê sinais mais construtivos após decisão recente do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o rol da Agência Nacional de Saúde (ANS), o que pode contribuir para a desaceleração de novos processos judiciais.

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“Ainda é cedo para falar em alívio total, mas já observamos uma clara perda de ritmo na judicialização”, afirmam os analistas.

Confira todas as recomendações do Santander para o setor:

EmpresaRatingPreço-alvo (R$)Upside
Rede D’OrOutperform55,5035,4%
AunaOutperform9,0079,3%
Mater DeiNeutral 6,3020,5%
FleuryOutperform18,5026,7%
OncoclínicasNeutral 3,2019,8%
DASANeutral 4,7019,3%
HapvidaOutperform20,7025,6%
OdontoPrevNeutral 13,0014,5%
QualicorpNeutral 2,7014,5%

*Com informações do Money Times

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