Credores da Raízen (RAIZ4) querem 90% da empresa em troca de dívida, diz agência; o que está na mesa?
A alta participação negociada demonstra uma insegurança do mercado em relação à companhia

Em negociações com a Raízen (RAIZ4), os credores e detentores de títulos da empresa de açúcar e etanol fizeram uma proposta ousada. A oferta é converter 45% da dívida da companhia em troca de 90% de participação na empresa, de acordo com informações da Bloomberg News.
Seria um acordo de “debt-to-equity swap”, quando ocorre a troca de uma dívida por participação acionária. No caso da proposta, a Raízen receberia um alívio financeiro, com a suspensão do pagamento dessas dívidas.
No entanto, os acionistas atuais perderiam espaço para os credores. Hoje, Cosan e Shell são os principais acionistas, cada um com 50% de ações ordinárias e com 44% do capital total. Já a BlackRock e o banco Norges, da Noruega, têm 0,7% do total. Os 10,5% restantes estão no mercado.
Segundo o site, a participação oferecida pela empresa aos credores foi de 70%. A alta participação negociada demonstra uma insegurança do mercado em relação à companhia. O prazo final para o acordo é o dia 6 de junho.
Bancos como o Itaú Unibanco e o Bradesco estão ameaçando cortar crédito para outras empresas da Cosan, uma das controladoras da Raízen, se não for encontrada uma solução. Os credores também buscam maior poder de decisão na gestão da Raízen.
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No cálculo, o plano reduziria a alavancagem da Raízen de 5,3 para 3,5 vezes o Ebitda e poderia até abrir espaço para uma eventual separação entre as unidades de açúcar e etanol dos negócios de distribuição de combustíveis.
O difícil caminho de recuperação da Raízen
Em março, a Raízen entrou em um processo de reestruturação extrajudicial após acumular uma dívida de cerca de R$ 65 bilhões. A empresa tem sido prejudicada pelas altas taxas de juros, investimentos que ainda não foram pagos e obstáculos operacionais em suas divisões de açúcar e etanol.
Agora, a companhia tenta renegociar dívidas diretamente com os credores, sem entrar na Justiça, como em uma recuperação judicial. O objetivo é evitar um cenário mais grave, como insolvência.
Credores também exigem que os sócios façam um aumento de capital da Raízen. Agora, a cifra total que acreditam ser necessária varia de R$ 8 bilhões a R$ 10 bilhões. Inicialmente, chegaram a exigir R$ 25 bilhões.
Nos últimos meses, a Shell chegou a oferecer uma injeção de R$ 3,5 bilhões. Outros R$ 500 milhões viriam de um veículo controlado pela Aguassanta Investimentos S.A., ligada à família de Rubens Ometto Silveira de Mello, acionista controlador da Cosan (CSAN3). Mas esse negócio acabou não saindo do papel.
Com Money Times
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