Petrobras (PETR4) destrava ‘legado de Dilma’ com R$ 5 bilhões e coloca outros R$ 60 bilhões em nova fronteira do petróleo
Estatal reforça investimento em petróleo, mas volta a apostar em fertilizantes, área vista como “fantasma” por analistas, em meio à disparada dos preços globais

A Petrobras (PETR4) colocou o pé no acelerador em um investimento que costuma assombrar o mercado: a área de fertilizantes. Na noite de ontem (13), a estatal anunciou US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5 bilhões, nas cotações atuais da moeda) para retomar as obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN-III), em Três Lagoas (MS).
Além disso, a empresa destinará R$ 60 bilhões para o projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP), consolidando a iniciativa como uma nova fronteira de exploração de óleo e gás no país.
A decisão final de investimento do módulo SEAP I foi validada pelo conselho de administração, após a aprovação do SEAP II, em dezembro de 2025.
Juntos, os dois módulos devem produzir mais de 1 bilhão de barris de óleo equivalente, ampliando a oferta nacional de petróleo e gás. O projeto prevê a instalação de duas plataformas flutuantes (FPSO), com capacidade conjunta de até 240 mil barris de óleo por dia e processamento de 22 milhões de metros cúbicos de gás natural.
A estatal destacou que ganhos de escala e revisões contratuais aumentaram a atratividade econômica do empreendimento, viabilizando a negociação das plataformas P-81 e P-87. A produção do SEAP II está prevista para começar em 2030, enquanto o SEAP I deve entrar em operação após 2030.
Considerado estratégico, o projeto também inclui a perfuração de 32 poços e a construção de um gasoduto de 134 quilômetros, reforçando a infraestrutura energética e ampliando a oferta de gás natural, especialmente na região Nordeste.
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A petroleira também anunciou outro US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5 bilhões, nas cotações atuais da moeda) para retomar as obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN-III), em Três Lagoas (MS). O início das operações comerciais está previsto para 2029.
A decisão acontece após pressão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que a estatal retomasse a produção de fertilizantes, além de ocorrer em um momento em que o país busca reduzir os riscos de abastecimento em meio à guerra no Oriente Médio, que ameaça as entregas de uma importante fonte de importação de fertilizantes.
A intenção de Lula é fazer com que o setor agrícola fique menos dependente da importação do insumo. No entanto, o histórico da Petrobras com a produção de fertilizantes é um dos grandes fantasmas do mercado sobre a empresa.
A UFN-III começou a ser construída em 2011, durante o governo Dilma. Com a crise econômica em 2015, o projeto foi interrompido e, tempos depois, entrou na lista de desinvestimentos da Petrobras. Na visão da XP, a decisão de retomar o projeto é controversa devido aos seus retornos mais baixos em relação ao portfólio de Exploração e Produção da Petrobras, bem como ao seu histórico de má execução.
"Mesmo que o projeto tenha um Valor Presente Positivo (VPL), investir em fertilizantes não é o melhor uso do foco e dos recursos da Petrobras. Um contra-argumento à nossa opinião é que o negócio de fertilizantes fornece demanda para o gás natural da Petrobras, bem como diversificação e resistência a preços mais baixos do petróleo", escreveram os analistas em relatório divulgado quando a petroleira anunciou a aprovação para avançar com o projeto UFN-III, em 2024.
O projeto da UFN III prevê a produção anual de cerca de 1,2 milhão de toneladas de ureia e 70 mil de toneladas de amônia. A ureia é o fertilizante hidrogenado mais utilizado no Brasil, mas é integralmente importado.
Além de muito aplicado nos cultivos de milho, cana-de-açúcar, café, trigo e algodão, entre outros, o produto também será destinado ao segmento da pecuária, onde é utilizado como complemento alimentar para animais ruminantes, como as vacas e bois.
Já a amônia é a matéria-prima para a produção de fertilizantes e petroquímicos, além de outros produtos agropecuários.
Com a guerra no Irã, o preço da ureia, utilizada na fabricação de fertilizantes nitrogenados, teve alta de 50% desde o início da guerra, chegando nesta semana a US$ 725 a tonelada, segundo a consultoria StoneX.
Isso acontece porque a produção de fertilizantes é feita com uso de gás natural, exportado em grandes quantidades a partir do Golfo Pérsico, o ponto mais atingido pelo conflito entre Irã, Israel e EUA.
Com informações Estadão Conteúdo
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