Os dividendos da Vale (VALE3) estão ainda mais perto do acionista? O que levou o BofA a recomendar compra e elevar o preço-alvo
Analistas do banco apontam descolamento do minério e indicam potencial de valorização acima de 20% para ações

Quando o preço do minério de ferro sobe, o movimento esperado é que a Vale (VALE3) acompanhe. Mas não foi isso que se viu nas últimas semanas — e, para o Bank of America (BofA), é justamente nesse descompasso que surge a oportunidade.
O banco elevou a recomendação da mineradora de “neutra” para “compra” ao avaliar que a queda recente das ações abriu uma janela interessante de entrada, sobretudo por não refletir a alta do minério no período.
Além disso, o BofA revisou o preço-alvo de R$ 95 para R$ 100, já incorporando uma visão mais construtiva para a produção de cobre no longo prazo, o que pode ajudar a compensar pressões de custos vindas do cenário geopolítico.
Com isso, a ação passa a embutir um potencial de valorização de cerca de 20,5% em relação ao fechamento anterior.
Desde o início da guerra no Oriente Médio, VALE3 acumula queda de 6,6%, enquanto o minério de ferro avançou cerca de 8%. Para os analistas, esse desalinhamento cria um ponto de entrada atrativo.
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“A correção das ações, combinada com a alta do minério, cria uma oportunidade”, escreveram, em relatório.
Por volta das 15h45 (de Brasília) desta quinta-feira (2), as ações da mineradora avançavam 0,60%, a R$ 83,49, após terem operado no vermelho durante a manhã. No mesmo horário, o Ibovespa tinha queda de 0,20%, aos 187.606,26 pontos.
Mais dividendos para o acionista?
O BofA também revisou para cima as projeções para os resultados para a Vale. O banco estima lucro por ação (EPS) de US$ 1,73 em 2026 — mais que o triplo em relação a 2025 —, avançando para US$ 2,02 no ano seguinte e US$ 1,82 em 2028.
Mas o ponto que realmente sustenta a tese é a geração de caixa e, principalmente, o que ela pode significar para o bolso do acionista.
Com o minério ao redor de US$ 103 por tonelada (spot em US$ 108), a projeção é de um fluxo de caixa livre (FCF) com retorno de dois dígitos, abrindo espaço para distribuições mais generosas de dividendos.
“Com o minério ao redor de US$ 103 por tonelada, vemos um yield de fluxo de caixa livre próximo de 10%, o que é atrativo”, diz o relatório.
A tese do BofA: por que comprar Vale agora
Outro ponto destacado pelo banco é o posicionamento da companhia frente ao cenário externo. Para o BofA, a Vale está mais bem preparada do que seus pares para lidar com pressões em custos logísticos e de combustíveis.
“A história de execução operacional segue intacta, e a empresa está bem-posicionada para lidar com os impactos do conflito com o Irã”, afirmam os analistas.
A visão positiva do banco para a mineradora se apoia em cinco pilares:
- Flexibilidade operacional
A companhia tem ajustado sua produção conforme as condições de mercado, priorizando valor em vez de volume — o que aumenta eficiência e captura de preços melhores. - Crescimento com retorno
A Vale projeta atingir 360 milhões de toneladas de minério de ferro até 2030 e quase dobrar a produção de cobre até 2035, com foco em produtos premium e metais estratégicos. - Disciplina financeira
Custos mais enxutos e capex (investimento) controlado — abaixo de US$ 6 bilhões — sustentam uma geração de caixa superior à de concorrentes, abrindo espaço para dividendos mais elevados. - Redução de riscos
O avanço em temas ESG, como acordos e gestão de barragens, pode destravar o interesse de investidores institucionais. Um possível acordo envolvendo Mariana, no Reino Unido, aparece como gatilho relevante. - Menor exposição a custos
Apesar da pressão sobre diesel e frete, a Vale tem contratos de longo prazo e menor dependência de importações de combustível, o que reduz sua vulnerabilidade frente a pares globais.
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