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Em relatório, banco afirma que o diesel mantém prêmio de 16% sobre a paridade de importação com subsídio, vê margens recordes no segundo trimestre e eleva os preços-alvo das distribuidoras

Antes da temporada de balanços do segundo trimestre de 2026 pisar no acelerador, o Bank of America (BofA) reforçou sua visão positiva para o setor brasileiro de combustíveis, com os preços praticados Petrobras (PETR4) — e escolheu a ação preferida do segmento.
A avaliação combina um cenário ainda favorável para distribuidoras como Vibra (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3), com preços da estatal que seguem abaixo da paridade de importação para a gasolina e acima dela para o diesel, quando considerados os subsídios do governo.
Segundo o banco, esse contexto continua sustentando margens elevadas para as empresas do setor, mesmo após a recente queda dos preços internacionais do petróleo.
No monitor semanal de combustíveis, o BofA estima que o preço do diesel vendido pela Petrobras está com prêmio de 16% em relação à paridade de importação (IPP), considerando o subsídio de R$ 1,47 por litro concedido pelo governo.
Sem esse subsídio, porém, o cenário seria inverso: o diesel estaria com desconto de 24% em relação à paridade.
Já a gasolina permanece praticamente alinhada ao mercado internacional. Considerando o subsídio de R$ 0,44 por litro, os preços da Petrobras apresentam desconto de 2% em relação à paridade de importação.
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Vale lembrar que a paridade de importação é um dos principais parâmetros acompanhados pelo mercado para avaliar a política de preços da Petrobras.
Quando os combustíveis vendidos pela estatal ficam abaixo desse nível, importadores tendem a perder competitividade, já que o produto trazido do exterior se torna mais caro.
Já preços acima da paridade ampliam a rentabilidade da Petrobras, mas podem pressionar os custos para consumidores e distribuidoras.
Na comparação semanal, os preços internacionais do diesel em reais avançaram 1%, enquanto os da gasolina recuaram 1%, sem provocar mudanças relevantes nesse quadro.
No acumulado de 2026, período utilizado pela Petrobras como referência para sua política de preços, o BofA calcula que o diesel apresenta desconto médio de 9% frente à paridade de importação, enquanto a gasolina acumula desconto de 15%, ambos considerando os subsídios.
O banco também destaca que os spreads de refino — a diferença entre o valor do combustível vendido e o custo do petróleo usado na produção — da Petrobras permanecem em níveis historicamente elevados.
Após os reajustes realizados neste ano, o diesel teve aumento de R$ 0,38 por litro em março e redução de R$ 0,35 por litro em junho, movimento que, segundo o BofA, acompanhou a magnitude do novo subsídio recebido pela companhia.
Na gasolina, houve redução de R$ 0,14 por litro em janeiro e aumento de R$ 0,48 por litro no fim de maio, praticamente compensando o subsídio de R$ 0,44 por litro.
Nesse cenário, o banco estima que o spread de refino do diesel alcance US$ 75 por barril, considerando o subsídio.
O BofA ressalta que o patamar é significativamente superior à média de US$ 28 por barril registrada em 2025. Para a gasolina, a estimativa é de um spread positivo de US$ 22 por barril.
O relatório também lembra que a Petrobras recebeu a segunda parcela do programa federal de subsídios ao diesel, no valor de R$ 170 milhões, após já ter recebido R$ 752 milhões anteriormente.
Além disso, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a companhia voltará a importar diesel em julho, após não realizar compras externas entre abril e junho.
Segundo ela, a medida será temporária enquanto a estatal busca alcançar a autossuficiência no combustível ainda neste quinquênio.
Em relatório separado, divulgado nesta terça-feira (30), o BofA revisou para cima suas estimativas para o setor de distribuição de combustíveis antes da divulgação dos resultados do segundo trimestre.
O banco incorporou novas premissas macroeconômicas, incluindo uma projeção mais elevada para a taxa Selic, e elevou os preços-alvo das duas principais empresas do setor.
Para a Vibra, o preço-alvo passou de R$ 42 para R$ 43 por ação. Já para a Ultrapar, a projeção subiu de R$ 33 para R$ 34 por papel. Os novos valores representam um potencial de valorização de 43,7% e 29,1%, respectivamente, em relação ao último fechamento.
Apesar das revisões, o banco afirma que ambas as ações continuam sendo negociadas em níveis próximos aos observados antes do conflito no Oriente Médio, embora tenham superado o desempenho do Ibovespa e do índice Icon (indicador de desempenho do mercado brasileiro criado pela B3) no período.
Na avaliação dos analistas, a expansão das margens e o potencial de geração de caixa ainda não foram totalmente incorporados às cotações.
O BofA também atribui parte da recente fraqueza dos papéis a fatores técnicos. Segundo o banco, investidores que haviam comprado ações do setor como proteção contra riscos geopolíticos reduziram suas posições com a diminuição das tensões internacionais.
O BofA espera resultados bastante fortes para o segundo trimestre, com margens Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) próximas de R$ 400 por metro cúbico.
Embora reconheça que a queda recente do petróleo e da paridade de importação possa levar a alguma normalização no terceiro trimestre, o banco acredita que as margens continuarão elevadas.
Segundo informações obtidas junto a participantes da indústria, mesmo após a queda do petróleo, o diesel importado continua sendo ofertado por cerca de R$ 1.000 por metro cúbico acima do preço praticado pela Petrobras, refletindo a menor disponibilidade de diesel russo com desconto e custos logísticos mais elevados.
Além disso, o banco avalia que a normalização dos preços tende a liberar capital de giro, favorecendo uma geração de caixa mais robusta e uma desalavancagem mais rápida das distribuidoras.
Entre as empresas do setor, o BofA mantém preferência pela Vibra, citando a maior exposição ao segmento de distribuição de combustíveis, que deve responder por 85% do Ebitda estimado para 2027, ante cerca de 60% da Ultrapar.
O banco também destaca que a maior alavancagem da companhia pode se tornar uma vantagem caso o mercado volte a precificar um ciclo de queda dos juros.
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