Petróleo deve ficar acima do esperado pelo mercado, diz XP; veja os novos preços-alvo para Petrobras (PETR4), Prio (PRIO3) e outras ações do setor
Corretora acredita que a crise no Oriente Médio ainda deixará marcas sobre a oferta global e sustenta projeções mais altas para o Brent

A guerra no Oriente Médio pode estar longe de um desfecho definitivo, e essa percepção levou a XP Investimentos a revisar para cima suas projeções para o petróleo e para as principais petroleiras brasileiras.
Em relatório divulgado nesta segunda-feira (8), a corretora elevou as estimativas para o Brent — referência internacional — e aumentou os preços-alvo de Petrobras (PETR4), Prio (PRIO3), Brava Energia (BRAV3) e PetroReconcavo (RECV3).
A preferência dos analistas continua sendo a Prio, que segue como principal recomendação dentro do setor de exploração e produção.
A XP agora trabalha com um Brent médio de US$ 86 por barril em 2026, considerando uma cotação próxima de US$ 88 para o restante deste ano. Para 2027, a projeção é de US$ 75 por barril, enquanto a partir de 2028 a estimativa passa a ser de US$ 70.
A revisão reflete a avaliação de que o mercado está otimista demais em relação à normalização do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o transporte global da commodity.
“Acreditamos que os preços do petróleo devem recuar, mas menos do que o mercado espera atualmente”, afirmam os analistas.
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O debate sobre o petróleo
Segundo a XP, a principal discussão entre investidores atualmente é onde os preços do petróleo irão se estabilizar após os impactos do conflito no Oriente Médio.
A curva futura da commodity sugere uma queda gradual dos níveis atuais. Ainda assim, a corretora considera improvável uma normalização completa da situação na região no curto prazo.
Para os analistas, o cenário mais provável é de apenas uma recuperação parcial dos fluxos pelo Estreito de Ormuz, mantendo um prêmio de risco geopolítico incorporado aos preços do petróleo.
O relatório destaca que o número de embarcações cruzando a passagem marítima caiu drasticamente após o início do conflito. Entre março e maio deste ano, a média diária chegou a apenas dois ou três navios em alguns momentos, ante mais de 100 antes da escalada das tensões.
A XP avalia que interrupções persistentes na região e a continuidade da redução dos estoques globais podem sustentar o Brent acima da faixa de US$ 75 a US$ 80 por barril. “Uma resolução completa está longe de ser certa”, diz o documento.
Novos preços-alvo para as petroleiras
Com as novas premissas para o petróleo, a XP elevou os preços-alvo de todas as empresas sob cobertura.
Para a Petrobras, o novo alvo passou para R$ 63 por ação, ante R$ 47 anteriormente. No caso da Prio, a estimativa subiu de R$ 64 para R$ 78.
A Brava Energia teve o preço-alvo elevado de R$ 22 para R$ 25, enquanto a PetroReconcavo passou de R$ 12 para R$ 13.
A corretora manteve recomendação de compra para Petrobras, Prio e Brava Energia. Para a PetroReconcavo, a recomendação segue neutra.
Prio e Petrobras continuam entre as favoritas
Mesmo após a valorização recente do setor, a XP considera que os papéis continuam negociando a níveis atrativos.
A corretora estima rendimento de fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE) de 24% em 2026 e de 26% em 2027 para a Prio. Já a Petrobras deve entregar rendimentos de aproximadamente 13% em ambos os anos.
A Brava Energia também aparece com potencial relevante, com rendimento estimado de 33% em 2027. Ainda assim, a XP adota uma postura mais cautelosa em relação à companhia devido às incertezas sobre sua produção futura e sobre a trajetória do petróleo.
Governo entra na conta
Além da geopolítica, o relatório chama atenção para medidas adotadas pelo governo brasileiro para reduzir os impactos da alta do petróleo sobre os consumidores.
Entre elas estão o imposto sobre exportação de petróleo bruto e os subsídios concedidos aos combustíveis.
Segundo a XP, os subsídios ao diesel e à gasolina acabam beneficiando parcialmente a Petrobras ao compensar a manutenção dos preços domésticos abaixo dos níveis internacionais.
Por outro lado, o imposto sobre exportações representa um fator negativo para as produtoras.
Considerando um período de vigência de 120 dias, a Brava Energia seria a empresa proporcionalmente mais impactada pela medida. Petrobras, Prio e PetroReconcavo também sofreriam efeitos negativos, embora em menor magnitude.
A corretora ressalta que existe a possibilidade de o imposto ser estendido até o fim do ano. Caso isso aconteça, as estimativas para as companhias poderão sofrer revisões adicionais.
O risco para a tese
Apesar da visão construtiva para o setor, a XP reconhece que parte relevante do mercado segue apostando em uma queda mais acentuada do petróleo.
Essa corrente defende que a eventual normalização dos fluxos pelo Estreito de Ormuz revelaria um mercado global com excesso de oferta, levando o Brent gradualmente de volta para níveis próximos de US$ 60 por barril ou até abaixo disso.
Embora não seja o cenário-base da corretora, os analistas admitem que esse desfecho representaria um risco relevante para suas projeções e para os preços-alvo das empresas do setor.
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