O fundo do poço do Banco do Brasil (BBAS3) pode ter ficado no 4T25 — o mercado vai pagar para ver?
Com lucros e rentabilidade ainda pressionados, o mercado começa a discutir se o BB deixou o pior para trás ou apenas ganhou tempo

Foram vários trimestres de deterioração, pressão e frustração. Agora, o Banco do Brasil (BBAS3) chega ao quarto trimestre com uma pergunta incômoda sobre a mesa: o pior ficou para trás?
A inadimplência no agronegócio e no crédito corporativo ainda cobram seu preço, mas o mercado começa a ensaiar uma leitura menos sombria — a de que a pior fase pode ter passado, mesmo que a travessia até algo melhor ainda seja longa e acidentada.
A expectativa dos analistas é que o lucro líquido chegue a R$ 6,39 bilhões, segundo estimativas do consenso da Bloomberg.
O número representaria uma leitura dual do atual momento do banco: de um lado, representa um tombo de quase 60% em relação ao mesmo período de 2024; de outro, indica uma leve melhora sequencial, com crescimento de cerca de 6% frente ao terceiro trimestre.
Quanto à rentabilidade, a previsão é que o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) chegue a 8,7%, segundo a média das estimativas compiladas pelo Seu Dinheiro.
Se confirmado, o indicador ainda mostraria uma retração expressiva de 12,7 pontos percentuais na comparação anual — mas avançaria tímidos 0,3 ponto percentual em relação ao trimestre anterior.
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O pior já passou para o Banco do Brasil (BBAS3)?
Mesmo com a esperada melhora sequencial, o consenso do mercado é que o Banco do Brasil deve continuar com o desempenho mais fraco entre os grandes bancos no quarto trimestre.
A rentabilidade deve permanecer em um dígito, refletindo a persistência das despesas com provisões — não apenas no crédito rural, mas também nos segmentos de pessoas físicas e de pequenas e médias empresas (PMEs).
Além disso, as pressões sobre a qualidade da carteira continuam presentes. Para mais um trimestre, analistas projetam desaceleração no crescimento das carteiras corporativa e de agronegócio, justamente os segmentos mais afetados pelo aumento da inadimplência.
O mercado espera um crescimento de portfólio mais próximo do piso do guidance (projeção) estipulado para 2025, que varia de 3% a 6%. A expectativa é que o crédito para pessoa física assuma o papel de principal motor de expansão, ainda que em ritmo contido.
Na leitura do Safra, o quarto trimestre ainda não deve caracterizar uma virada clara de ciclo no crédito. “Embora a renegociação da carteira rural esteja avançando em ritmo sólido — já alcançando cerca de R$ 20 bilhões — ainda esperamos pressão sobre a inadimplência tanto desse segmento quanto das PMEs”, afirmam os analistas do banco.
Por sua vez, o Bank of America (BofA) segue projetando um resultado fraco na linha de lucratividade, mas destaca que uma alíquota efetiva de imposto menor do que a inicialmente esperada pode abrir espaço para uma surpresa positiva.
“O lucro deprimido pode continuar beneficiando a alíquota efetiva de imposto, dado o pagamento de JCP [juros sobre o capital próprio]”, avalia o BofA.
O JP Morgan acredita que o BB pode voltar a se beneficiar de efeitos tributários pontuais, como reversões fiscais, embora as provisões continuem comprimindo o lucro.
Já a XP mantém o agronegócio como o principal ponto de atenção do balanço. “Em termos de qualidade de ativos, o Agro deve continuar sendo o foco de preocupação. A carteira Corporate também segue pressionada pelo ambiente de juros elevados e pelos efeitos remanescentes do setor rural”, avaliam os analistas.
Como consequência, as provisões para devedores duvidosos devem permanecer elevadas no trimestre, prolongando o peso sobre o resultado.
Expectativas baixas abrem espaço para surpresa?
Para a XP, a combinação de recuperação lenta, ROE baixo, retorno com dividendos (dividend yield) modesto e múltiplos acima da média histórica justifica uma postura cautelosa em relação à ação.
Enquanto isso, o JP Morgan acredita o nível deprimido das expectativas pode criar uma assimetria interessante para o Banco do Brasil. “As expectativas são baixas, e qualquer sinal de inflexão no agronegócio pode animar o mercado”, projetam os analistas.
Vale lembrar que o Banco do Brasil está implementando o programa de reestruturação de dívidas do agronegócio, o que deve melhorar, no curto prazo, os indicadores de inadimplência e aumentar os volumes renegociados.
O Santander, por sua vez, avalia que o valuation do Banco do Brasil não reflete adequadamente os riscos da ação.
Segundo os analistas, o aumento da inadimplência no agronegócio, a maior necessidade de provisões e a crescente dependência de resultados financeiros pressionam a tese.
Além disso, a influência governamental também limitaria a flexibilidade estratégica da instituição e reduziria o potencial de reprecificação das ações, de acordo com o Santander.
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