“Pix por aproximação não é uma prioridade para os brasileiros”, diz Apple, que defende direito de cobrar bancos por tecnologia
Segundo a Apple, abrir o acesso ao NFC sem critérios rigorosos poderia expor usuários a hackers e malware

A Apple defendeu seu direito de cobrar por uma tecnologia de pagamentos em meio a uma investigação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em relação a possíveis práticas anticompetitivas envolvendo a tecnologia de pagamentos por aproximação (NFC) do iPhone.
O processo foi aberto depois que bancos e fintechs se queixaram que a gigante norte-americana dificulta a oferta de outras carteiras digitais para os clientes Apple e que limita o acesso ao ecossistema de pagamento.
No Brasil, o iPhone responde por cerca de 10% do mercado de smartphones, e a Apple lembra que desde 2018 mais de 40 bancos e emissores oferecem o Apple Pay no país. Globalmente, a tecnologia está presente em 89 mercados e é usada por mais de 11 mil instituições financeiras.
Na sexta-feira (13), a empresa de tecnologia afirmou ter direito de cobrar bancos e carteiras digitais que desejam usar a funcionalidade, destacando que a medida é necessária para garantir a segurança das transações e proteger os consumidores de riscos cibernéticos.
Bancos e fintechs alegam que a Apple impõe condições abusivas, dificultando o surgimento de carteiras digitais concorrentes ao Apple Pay para usuários da empresa. Em resposta, a gigante de tecnologia sustenta que suas taxas são razoáveis e que não há prejuízo à concorrência que justifique a intervenção do Cade.
No documento enviado ao órgão, a Apple afirma que as alegações de anticompetitividade são “juridicamente e factualmente incorretas”.
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A empresa afirma que o interesse de bancos e prestadores de serviços de pagamento em ter acesso gratuito às tecnologias proprietárias de NFC visa reduzir custos próprios, sem considerar os investimentos feitos pela Apple em pesquisa, desenvolvimento e monitoramento de segurança.
“Todas as empresas que defendem o acesso gratuito ou quase gratuito aos pagamentos por NFC no iOS – como Nubank, Zetta, Mercado Pago, PicPay e PayPal – têm um interesse econômico direto na redução de seus próprios custos”, destaca.
Como funciona a tecnologia, segundo a Apple
A companhia reforça que o Secure Element (SE), chip presente no iPhone que isola credenciais de pagamento, é um diferencial de segurança. Ele armazena e processa dados sensíveis, exigindo autenticação biométrica ou por código de acesso para concluir transações, o que minimiza riscos de fraudes e ataques cibernéticos.
Segundo a Apple, abrir o acesso ao NFC sem critérios rigorosos poderia expor usuários a hackers e malware, enquanto as soluções da empresa atendem às expectativas de segurança de consumidores e instituições financeiras.
“Essas empresas têm interesse em promover um modelo de acesso NFC que, ao contrário do Apple Pay e do Apple Wallet, introduz fricções que podem limitar a prontidão dos usuários para alternar com facilidade entre diferentes cartões de pagamento, ao exigir que selecionem uma nova solução de pagamento a cada vez que desejarem utilizar um cartão distinto”, diz a empresa.
A empresa destaca ainda que o mercado brasileiro de pagamentos é competitivo, com múltiplas opções de pagamentos por aproximação, incluindo QR Code e cartões físicos, além do Pix tradicional, que concentra a maior parte das transações.
Pix por aproximação
A Apple também minimizou a relevância do Pix por Aproximação, que completa um ano no país, afirmando que registrou apenas 1,05 milhão de transações em janeiro de 2026, enquanto o Pix por QR Code dinâmico somou 2,7 bilhões de operações no mesmo período.
A empresa conclui que o Pix por Aproximação não representa uma demanda essencial para os consumidores brasileiros.
“O Pix por Aproximação não é uma prioridade clara nem uma demanda essencial dos consumidores no Brasil”, diz o documento.
Com Money Times
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