Pão de Açúcar (PCAR3) derruba pílula veneno em meio à recuperação: os Coelho Diniz vão dar o bote?
A varejista aprovou a remoção da cláusula de poison pill, que obrigava investidores com mais de 25% do capital a fazer uma OPA. A medida é essencial para a recuperação extrajudicial e não deve antecipar, necessariamente, um aumento relevante de participação dos Coelho Diniz

Em mais um passo na tentativa do Pão de Açúcar (PCAR3) de sair do buraco, os acionistas aprovaram a exclusão da cláusula de poison pill do estatuto social da empresa. Sem isso, investidores agora podem elevar a fatia na varejista acima de 25% do capital sem precisar fazer uma Oferta Pública de Aquisição (OPA).
Em outras palavras: antes da alteração, qualquer investidor que avançasse acima desse limite teria que fazer uma oferta para comprar os papéis dos demais acionistas da companhia. O mecanismo é utilizado para dificultar tomadas de controle consideradas hostis e preservar a estrutura acionária das empresas. Com a aprovação da proposta, essa barreira deixa de existir no GPA.
Esse é um passo da recuperação extrajudicial do grupo. Como parte do processo, a rede de supermercados está propondo transformar parte das dívidas em participação na companhia no futuro. Segundo a varejista, cerca de R$ 1,13 bilhão das dívidas entrariam nessa estrutura por meio de debêntures conversíveis, títulos de dívida que podem ser transformados em papéis do PCAR3.
Para que essa etapa seja possível, é necessário remover a 'trava' imposta pela poison pill.
Na visão do mercado, os principais credores da companhia — especialmente bancos — dificilmente aceitariam converter suas dívidas em ações se isso automaticamente os obrigasse a lançar uma OPA para a empresa inteira.
Cabe lembrar que a diluição potencial prevista no plano é bastante relevante. Dependendo do volume de conversão das debêntures em ações no futuro, alguns credores poderiam ultrapassar facilmente o limite de 25%.
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É importante destacar que esses títulos de dívida ainda não foram sequer emitidos, mas fazem parte da proposta da RE. Ou seja, ainda dependem de homologação judicial, emissão efetiva e eventual decisão futura de conversão ao longo do cronograma previsto no plano.
Com a remoção, as ações da companhia avançam 14,19% na bolsa por volta das 16h30, negociadas a R$ 1,77.
É uma artimanha dos Coelho Diniz para aumentar fatia no Pão de Açúcar?
Parte do mercado associou a remoção da cláusula a uma tentativa de tomada de poder por parte dos Coelho Diniz, família que vem avançando sobre a varejista desde o ano passado.
A ideia seria que, sem impedimentos, o clã mineiro poderia aumentar ainda mais a participação na companhia da qual já são acionistas majoritários.
No entanto, segundo um gestor com quem o Seu Dinheiro conversou, o movimento não necessariamente indica uma operação como essas.
Afinal, em março deste ano, os acionistas da varejista rejeitaram a exclusão da poison pill do estatuto social da companhia. Segundo o mapa de votação, os votos contrários seriam justamente da família controladora e de Silvio Tini, o outro acionista de peso do grupo.
"Se eles quisessem isso, já teriam feito em março mesmo. Minha leitura é que a remoção só faz sentido como uma condição para o prosseguimento do plano de recuperação extrajudicial. Nenhum banco vai querer participar do processo se a conversão de participação implicar em uma OPA", afirmou o gestor ao Seu Dinheiro.
"Além disso, não parece haver incentivo para que os Coelho Diniz ou Silvio Tini permitam que um terceiro acumule mais de 25% da companhia fora do contexto da reestruturação e passe a ter uma influência comparável — ou até superior — à deles", afirma o gestor.
Segundo ele, um movimento desse tipo poderia desencadear uma disputa de poder, levando ambos os lados a aumentar sucessivamente suas participações para preservar suas posições relativas dentro da empresa”, acrescentou.
Mesmo assim, parte do mercado não descarta uma tomada de poder dos Coelho Diniz à medida que o processo avance.
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