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PAZ ARMADA

A calmaria antes da nova alta: o que esperar do setor de petróleo após o anúncio de cessar-fogo entre Irã e Israel

O alívio militar desta segunda-feira (8) acalmou o pânico, mas o gargalo logístico no Oriente Médio continuará ditando as regras do jogo. Para as gigantes do petróleo, os próximos meses prometem margens gordas. Para o resto da economia, a inflação segue um risco.

Barril de petróleo sobre dólares
Imagem: DALL-E/ChatGPT

Se você achava que a trégua no Oriente Médio ia trazer calmaria para os seus investimentos, o mercado de petróleo um recado para você: os cintos ainda devem seguir afivelados. 

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O Irã anunciou um cessar-fogo com Israel nesta segunda-feira (8), trazendo um alívio temporário para as tensões militares. Mas se a poeira geopolítica ameaça baixar, os preços do barril continuam em ritmo de escalada no mercado internacional.  

O Brent — usado como referência internacional e pela Petrobras (PETR4) — opera em alta hoje, na casa dos US$ 94, e a Fitch Ratings projeta preços entre US$ 100 e US$ 110, além de elevar a perspectiva do setor de neutra para positiva.  

As petroleiras brasileiras acompanham os ganhos do Brent e operavam majoritariamente em alta no início desta tarde.  

Prendendo a respiração 

O acordo de paz costurado entre Estados Unidos e Irã em abril parecia ter ficado no passado — no domingo (7), Teerã disparou mísseis contra o norte de Israel.  

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Os iranianos usaram como justificativa as violações repetidas do cessar-fogo por parte de Jerusalém, culminando em um ataque aos subúrbios do sul de Beirute, no Líbano.  

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Israel, por sua vez, não deixou barato e respondeu com um ataque em grande escala a sistemas estratégicos de defesa e alvos militares no oeste e centro do Irã. 

No entanto, o Ministério das Relações Exteriores do Irã confirmou nesta segunda-feira (8) que os ataques contra Israel foram suspensos. Mas avisou: as ofensivas serão retomadas se as Forças de Defesa de Israel mantiveram as operações em território libanês. 

Para adicionar mais tempero a esse caldeirão, o presidente norte-americano, Donald Trump, foi às redes sociais exigir um "cessar-fogo imediato", afirmando que um acordo final está em andamento e que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, "não terá escolha" a não ser aceitar, pois Trump "manda". 

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O clima, porém, azedou do lado iraniano. Um membro ligado às negociações avisou que um acordo com Trump "não é mais viável neste momento", culpando o presidente norte-americano pela escalada.  

Para o presidente do parlamento iraniano, MB Ghalibaf, o bloqueio naval dos EUA e os ataques no Líbano já violaram a trégua de abril, tornando os ativos norte-americanos e israelenses na região "alvos legítimos". 

O sobe e desce do petróleo 

Como o mercado financeiro odeia incertezas, a primeira reação do petróleo foi disparar. Os preços chegaram a saltar mais de 5% no início do dia. Contudo, à medida que a notícia da pausa nos ataques iranianos foi digerida, os ânimos se acalmaram e os preços recuaram das máximas. 

Ainda assim, o saldo é de alta. Por volta de 13h40, o Brent avançava 1,75%, cotado a US$ 94,72 o barril. Já o WTI, referência do mercado norte-americano, subia 1,27%, para US$ 91,69 no mesmo horário. 

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Enquanto isso, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e seus aliados tentam equilibrar a oferta.  

O grupo conhecido como Opep+ concordou em aumentar as metas de produção em 188.000 barris por dia (bpd) a partir de julho. É a quarta aprovação de alta da cota desde o fechamento do Estreito de Ormuz, nivelando-se a junho, mas ficando abaixo dos ajustes de 206.000 bpd vistos em abril e maio — redução justificada pela saída dos Emirados Árabes Unidos do grupo. 

A visão da Fitch: oportunidade (de lucros) à vista 

Se a geopolítica traz tensão, para as petroleiras pode significar caixa cheio. A agência de classificação de risco Fitch Ratings revisou a perspectiva global do setor de petróleo e gás para 2026: passou de neutra para positiva. 

O grande catalisador? O fechamento do Estreito de Ormuz. O Seu Dinheiro listou os principais pontos da agência sobre o setor: 

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  • Barril nas alturas: a Fitch projeta que o Brent navegará na faixa de US$ 100 a US$ 110 por barril entre junho e julho. 
  • Bloqueio estendido: a estimativa de interrupção da rota marítima piorou. O que antes duraria um ou dois meses, agora deve se estender por cerca de cinco meses, durando até o fim de julho. 
  • Dinheiro no caixa: a restrição de oferta manterá os preços elevados no curto prazo, beneficiando diretamente as receitas e os lucros das empresas do setor. 

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Apesar do cenário altista de curto prazo, a Fitch avisa que as árvores não crescem até o céu. Para o investidor que pensa no médio prazo, a agência traçou um panorama pós-conflito. 

Segundo a agência, após a reabertura do Estreito de Ormuz, a expectativa é de que o Brent recue para cerca de US$ 70 por barril em setembro. 

A recuperação também deve ser rápida: como não houve danos materiais à infraestrutura petrolífera da região, o petróleo armazenado (em navios e em terra) será vendido primeiro, seguido pela rápida retomada da produção. 

Paralelo a isso, a Opep deve elevar a produção à capacidade máxima — que era de 3,6 milhões de barris por dia antes do conflito — para compensar as perdas do fechamento. 

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No cenário-base da Fitch, o preço médio do Brent ficará em US$ 87 por barril no ano, bem acima dos US$ 68 de 2025. No entanto, o mercado deve voltar a registrar um excesso de oferta no quarto trimestre de 2026, empurrando as cotações para baixo.

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