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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

PAROU DE PIORAR?

O fundo do poço do Banco do Brasil (BBAS3) pode ter ficado no 4T25 — o mercado vai pagar para ver?

Com lucros e rentabilidade ainda pressionados, o mercado começa a discutir se o BB deixou o pior para trás ou apenas ganhou tempo

Camille Lima
Camille Lima
11 de fevereiro de 2026
7:08 - atualizado às 10:52
Banco do Brasil
Prédio do Banco do Brasil - Imagem: Divulgação

Foram vários trimestres de deterioração, pressão e frustração. Agora, o Banco do Brasil (BBAS3) chega ao quarto trimestre com uma pergunta incômoda sobre a mesa: o pior ficou para trás?  

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A inadimplência no agronegócio e no crédito corporativo ainda cobram seu preço, mas o mercado começa a ensaiar uma leitura menos sombria — a de que a pior fase pode ter passado, mesmo que a travessia até algo melhor ainda seja longa e acidentada. 

A expectativa dos analistas é que o lucro líquido chegue a R$ 6,39 bilhões, segundo estimativas do consenso da Bloomberg

O número representaria uma leitura dual do atual momento do banco: de um lado, representa um tombo de quase 60% em relação ao mesmo período de 2024; de outro, indica uma leve melhora sequencial, com crescimento de cerca de 6% frente ao terceiro trimestre. 

Quanto à rentabilidade, a previsão é que o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) chegue a 8,7%, segundo a média das estimativas compiladas pelo Seu Dinheiro.   

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Se confirmado, o indicador ainda mostraria uma retração expressiva de 12,7 pontos percentuais na comparação anual — mas avançaria tímidos 0,3 ponto percentual em relação ao trimestre anterior. 

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O pior já passou para o Banco do Brasil (BBAS3)? 

Mesmo com a esperada melhora sequencial, o consenso do mercado é que o Banco do Brasil deve continuar com o desempenho mais fraco entre os grandes bancos no quarto trimestre.  

A rentabilidade deve permanecer em um dígito, refletindo a persistência das despesas com provisões — não apenas no crédito rural, mas também nos segmentos de pessoas físicas e de pequenas e médias empresas (PMEs). 

Além disso, as pressões sobre a qualidade da carteira continuam presentes. Para mais um trimestre, analistas projetam desaceleração no crescimento das carteiras corporativa e de agronegócio, justamente os segmentos mais afetados pelo aumento da inadimplência.  

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O mercado espera um crescimento de portfólio mais próximo do piso do guidance (projeção) estipulado para 2025, que varia de 3% a 6%. A expectativa é que o crédito para pessoa física assuma o papel de principal motor de expansão, ainda que em ritmo contido. 

Na leitura do Safra, o quarto trimestre ainda não deve caracterizar uma virada clara de ciclo no crédito. “Embora a renegociação da carteira rural esteja avançando em ritmo sólido — já alcançando cerca de R$ 20 bilhões — ainda esperamos pressão sobre a inadimplência tanto desse segmento quanto das PMEs”, afirmam os analistas do banco. 

Por sua vez, o Bank of America (BofA) segue projetando um resultado fraco na linha de lucratividade, mas destaca que uma alíquota efetiva de imposto menor do que a inicialmente esperada pode abrir espaço para uma surpresa positiva. 

“O lucro deprimido pode continuar beneficiando a alíquota efetiva de imposto, dado o pagamento de JCP [juros sobre o capital próprio]”, avalia o BofA. 

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O JP Morgan acredita que o BB pode voltar a se beneficiar de efeitos tributários pontuais, como reversões fiscais, embora as provisões continuem comprimindo o lucro.

Já a XP mantém o agronegócio como o principal ponto de atenção do balanço. “Em termos de qualidade de ativos, o Agro deve continuar sendo o foco de preocupação. A carteira Corporate também segue pressionada pelo ambiente de juros elevados e pelos efeitos remanescentes do setor rural”, avaliam os analistas. 

Como consequência, as provisões para devedores duvidosos devem permanecer elevadas no trimestre, prolongando o peso sobre o resultado.  

Expectativas baixas abrem espaço para surpresa? 

Para a XP, a combinação de recuperação lenta, ROE baixo, retorno com dividendos (dividend yield) modesto e múltiplos acima da média histórica justifica uma postura cautelosa em relação à ação. 

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Enquanto isso, o JP Morgan acredita o nível deprimido das expectativas pode criar uma assimetria interessante para o Banco do Brasil.  “As expectativas são baixas, e qualquer sinal de inflexão no agronegócio pode animar o mercado”, projetam os analistas.   

Vale lembrar que o Banco do Brasil está implementando o programa de reestruturação de dívidas do agronegócio, o que deve melhorar, no curto prazo, os indicadores de inadimplência e aumentar os volumes renegociados.  

O Santander, por sua vez, avalia que valuation do Banco do Brasil não reflete adequadamente os riscos da ação.  

Segundo os analistas, o aumento da inadimplência no agronegócio, a maior necessidade de provisões e a crescente dependência de resultados financeiros pressionam a tese.  

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Além disso, a influência governamental também limitaria a flexibilidade estratégica da instituição e reduziria o potencial de reprecificação das ações, de acordo com o Santander. 

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